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By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Cenário Externo
Após a leitura mais forte do que a esperada para o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) para o mês de outubro, em especial para os componentes relacionados a moradia, as atenções estarão voltadas aos membros do Federal Reserve (Fed) que possuem declarações públicas agendadas para a semana que vem para avaliar se algum deles mudará o seu discurso sobre as características essenciais da aceleração inflacionária atual ou sobre as projeções para aumentos nas taxas de juros da economia. Estão programadas falas de Thomas Barkin, Raphael Bostic, Mary Daly, John Williams, Michelle Bowman, Christopher Waller, Charles Evans e Richard Clarida. Na próxima reunião do Comitê Federal do Mercado Aberto (FOMC), em 15 de dezembro, seus integrantes divulgarão suas projeções para variáveis macroeconômicas fundamentais, como previsões de taxas de juros apropriadas (“dot plot”), de crescimento real do PIB e de inflação para os próximos anos.
Os congressistas democratas buscam aprovar esta semana as medidas legislativas da agenda econômica do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. Na semana passada, a Câmara dos Deputados aprovou um pacote bipartidário de US$ 1,2 trilhões em investimentos em infraestrutura ao longo de dez anos, pacote que já havia sido aprovado no Senado. Contudo, os Democratas continuam em desacordo sobre outra lei para investimentos em educação, saúde, imigração, clima e tributação, num valor de, aproximadamente, US$ 2 trilhões. Com uma oposição Republicana unificada e em meio a uma aceleração nos níveis de preços, são as resistências dentro do próprio partido Democrata que tem impedido esta importante vitória para o presidente Biden em uma de suas principais promessas eleitorais.
É digno de nota, também, que reportagens dão conta que o presidente Biden está próximo de anunciar sua escolha para a presidência do Fed. O mandato do atual presidente, Jerome Powell, se encerra em fevereiro, mas a indicação de Biden precisará ser confirmada pelo Senado americano. Segundo estas reportagens, o mais provável é que o presidente indique novamente Powell para o cargo, ainda que ele tenha sido escolhido por Donald Trump para seu primeiro termo. Uma segunda possibilidade seria a governadora do Federal Reserve Lael Brainard, que teria sido entrevistada para o cargo na semana passada.
Cenário Doméstico
A pauta da próxima semana será esvaziada de indicadores domésticos. O destaque fica para o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) para o mês de setembro, que deve registrar leve queda após o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgar, nesta semana, desempenhos abaixo das expectativas para a produção industrial, o volume de vendas no varejo e o volume de serviços para o mês. A produção industrial se contraiu em 0,4% em outubro, 2,2% no terceiro trimestre e em 6,3% no ano. Já o volume de vendas no varejo se retraiu em 1,3% em outubro, 2,6% no trimestre entre julho e setembro e 0,6% em 2021. O volume de serviços, por sua vez, se reduziu em 0,6% em outubro, mas acumula crescimento de 0,9% no terceiro trimestre e de 7,1% no ano. Tais desempenhos reforçam a perspectiva de que o PIB do terceiro trimestre deve ficar próximo da estabilidade ou até mesmo registrar leve redução.
As perspectivas para o segundo semestre se mostram mais desafiadoras, com queda da renda média da população, elevação das taxas de juros, que, por sua vez, encarecem o crédito, e aumento da pressão inflacionária. Nesta semana, o IBGE divulgou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) se acelerou em 1,25% em outubro, acima da mediana das expectativas de analistas, que apontava um crescimento de 1,0%. Trata-se do maior aumento para o mês desde 2002. Com isso, o indicador acumula variação de +8,24% no ano e de +10,67% nos últimos 12 meses. Todos os nove subgrupos pesquisados tiveram elevação em seus preços, com destaque para Transportes (+2,62%), Vestuário (+1,80%), Artigos de residência (+1,27%), Alimentação e bebidas (1,17%) e Habitação (1,04%). A pressão inflacionária parece se tornar mais abrangente, e, neste sentido, uma série de instituições elevaram esta semana suas expectativas para inflação acumulada em 12 meses em 2021, com parte das projeções passando a sinalizar um IPCA em torno de 10,0% ao final de dezembro. Desta forma, também crescem as apostas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) venha a adotar no seu encontro dezembro uma postura mais contracionista para tentar combater o processo inflacionário. Embora o Colegiado tenha sinalizado que antevia um reajuste de 1,5 p.p. na taxa básica de juros (Selic) na sua próxima reunião, em dezembro, alguns analistas acreditam em uma elevação ainda maior, de 1,75 p.p. ou até 2 p.p.


Por fim, vale destacar que os mercados estão demonstrando maior otimismo após a Câmara dos Deputados aprovar em segundo turno do texto-base a PEC dos Precatórios (PEC 23/21), que, resumidamente, permite a expansão da capacidade de gastos do governo através da prorrogação do pagamento de parcela substantiva das dívidas judiciais com sentença definitiva e da alteração do período para o cálculo da correção do limite constitucional de gastos. Apesar de enfraquecer os preceitos fiscais do setor público, o fato de o governo definir sua fonte de financiamento para suas medidas eleitorais em 2022 reduziu as incertezas para o próximo ano. De acordo com estimativas divulgadas pelo Ministério da Economia, a PEC 23/21 adiciona ao Orçamento de 2022 R$ 91,6 bilhões em espaço adicional, sendo R$ 47 bilhões provenientes da mudança no cálculo do teto de gastos e R$ 44,6 bilhões provenientes do adiamento do compromisso de honrar os compromissos judiciais do governo. Ainda segundo o Ministério, desses R$ 91,6 bilhões, o Executivo pretende destinar R$ 50 bilhões para o aumento temporário do benefício médio do programa Auxílio Brasil (que substituirá o Bolsa Família) de R$ 191 para R$ 400, com vigência até dezembro de 2022, ano eleitoral e, no mínimo R$ 10 bilhões serão destinados para “despesas obrigatórias e demandas da sociedade”, de acordo com “decisão do Congresso”.



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