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Resumo Semanal de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Câmbio encerra semana em pequena alta,
cotado a R$ 5,153
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Guerra na Ucrânia provoca forte oscilação nos mercados financeiros
e interrompe queda do dólar
 
 
fatores altistas
  • Invasão russa à Ucrânia, com ataque em múltiplas localizações, mas concentrada na capital, deve enviar ondas de choque aos mercados financeiros e exacerbar a volatilidade. Habitualmente, ativos de países emergentes têm um desempenho pior em situações de conflito;

  • Depoimentos do presidente do Federal Reserve ao Congresso americano podem consolidar as estimativas de aperto monetário para 2022 e atrair investimentos para o mercado financeiro estadunidense, valorizando o dólar;

  • Dados para o mercado de trabalho americano deve mostrar a continuidade da redução da taxa de desemprego e do aumento das taxas salariais, o que pode aumentar a expectativa de pressões inflacionárias por conta do custo salarial, elevando, por sua vez, a expectativa de aperto monetário pelo Fed.

 
fatores baixistas
  • Crescimento do Produto Interno Bruto do 4º trimestre pode surpreender após dados positivos de atividade econômica em novembro e dezembro, o que pode auxiliar a atrair recursos estrangeiros para o país;

  • Possibilidade de atração dos recursos estrangeiros pelo mercado de renda fixa, atraente por conta do alto diferencial de juros que o país oferece e do menor risco envolvido comparativamente a outros ativos.

     

Após seis semanas consecutivas de recuo e depois de encostar em R$ 4,99 na quarta-feira, a taxa de câmbio disparou com o ataque em escala máxima da Rússia contra a vizinha Ucrânia, no leste europeu, encerrando a sexta-feira (25) negociada a R$ 5,156, variação de +0,3% na semana, -2,8% no mês e de -7,5% no ano. Já o dollar index terminou o pregão de sexta cotado a 96,6 pontos, ganho semanal de 0,6%, mensal de 0,1% e anual de 1,1%. O real, que havia se destacado no mês de fevereiro por se fortalecer frente ao dólar mesmo diante de uma conjuntura internacional desafiadora, não foi páreo às ondas de choque causadas pela agressão militar russa em uma busca pela reconfiguração das zonas de influência geopolítica europeias e mundiais, ao enorme custo econômico e humano da Ucrânia. Há muitas incertezas envolvidas neste conflito, como os objetivos finais de Moscou, quanto tempo os ucranianos serão capazes de resistir e quais serão os impactos das sanções dos países ocidentais à Rússia, o que deve provocar elevada instabilidade enquanto durar a guerra.
Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)
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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

Cenário Externo

O foco da próxima semana serão os desdobramentos da invasão militar da Rússia à Ucrânia e de possíveis novas sanções econômicas à Moscou. Em 21 de fevereiro de 2022, a Rússia reconheceu como independentes as duas áreas ucranianas dominadas por separatistas pró-Kremlin dentro de Donbas, a saber, Luhansk e Donetsk. Em longo discurso televisivo, Putin criticou duramente a Ucrânia, afirmou que as nações do Ocidente e, em especial, os Estados Unidos descumpriram suas promessas no passado ao permitir, em cinco ocasiões diferentes, que a OTAN se expandisse para o leste europeu e que o discurso das nações ocidentais era cada vez mais hostil e antirrússia, com ameaças constantes de sanções econômicas. Por fim, declarou que diante de “evidências” – até o momento, inexistentes – de um genocídio à população russa nos territórios separatistas, precisou descumprir os acordos de Minsk e reconhecer a independência desses territórios a fim de protegê-los. Na sequência, Moscou declarou que enviaria tropas à região para a “garantia da paz”.

Finalmente, em 24 de fevereiro de 2022, o presidente russo autorizou o que chamou de “operação militar especial” que visa à “desmilitarização e desnazificação” da Ucrânia. Embora haja poucos detalhes sobre quais serão os próximos passos de Moscou, o território ucraniano foi alvo de ataques aéreos, terrestres e navais em diversas cidades. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, rompeu relações diplomáticas com a Rússia, declarou lei marcial, fechou o espaço aéreo do país, clamou por sanções ocidentais e afirmou que seu país iria rechaçar militarmente o avanço russo. Diante de mísseis e balas, o ocidente respondeu com palavras e sanções. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou que americanos não vão se envolver no conflito a menos que a Rússia ataque algum país pertencente à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) – o que exclui a Ucrânia. Após consultar com as demais nações do G7, Biden anunciou sanções que miram fundamentalmente o setor financeiro russo, sua habilidade de fazer transações com o ocidente e congelando ativos de 27 indivíduos nessas nações. Contudo, chamou a atenção a ausência de sanções ao setor energético russo, do qual a Europa é consideravelmente dependente, e a permanência dos bancos do país ao sistema de transações internacionais Swift, uma sanção que alguns analistas pensavam que fosse ser imposta.

Os próximos passos do conflito são incertos. A União Europeia é dependente do gás natural russo e os estoques estão reduzidos, embora provavelmente sejam o suficientes para garantir o abastecimento até o fim do inverno. No momento, os fluxos de fornecimento seguem em seus volumes normais, porém qualquer redução impactaria os custos de produção industrial e de eletricidade no continente europeu. Há o risco, ainda, de impactos no fornecimento de commodities agrícolas, metálicas e de dificuldades e encargos adicionais às cadeias de suprimento globais. A Ucrânia já fechou seu espaço aéreo e seus portos para finalidades comerciais. Novas sanções futuras podem tornar proibidos, ou desaconselháveis, o uso de rotas por meio da Ucrânia ou da Rússia, forçando o uso de meios alternativos mais longos, mais arriscados ou ambos. A própria duração da guerra influenciará os impactos aos mercados financeiros.

Nos Estados Unidos, o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, prestará depoimento à Câmara e ao Senado americano como parte de seus testemunhos semestrais ao Congresso. Esta semana, diversas autoridades do Fed persistiram na necessidade de iniciar em março os aumentos da taxa de juros, apesar da tensão, e do conflito, entre Rússia e Ucrânia. Analistas creem que Powell irá reforçar a mensagem da necessidade da realização de um aperto monetário, ressaltando os riscos de pressão inflacionária causados pela guerra no leste europeu. Além disso, serão divulgados na próxima semana dados importantes para o mercado de trabalho estadunidense em fevereiro, permitindo uma leitura sobre a continuidade do dinamismo do emprego no país, cuja taxa de desemprego se encontra em 4,0%.

Cenário Doméstico

Em semana reduzida, por conta do feriado de Carnaval, o destaque para o Brasil na próxima semana será a divulgação das Contas Nacionais Trimestrais, na próxima sexta-feira (04). A mediana das expectativas de analistas aposta em um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 0,1% no último trimestre do ano, após retração no segundo (-0,6%) e no terceiro trimestres (-0,1%). O mês de outubro apresentou resultados de atividade produtiva amplamente negativos, com retração na produção industrial (-0,5%), volume de serviços (-1,6%) e estabilidade nas vendas do varejo. Contudo, os meses de novembro e dezembro foram de recuperação, o que pode ser observado, por exemplo, no Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que apresentou variações em outubro, novembro e dezembro, respectivamente, de -0,1%, +0,5% e +0,3%. Já para a variação anual, as estimativas estão ao redor de 4,5%.

O mês de fevereiro foi marcado pela forte entrada de capitais estrangeiros no país, e houve reversão do movimento após a invasão da Ucrânia pela Rússia. Será muito importante observar como os investimentos externos vão se comportar durante o conflito, visto que este foi o fator determinante para a valorização cambial no mês de fevereiro. Habitualmente, conflitos militares estimulam a cautela e a aversão ao risco, o que tende a prejudicar ativos arriscados e moedas emergentes, como é o caso do Brasil.

Segundo a B3, em 2022, tanto o mês de janeiro como o mês de fevereiro apresentam ingresso líquido de recursos estrangeiros superior a qualquer mês de 2021, a saber, saldo de R$ 32,491 bilhões no mês de janeiro e de R$ 26,406 bilhões entre 01 e 23 de fevereiro. Um levantamento do jornal Valor Econômico desta semana mostra que dez ações respondem por 94,4% da valorização do Ibovespa no ano, sendo que nove delas pertencem aos setores de mineração (Vale), atraente devido à escalada do preço do minério de ferro, de petróleo e gás (Petrobras), atraente devido ao aumento do preço das commodities energéticas, e do setor financeiro (Itaú Unibanco, B3, Banco do Brasil, Bradesco, Itaúsa e BTG Pactual), atraentes devido ao aumento das taxas de juros Selic.

Saldo do fluxo de capitais estrangeiros na B3 - até 23/02 (R$ bilhões):
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Fonte: B3. Elaboração: StoneX.

Na quarta-feira (23), o Banco Central (BC) atualizou os dados semanais de fluxo cambial do país até o dia 18/02. Se a conta comercial apresenta saldo negativo no acumulado em 2022, no valor de US$ -3,576 bilhões, a conta financeira apresenta forte superávit de US$ 10,268 bilhões em função da entrada de capitais externos no país. Desta forma, o fluxo cambial total no ano está positivo em US$ 6,692 bilhões. É necessário ressaltar, entretanto, que há uma entrada financeira líquida de US$ 8,575 bilhões apenas entre 27 de janeiro e 18 de fevereiro, coincidindo com o período de maior valorização cambial.

Fluxo cambial acumulado (US$ bi) e taxa de câmbio (R$/US$):
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Fonte: Banco Central do Brasil e CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

Por fim, vale ressaltar que o Senado Federal adiou, mais uma vez, a votação de dois projetos que alteram os preços de combustíveis no Brasil, que devem ficar para o dia 08 de março. Os projetos, sob relatoria do senador Jean Paul Prates (PT-RN), buscam conter a alta recente dos combustíveis no país. O primeiro projeto (PL 1472/2021) propõe a criação de um Fundo de Estabilização dos preços dos combustíveis, que seria financiado por um novo imposto de exportação do petróleo, além de alterar a política de preços da Petrobras para seus custos nacionais, ao invés da paridade internacional. A medida é criticada pelos Ministérios da Economia e de Minas e Energia, que temem uma fuga de investimentos externos. O segundo projeto (PLP 11/2020) altera o formato da tributação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) – tributo estadual – sobre os combustíveis. Ele propõe a existência de uma alíquota monofásica (isto é, um único contribuinte tem responsabilidade sobre toda a cadeia) do ICMS para os combustíveis. Neste caso, a medida conta com resistência de governadores e prefeitos, que temem perder autonomia tributária.

 
tabela de indicadores
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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.
 
  • Moedas

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