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By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil
Invasão russa à Ucrânia segue causando turbulências e exacerbando a volatilidade nos mercados financeiros. Habitualmente, ativos de países emergentes têm um desempenho pior em situações de conflito;
Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos Estados Unidos deve manter trajetória de aceleração, reforçando as apostas de que o Federal Reserve precisará atuar de forma rígida em sua contração monetária neste ano e podendo contribuir na valorização do dólar;
Projetos de Lei no Senado brasileiro buscam intervir na política de preços da Petrobrás e criar imposto sobre a exportação de petróleo, o que pode afastar investidores estrangeiros do país e enfraquecer o real.
Escalada dos preços das commodities está favorecendo o apetite por ativos de países exportadores de produtos primários, como o Brasil, e pode ajudar na valorização do real;
Possibilidade de atração dos recursos estrangeiros pelo mercado de renda fixa, atraente por conta do alto diferencial de juros que o país oferece e do menor risco envolvido comparativamente a outros ativos.

Cenário Externo
O foco da próxima semana deve se manter sobre a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, que provoca ondas de choque sobre os mercados financeiros. Desde o início da guerra, os Estados Unidos, União Europeia, Inglaterra e Canadá retaliaram às agressões do Kremlin com uma sequência de sanções econômicas destinadas a prejudicar severamente a economia russa, mantendo uma ínfima esperança de tentar convencer o presidente do país, Vladimir Putin, a negociar um cessar-fogo ou outra alternativa à crise geopolítica. Os maiores bancos comerciais do país foram impedidos de utilizar o sistema internacional de notificação de pagamentos Swift, aumentando os custos de transação e possivelmente criando atrasos para operações nestes bancos, que possivelmente podem ser preteridos em negócios internacionais. Os ativos financeiros do Banco Central da Rússia foram congelados nos Estados Unidos, Inglaterra e na Bélgica, limitando a maior parte das reservas internacionais do país e colaborando para a aguda desvalorização do rublo russo. Dezenas de “oligarcas” – empresários, políticos e pessoas relacionadas ao regime moscovita – sofreram o mesmo congelamento de ativos nestes países. Pelo menos trinta países baniram empresas de aviação russas de trafegarem sobre seu espaço aéreo, aprofundando o isolamento do país em relação ao Ocidente e seguramente implicando em elevação dos custos de rotas. E, por fim, diversas companhias anunciaram pausas temporárias ou desinvestimentos permanentes na Rússia, como Nike, Netflix, Meta (dona da Facebook), Ford, Adidas, Walt Disney e empresas de energia, como BP, Shell e ExxonMobil. As agências de riscos Moody’s e Fitch classificaram os títulos de dívidas governamentais da Rússia como “lixo” (junk), e as instituições Morgan Stanley (MSCI) e FTSE Russell removeram todos os ativos russos de seus índices de ações e moedas emergentes. Além disso, existe um efeito de desestímulo geral ao comércio com a Rússia por medo de futuras sanções, danos reputacionais ou medo de falta de pagamento.
A Ucrânia já fechou seu espaço aéreo e seus portos para finalidades comerciais. Novas sanções futuras podem tornar proibidos, ou desaconselháveis, o uso de rotas por meio da Ucrânia ou da Rússia, forçando o uso de meios alternativos mais longos, mais arriscados ou ambos. A própria duração da guerra influenciará os impactos aos mercados financeiros. Os preços das commodities mundiais seguem em tendência de alta, em função da importância produtiva de Rússia, Ucrânia e Belarus e da previsão de sérias interrupções de fornecimento global de diversos insumos, como petróleo, gás natural, trigo, milho, alumínio e níquel. A Ucrânia já fechou seu espaço aéreo e seus portos para finalidades comerciais. Novas sanções futuras podem tornar proibidos, ou desaconselháveis, o uso de rotas por meio da Ucrânia ou da Rússia, forçando o uso de meios alternativos mais longos, mais arriscados ou ambos. A própria duração da guerra influenciará os impactos aos mercados financeiros. Essas elevações devem repercutir em custos maiores globalmente, que podem resultar em taxas de inflação mais aceleradas. As autoridades econômicas, por sua vez, provavelmente adotariam políticas monetárias e fiscais contracionistas a fim de conter a alta dos preços, o que pode resultar em menor crescimento econômico.
Nesse sentido, a publicação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos Estados Unidos, uma semana antes da reunião para decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed), guarda importante relevância. Antes da guerra russo-ucraniana, havia intenso debate sobre qual deveria ser a agressividade do Fed para conter a maior aceleração de preços nos EUA em décadas. Porém, com a elevada incerteza sobre os potenciais desdobramentos e impactos do conflito do leste europeu, as apostas são quase unânimes em apontar que o aumento de juros inicial será de 0,25 ponto percentual. De todo modo, o contexto macroeconômico para o Banco Central americano se tornou muito mais desafiador, com a perspectiva de choques de oferta elevando a inflação e com menor margem de manobra para a política monetária em função do cenário internacional. Maior ainda será o desafio das autoridades monetárias europeias, que assistem a uma evasão de capitais do continente e reduzem ainda mais sua margem de manobra. Pouco crescimento, muita inflação, os males de 2022 serão.
Cenário Doméstico
No Brasil, o foco deve ficar pelas ações aguardadas pelo Executivo em relação às repercussões do confronto russo-ucraniano à economia nacional. Segundo jornal O Globo, o governo pretende liberar na próxima semana um pacote de medidas para estímulo à economia no valor de R$ 150 bilhões, como a liberação de saques do FGTS, redução transversal do IPI e reabertura de programas de créditos lançados durante à pandemia voltados às micro e pequenas empresas. Enquanto isso, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, disse que viajará ao Canadá em 12 de março para discutir o fornecimento de potássio com empresários locais.
Além disso, está programado para ir ao Plenário do Senado na próxima terça (08) dois projetos de leis que buscam conter os aumentos dos preços de combustíveis ao consumidor final. O primeiro projeto (PL 1472/2021) propõe a criação de um Fundo de Estabilização dos preços dos combustíveis, que seria financiado por um novo imposto de exportação do petróleo, além de alterar a política de preços da Petrobras para seus custos nacionais, ao invés da paridade internacional. A medida é criticada pelos Ministérios da Economia e de Minas e Energia, que temem uma fuga de investimentos externos. O segundo projeto (PLP 11/2020) altera o formato da tributação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) – tributo estadual – sobre os combustíveis. Ele propõe a existência de uma alíquota monofásica (isto é, um único contribuinte tem responsabilidade de recolhimento sobre toda a cadeia) do ICMS para os combustíveis. Neste caso, a medida conta com resistência de governadores e prefeitos, que temem perder autonomia tributária.
Esta foi mais uma semana de forte entrada de capitais estrangeiros no país, mesmo diante do cenário de maior cautela internacional. Será muito importante observar como os investimentos externos vão se comportar durante o conflito, visto que, habitualmente, conflitos militares estimulam a cautela e a aversão ao risco, o que tende a prejudicar ativos arriscados e moedas emergentes, como é o caso do Brasil. Contudo, em função da escalada dos preços das commodities, os países exportadores de produtos primários estão recebendo entrada volumosa de recursos estrangeiros, tanto de investimentos produtivos, como de aplicações financeiras relacionadas à área.
Segundo a B3, em 2022, tanto o mês de janeiro como o mês de fevereiro apresentam ingresso líquido de recursos estrangeiros superior a qualquer mês de 2021, a saber, saldo de R$ 32,491 bilhões no mês de janeiro e de R$ 30,129 bilhões em fevereiro, e em 2022, o índice Ibovespa acumula alta de 9,87%.

Na quinta-feira (03), o Banco Central (BC) atualizou os dados semanais de fluxo cambial do país até o dia 25/02. Se a conta comercial apresenta saldo negativo no acumulado em 2022, no valor de US$ -1,125 bilhões, a conta financeira apresenta forte superávit de US$ 8,958 bilhões em função da entrada de capitais externos no país. Desta forma, o fluxo cambial total no ano está positivo em US$ 7,833 bilhões. É necessário ressaltar, entretanto, que há uma entrada financeira líquida de US$ 8,575 bilhões apenas entre 27 de janeiro e 18 de fevereiro, coincidindo com o período de maior valorização cambial.


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