
Abertura de Câmbio
Câmbio deve refletir dados de emprego nos EUA

- Moedas
O Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities já está disponível gratuitamente. Faça seu download. →
By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil
Invasão russa à Ucrânia segue causando turbulências e exacerbando a volatilidade nos mercados financeiros. Habitualmente, ativos de países emergentes têm um desempenho pior em situações de aversão ao risco;
Aumento da taxa de juros pelo Federal Reserve, em conjunto com a divulgação de projeção de política monetária futura, deve reforçar a atratividade do dólar em um momento em que já está fortalecido por ser um ativo seguro em tempos de incertezas.
Escalada dos preços das commodities está favorecendo o apetite por ativos de países exportadores de produtos primários, como o Brasil, e pode ajudar na valorização do real;
Aumento da taxa básica de juros (Selic) pode atrair recursos estrangeiros pelo mercado de renda fixa, atraente por conta do alto diferencial de juros que o país oferece e do menor risco envolvido comparativamente a outros ativos.

Cenário Externo
O foco da próxima semana deve ser, mais uma vez, a injustificável guerra entre a Rússia e Ucrânia, que, para além de catástrofe humanitária, continuar a exacerbar as volatilidades dos mercados, romper com as cadeias globais de comércio e suprimento, redesenhar a geopolítica global e ampliar as incertezas sobre as perspectivas futuras da economia. As tropas russas parecem avançar a um ritmo muito mais lento que o desejado, apoiando-se centralmente em uma estratégia de sitiar cidades, privá-la de suprimentos e bombardeá-la até sua aniquilação. Hospitais, creches, casas, escolas, igrejas, infraestrutura civil e militar, nada escapa do carpete de bombas russo. Nesta última semana, o Kremlin começou a mencionar, sem oferecer evidências, que o pentágono e os ucranianos preparavam um ataque biológico contra os separatistas russos na região do Donbass, o que levou aos Estados Unidos alertarem que, possivelmente, a Rússia esteja planejando algum ataque biológico ou químico que ela pretenda fazer parecer como um acidente. O futuro do conflito é incerto, visto que há negociações diplomáticas em andamento, porém sem muitas conquistas em termos de cessar-fogo ou de implantação de corredores humanitários, e visto que a resistência ucraniana tem superado as expectativas.
A Rússia e, em menor medida, a Belarus foram alvos de dezenas de sanções econômicas em retaliação à invasão da Ucrânia, o que prejudica a capacidade desses países de comercializarem produtos com os países do G7, seja porque um produto está proibido de ser importado, seja pela dificuldade dos bancos russos e bielorrussos de realizarem pagamentos e recebimentos internacionais com outros países. Além disso, dezenas de empresas estão suspendendo ou encerrando suas atividades com os russos, ampliando o isolamento econômico de Moscou. Por fim, existe um efeito de desestímulo geral ao comércio com a Rússia por medo de futuras sanções, danos reputacionais ou medo de falta de pagamento. É digno de nota, também, que o maior porto ucraniano, em Odessa, ainda não foi alvo de ataques pelas tropas moscovitas. Contudo, caso os russos resolvam rumar ao oeste e conquistar Odessa, a Ucrânia teria seu acesso ao mar negro interrompido. Todos esses fatores contribuíram para uma variação intensa dos preços de commodities alimentícias, metálicas e energéticas nos últimos quinze dias, e nada sugere que essa tendência vá se alterar nas próximas semanas.
Outro destaque da próxima semana será a reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve, que, na quarta-feira (16), deve aumentar sua taxa de juros básica pela primeira vez em dois anos – em 15 de março de 2020, o FOMC a reduziu para o intervalo entre 0% e 0,25% ao ano. O banco central americano tem o difícil desafio de enfrentar uma aceleração de preços elevada, persistente e disseminada em meio aos choques de oferta e outras turbulências causadas pela guerra entre Rússia e Ucrânia. Nesse cenário, há uma certeza de que a autoridade monetária deseja ser firme na busca pela estabilização de preços, porém quer ser paciente para observar os movimentos de mercado em tempos tão revoltos. Em 2022, ainda haverá sete decisões de política monetária pelo FOMC. A maior parte das análises espera por, pelo menos, cinco aumentos de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros neste ano, dentro de uma trajetória de reajustes que eleve os juros até a faixa de nível 2,5% a 2,75% ao ano.
Cenário Doméstico
No Brasil, o foco da próxima semana deve ser a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que também deve aumentar a taxa básica de juros (Selic), na próxima quarta (16), de 10,75% para 11,75% ao ano. Hoje, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA se acelerou em 1,01% em fevereiro, ligeiramente acima das expectativas de analistas, cuja mediana apontava para crescimento de 0,95%. Trata-se do maior aumento para um mês de fevereiro desde 2015. O índice ficou 0,47 ponto percentual acima do registrado em janeiro (0,54%) e acumula alta em doze meses de 10,54%, também acima do nível de janeiro (10,38%). A deterioração das expectativas inflacionárias na esteira dos choques de preços das commodities por conta da guerra na Ucrânia tem provocado a revisão das estimativas para a taxa Selic entre analistas, que preveem um ciclo mais longo e de taxas mais altas para tentar estabilizar os preços internamente, com efeitos colaterais negativos sobre o crescimento econômico para os próximos anos.
Nesta semana, a Petrobras anunciou hoje um reajuste de 18,7% no preço da gasolina, 24,9% no diesel e 16% no gás de botijão (GLP) como forma de se reduzir a disparidade dos preços internacionais do petróleo com os praticados internamente. Alvo de constantes críticas por parte do Palácio do Planalto e do Legislativo, a Estatal estava há 57 dias sem mexer os preços do diesel e da gasolina e há 152 sem reajustes no gás de cozinha. Ontem, o Congresso se mobilizou para conter, de alguma forma, esse aumento para o consumidor final. A Câmara e o Senado aprovaram um projeto de lei (PLP 11/2020), que alterou o formato da tributação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), tornando-o monofásico (isto é, um único contribuinte tem responsabilidade de recolhimento sobre toda a cadeia) e com valor fixo para todo o país, ao invés de ser um percentual sobre a receita. Falta a sanção presidencial. O Senado também aprovou outro projeto (PL 1472/2021) cria um fundo de estabilização (sistema de bandas de preços), a fim de conter a oscilação dos preços de combustíveis, além de estabelecer um auxílio-gasolina de até R$ 300 mensais para motoristas autônomos de baixa renda, destinado aos beneficiários do programa Auxílio Brasil. Contudo, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), não aparentou muita motivação para colocá-lo em votação.
Outro tópico que pode retornar aos holofotes é uma proposta do Executivo de conceder um pacote de subsídios para reduzir o preço dos combustíveis ao consumidor final. Durante a semana, ocorreram múltiplas reuniões envolvendo o presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, os ministros de Minas e Energia, Bento Albuquerque, da Economia, Paulo Guedes, e da Casa Civil, Ciro Nogueira, além do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, para debater o tema, porém não se definiu o formato de tais subsídios.
Por fim, é digno de nota que esta foi mais uma semana de forte entrada de capitais estrangeiros no país, mesmo diante de um cenário mais pessimista no exterior. Habitualmente, conflitos militares estimulam a cautela e a aversão ao risco, o que tende a prejudicar ativos arriscados e moedas emergentes, como é o caso do Brasil. Contudo, em função da escalada dos preços das commodities, os países exportadores de produtos primários estão recebendo entrada volumosa de recursos estrangeiros, tanto de investimentos produtivos, como de aplicações financeiras relacionadas à área.
Segundo a B3, em 2022, tanto o mês de janeiro como o mês de fevereiro apresentam ingresso líquido de recursos estrangeiros superior a qualquer mês de 2021, a saber, saldo de R$ 32,491 bilhões no mês de janeiro e de R$ 30,129 bilhões em fevereiro. O mês de março acumula superávit de R$ 8,444 bilhões até o dia 09.


Este documento contém opiniões do autor e não necessariamente reflete as estratégias da StoneX. As previsões de mercado são especulativas e podem variar. O investidor é responsável por qualquer decisão baseada neste material. A StoneX só negocia com clientes que atendem aos critérios legais. O aviso legal completo está em https://www.stonex.com/pt-br/termos-e-condicoes/.
É proibida a cópia ou redistribuição deste material sem permissão da StoneX.
© 2026 StoneX Group, Inc.
Nossos assinantes têm acesso às análises de mercado da StoneX, abrangendo commodities, ações, moedas e muito mais.
Utilizamos nosso capital, conhecimento e profunda experiência para proteger as margens de nossos clientes, reduzir custos e fornecer soluções personalizadas para obter sucesso nos mercados globais competitivos de hoje.
Confiança
Valorizamos relacionamentos próximos e de longo prazo com nossos clientes. Ao oferecer o melhor serviço e suporte tecnológico, nossos clientes confiam em nós para entrar nos mercados mais desafiadores e atender aos seus pedidos mais difíceis.
Transparência
Oferecemos preços competitivos e transparentes, além de entrega garantida e segura em mais de 140 moedas em mais de 185 países.
Especialização
Com insights e informações de todo o mundo, fornecemos aos nossos clientes notícias, dados e comentários agregados de todas as vertentes de nossos mercados, desde interconexões de complexos de commodities até fluxos globais de capital.