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Resumo Semanal de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Câmbio termina em baixa pela quarta semana consecutiva, cotado a R$ 4,747
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Real continua sendo beneficiado pelo
forte apetite estrangeiro por ativos brasileiros
 
 
fatores altistas
  • Invasão russa à Ucrânia segue causando turbulências e exacerbando a volatilidade nos mercados financeiros, fortalecendo o dólar no cenário internacional em função de seu papel como porto-seguro em momentos de incerteza;

  • Falas públicas de autoridades do Federal Reserve podem provocar oscilações no mercado de moedas, em particular aquelas que defendem um aperto monetário mais agressivo a fim de controlar a inflação no país, o que elevaria a rentabilidade dos títulos denominados em dólar e atrairia investimentos para essa moeda;

  • Nova aceleração no Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) deve reforçar debate para altas de juros mais agressivas nos EUA a fim de buscar a estabilidade de preços.

 
fatores baixistas
  • Escalada dos preços das commodities está favorecendo o apetite por ativos de países exportadores de produtos primários, como o Brasil, e pode ajudar na valorização do real;

  • Divulgação das estatísticas do setor externo para o mês de fevereiro deve revelar um superávit na conta capital e financeira e permitir analisar em detalhes o apetite estrangeiro por tipo de ativo brasileiro no mês passado, o que pode auxiliar a atrair novos investimentos para o país.

     

A taxa de câmbio recuou pela quarta semana seguida, encerrando a sexta-feira (25) negociada a R$ 4,747, variação de -5,4% na semana, -7,8% no mês e -14,8% no ano. Já o dollar index terminou o pregão de sexta cotado a 98,8 pontos, ganho de 0,6% na semana, 2,2% no mês e 3,4% no ano. O dólar negociado no mercado interbancário permanece recebendo forte fluxo de divisas estrangeiras, se beneficiando da tendência de alta nos preços internacionais das commodities e do elevado diferencial de juros oferecido pela economia brasileira, enquanto o cenário internacional permanece de relativa cautela e menor exposição aos riscos em função da baixa perspectiva de solução para a guerra entre Rússia e Ucrânia, que vêm causando volatilidade aos mercados financeiros de acordo com a evolução das manchetes.
Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)
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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

Cenário Externo

Os mercados financeiros continuam atentos ao desenrolar da guerra entre Rússia e Ucrânia, que entrou em seu segundo mês com pouca clareza sobre como ela poderá evoluir daqui para frente ou quais alternativas podem abreviar sua conclusão, porém é certo que suas manchetes trarão volatilidade a esses mercados. Na última semana, uma cúpula extraordinária entre os países do G7, da União Europeia e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) trouxe mais uma rodada de sanções econômicas contra Moscou, bem como declarações dos líderes destas nações alertando o Kremlin contra o uso de armas biológicas, químicas e nucleares em território ucraniano. Quase quatro milhões de ucranianos já se evadiram do país. No front de batalha, a situação aparenta estar em um impasse, sem nenhum lado conseguir ganhar muito terreno, e os russos persistem um uma desumana estratégia de sitiar cidades, privá-las de suprimentos básicos e manter um ataque à distância de artilharia, mísseis e bombas contra alvos civis e militares.

Em reação às dezenas de sanções aplicadas pelo que denomina de “nações hostis”, a Rússia declarou que exigirá o pagamento em rublos para suas exportações de petróleo e gás natural destinada a essas nações, ao invés das divisas determinadas originalmente nos contratos. Trata-se de uma tentativa de “descentralizar” o papel do Banco Central russo, isto é, de repassar aos bancos privados a tarefa de transformar a moeda estrangeira em rublo russo, talvez como uma forma de evadir sanções ou, talvez, aumentar a demanda pela moeda russa e ajudar na recuperação de seu valor internacional. Se os bancos europeus aceitarão esta imposição, entretanto, não está claro, como também é incerto se a Rússia interromperia o fornecimento desses produtos caso não receba em rublos.

Nos Estados Unidos, a próxima semana trará alguns indicadores econômicos relevantes que poderão afetar o mercado de divisas nacional. Primeiramente, a divulgação do relatório de situação de emprego de março deve indicar a manutenção da contratação elevada de novos empregados e a da taxa de desemprego abaixo de 4,0%, sinalizando um mercado de trabalho aquecido e próximo ao pleno emprego, resultando em crescimento da remuneração média da hora trabalhada. Além disso, haverá a divulgação do Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE), o indicador preferido pelo Federal Reserve para avaliar a inflação nos EUA, cuja mediana das expectativas é de nova aceleração, passando de 6,1% para 6,5% no acumulado em doze meses.

As atenções também devem continuar sobre as declarações públicas dos membros do Federal Reserve (Fed) à medida que analistas tentam aferir qual o grau de apoio para um ou mais reajustes de 0,50 ponto percentual na taxa básica de juros dos Estados Unidos, a federal funds rate. Habitualmente, os reajustes são feitos a um ritmo de 0,25 p.p., porém a aceleração de preços pela qual passa o país é a maior em quatro décadas, com a perspectiva de piorar (aumentar) no curto prazo em função da valorização dos preços internacionais das commodities agrícolas, metálicas e energéticas, com poucas exceções. Essa alta nos preços de tantos produtos simultaneamente deve encarecer as cadeias produtivas de diversos segmentos de bens e serviços, que, em maior ou menor medida, serão repassados aos preços ao consumidor e podem elevar o patamar inflacionário. Desta forma, as autoridades que integram o Fed estão frequentemente assumindo posicionamentos mais firmes na defesa de uma política monetária rígida que persiga a estabilização de preços.

Cenário Doméstico

O foco da próxima semana deve ser, mais uma vez, o forte apetite estrangeiro por ativos brasileiros e a valorização da taxa de câmbio que esta forte entrada de recursos está proporcionando. A moeda brasileira apresenta um desempenho destacado em 2022: em doze semanas, o real se apreciou frente ao dólar em dez delas, e já acumula uma valorização de 14,8% neste ano – o melhor desempenho entre as moedas emergentes relevantes. Em um contexto de tendência de alta nos preços internacionais das commodities, a diversificada capacidade exportadora de produtos primários, a baixa exposição, em termos relativos, aos riscos que o conflito russo-ucraniano oferece e o baixo preço dos ativos brasileiros em termos de moeda estrangeira têm atraído muitos investidores estrangeiros. É possível vislumbrar esta entrada de capitais através do mercado à vista de ações da B3, cuja entrada líquida de recursos estrangeiros já ultrapassa R$ 81 bilhões em 2022, maior valor em três meses desde 1994, início da série histórica. O saldo de investimentos é R$ 32,491 bilhões no mês de janeiro, de R$ 30,129 bilhões em fevereiro e de R$ 20,973 bilhões até o dia 22 de março.

Saldo do fluxo de capitais estrangeiros na B3 – até 23/03 (R$ bilhões):
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Fonte: B3. Elaboração: StoneX.

Por outro lado, contribui para a entrada de capitais externos, também, o largo diferencial de juros brasileiro frente às taxas de juros dos países desenvolvidos. Enfrentando uma rápida aceleração inflacionária, o Banco Central do Brasil realiza um intenso processo de aperto monetário que reajustou a taxa básica de juros (Selic) de 2,0% a.a. para 11,75% a.a. em um intervalo de doze meses apenas. Hoje, a taxa real de juros – diferença entre a taxa nominal de juros menos a inflação – no Brasil só é menor que a da Rússia, país que enfrenta dificuldades em atrair investidores estrangeiros. Este dilatado diferencial de juros brasileiro auxilia a atrair investidores que buscam estratégias de “carry trade” – tomar financiamento em um país de juro baixo para aplicar em um país de juro elevado.

A tendência de entrada desses recursos estrangeiros deve permanecer nas próximas semanas, visto que o conflito entre Rússia e Ucrânia não aparenta estar próximo de uma solução, mantendo-se, portanto, a pressão sobre os preços de commodities, e o ciclo de alta na taxa básica de juros (Selic) se manterá, no mínimo, até maio, de acordo com o Banco Central.

Na próxima semana, também, haverá a divulgação de diversos indicadores relevantes de atividade econômica e de preços, a começar pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) do mês de março, cuja mediana das previsões está em 1,24% para o mês. Haverá, também, o Índice de Preços ao Produtor do mês de fevereiro, que, embora não vá capturar totalmente o efeito da guerra russo-ucraniana, ajuda a mensurar a pressão de custos que os produtores enfrentam e que podem resultar em repasses ao consumidor final. Será digno de nota, também, a publicação das estatísticas do mercado de trabalho para o mês de fevereiro, com destaque para a taxa de desemprego e a renda média do trabalho, cuja expectativa é de queda para ambas. Por fim, o Banco Central atualizará estatísticas fiscais, do mercado aberto, monetárias e de crédito e do setor externo para o mês de fevereiro. Dada a movimentação recente da taxa de câmbio, as estatísticas do setor externo devem ser analisadas com maior detalhe a fim de verificar quais ativos estão sendo mais comprados pelos estrangeiros.

 

 
tabela de indicadores
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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.
 
  • Moedas

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