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Resumo Semanal de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Câmbio termina semana em alta,
cotado a R$ 4,712
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Real repercutiu expectativas de um aperto monetário rígido pelo Fed em 2022
 
 
fatores altistas
  • Invasão russa à Ucrânia segue causando turbulências e exacerbando a volatilidade nos mercados financeiros, fortalecendo o dólar no cenário internacional em função de seu papel como porto-seguro em momentos de incerteza;

  • Índice de Preços ao Consumidor (CPI) americano deve registrar maior inflação em 40 anos, consolidando as expectativas de que o Fed precisa agir agressivamente para debelar o processo inflacionário;

  • Falas públicas de autoridades do Federal Reserve podem provocar oscilações no mercado de moedas, em particular aquelas que defendem um aperto monetário mais agressivo a fim de controlar a inflação no país, o que elevaria a rentabilidade dos títulos denominados em dólar e atrairia investimentos para essa moeda.

 
fatores baixistas
  • Divulgação da balança comercial semanal deve reforçar o bom desempenho das exportações de produtos primários em função da escalada dos preços das commodities, o que pode atrair investimentos estrangeiros para o setor;

  • Após um mês de janeiro decepcionante, os dados de prestação de serviços e vendas do varejo podem surpreender em fevereiro e ajudar na valorização do real.

     

     

Após cinco semanas consecutivas de ganhos do real frente ao dólar, o par USDBRL apresentou uma semana de expressiva correção e encerrou a sexta-feira (08) em alta, negociado a R$ 4,712, avanço de 1,0% na semana, porém em queda de 1,1% no mês e de 15,5% no ano. A amplitude das operações ao longo da semana chama a atenção, com uma mínima de R$ 4,579 na terça-feira e uma máxima de R$ 4,793 na sexta. Já o dollar index terminou o pregão cotado a 99,8 pontos, seu maior valor desde maio de 2020, com variação de +1,2% na semana, +1,5% no mês e +4,4% no ano. O dólar negociado no mercado interbancário inverteu sua longa tendência de queda após a divulgação da ata de decisão de política monetária do Federal Reserve, que consolidou as expectativas de um rápido aperto monetário pela instituição nos próximos meses. Enquanto isso, a continuidade da guerra entre Rússia e Ucrânia mantém o ambiente de pessimismo e menor apetite por riscos nos exterior.
Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)
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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

Cenário Externo

A guerra entre Rússia e Ucrânia já completa seis semanas de existência, e ainda há pouca clareza sobre quais podem ser seus desfechos. As negociações por um possível cessar-fogo foram interrompidas após as cenas hediondas descobertas em Bucha, nos arredores de Kiyv, nesta semana. Os Estados Unidos e outras nações aliadas condenaram duramente o que chamaram de crime de guerra, além de implantarem novas rodadas de sanções contra Moscou, aumentando o isolamento geopolítico e econômico do país. A União Europeia proibiu a importação de carvão mineral, entre outros produtos, a exportação de materiais avançados e restringiu ainda mais a possibilidade de navios e bancos russos realizarem negócios com o bloco econômico. Nos Estados Unidos, o Congresso americano ratificou a proibição das importações de petróleo, gás natural e carvão mineral russos, bem como a exclusão de Rússia e Belarus do status de parceiro econômico preferencial, tornando a sanção uma lei. Dessa forma, os Estados Unidos podem aplicar tarifas econômicas diferenciadas sobre esses países.

Na próxima semana, os investidores aguardarão pela publicação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) do mês de março, que deve apresentar elevação por conta dos efeitos do conflito no leste europeu. Após um aumento de 0,6% em janeiro e de 0,8% em fevereiro, a mediana das estimativas dos analistas aponta para um aumento de 1,1% em março, o que traria o acumulado em 12 meses para 8,4% – seu maior valor desde dezembro de 1981. Outros dados de atividade produtiva para os EUA, como vendas para o varejo e produção industrial, devém revelar que o crescimento econômico permanece em ritmo saudável, enquanto o índice de preços deve se manter em aceleração por mais alguns meses.

Na semana passada, a da ata de decisão de política monetária de março foi considerada firme por analistas de mercado, por indicar a abertura dos membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) a um reajuste de juros de 0,50 ponto percentual já na reunião anterior e por definir um ritmo acelerado de redução dos ativos do balanço patrimonial do banco central estadunidense. Por essa razão, as atenções também devem continuar sobre as declarações públicas dos membros do Federal Reserve (Fed) à medida que analistas tentam aferir quantos reajustes de juros serão observados neste ano. Para a próxima semana, estão agendadas falas públicas de Raphael Bostic, Michelle Bowman, Charles Evans, Lael Brainard, Thomas Barkin, Loretta Mester e Patrick Harker.

Por fim, investidores também acompanharão notícias sobre o contágio de Covid-19 pela qual passa a China e as medidas de contenção que são implantadas. Nesta semana, as medidas de isolamento em Shanghai foram aprofundadas, visto que a abordagem em duas fases não surtiu o efeito desejado. O país asiático passa pela pior onda de Covid-19 e os maiores lockdowns desde que a nova doença foi descoberta, em fins de 2019, à medida que a altamente infecciosa variante ômicron eleva exponencialmente os custos econômicos, sociais e políticos da estratégia de “Covid zero” e colhe cada vez menos benefícios. Shanghai permanece em confinamento sem prazo para término, sobrecarregando a cadeia logística do polo industrial do país e local do maior terminal portuário do mundo. Embora o porto se mantenha em operação parcial, as empresas e os galpões de carga foram obrigados a fechar durante o confinamento, provocando atrasos e prejudicando as operações portuárias. As novas cepas do coronavírus desafiam a praticidade de isolar metrópoles inteiras por semanas a fio, repetidamente, a um enorme desgaste político e econômico.

Cenário Doméstico

Esta semana, a consolidação das expectativas de um rigoroso aperto monetário pelos Estados Unidos em poucos meses em um cenário de incerteza e volatilidade exacerbadas – principalmente pelo conflito entre Rússia e Ucrânia, mas, em menor medida, pela possibilidade de vitória da extrema-direita nas eleições presidenciais francesas –, provocou fortes ganhos do dólar diante de outras divisas. O dollar index atingiu 100 pontos pela primeira vez em quase dois anos, e o real, que vinha de cinco semanas consecutivas de valorização frente à divisa americana, recuou.
Os fatores que impulsionaram a apreciação da moeda brasileira nas últimas semanas não se alteraram fundamentalmente. O diferencial de taxa de juros brasileiro com outras nações ainda é bastante elevado, e a divulgação de hoje do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de março acima das estimativas – 1,62% contra 1,30% –, reforçou que a aceleração de preços ainda deve demorar a arrefecer e que, provavelmente, o Banco Central do Brasil (BC) ainda deva ser bastante contundente em seus próximos reajustes de juros. Hoje, a taxa real de juros – diferença entre a taxa nominal de juros menos a inflação – no Brasil só é menor que a da Rússia, país que enfrenta dificuldades em atrair investidores estrangeiros. Este amplo diferencial de juros brasileiro auxilia a atrair investidores que buscam estratégias de “carry trade” – tomar financiamento em um país de juro baixo para aplicar em um país de juro elevado.
Além disso, a continuidade da guerra entre Rússia e Ucrânia e o fracasso de mais uma tentativa de encerrar o conflito por vias diplomáticas mantém a pressão sobre os preços das commodities alimentícias, metálicas e energéticas. Hoje, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) afirmou que o Índice de Preços de Alimentos, que acompanha as variações nos preços internacionais de uma cesta de commodities agrícolas, subiu para 159,3 pontos em março, uma alta de 12,6% em relação a fevereiro. Este é o maior patamar desde a criação do indicador, em 1990, e a maior alta mensal desde 2008. Desde o fim de janeiro, a tendência geral de elevação dos preços das commodities beneficiou o valor das exportações brasileiras e aumenta a entrada de divisas pela conta comercial graças à diversificada capacidade exportadora de produtos primários do país. Além disso, havia um aguçado apetite estrangeiro por ativos brasileiros em função da baixa exposição, em termos relativos, aos riscos que o conflito russo-ucraniano oferece e ao baixo preço dos ativos brasileiros em termos de moeda estrangeira. Será extremamente importante observar se o movimento de fluxos cambiais na próxima semana favorecerá os fatores que contribuem com a queda da taxa de câmbio, ou com sua alta.
Por fim, é importante notar que a greve de servidores no Banco Central dificulta significativamente a leitura da conjuntura macroeconômica e cambial do país. Realizando manifestações e paralisações desde fevereiro, esses servidores interromperam seus trabalhos após não receber nenhuma proposta do governo em meses. Desde a última semana de março, o BC já deixou de publicar estatísticas fiscais, monetárias e de crédito, do setor externo, dados semanais de fluxo cambial, índices de commodities e até o boletim Focus. O vácuo de informações agrava a capacidade de interpretação dos movimentos econômicos em tempo real.

 

 

 
tabela de indicadores
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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.
 
  • Moedas

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