
Abertura de Câmbio
Câmbio deve refletir ata do Copom e IPCA

- Moedas
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By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil
Invasão russa à Ucrânia prossegue em sua décima semana, causando turbulências e exacerbando a volatilidade nos mercados financeiros, o que fortalece o dólar no cenário internacional em função de seu papel como porto-seguro em momentos de incerteza;
Falas públicas de autoridades do Federal Reserve podem provocar oscilações no mercado de moedas, em particular aquelas que defendem um aperto monetário mais agressivo a fim de controlar a inflação no país, o que elevaria a rentabilidade dos títulos denominados em dólar e atrairia investimentos para essa moeda;
Crise entre os Poderes da República e aumento dos gastos públicos elevam a percepção de riscos fiscais e políticos associados ao brasil, o que pode resultar em maiores exigências de prêmio de risco por parte dos investidores, dificultando a entrada de recursos estrangeiros no país e desvalorizando a taxa de câmbio;
Insistência da China com políticas de tolerância zero contra a Covid-19 ameaçam tanto piorar o suprimento de cadeias logísticas como desacelerar o crescimento econômico globais, o que poderia afetar negativamente as exportações brasileiras para seu principal parceiro comercial.
Possibilidade de novas sanções ao petróleo russo pela União Europeia pode provocar novas altas nos preços internacionais de commodities, o que, indiretamente, beneficia as exportações brasileiras de produtos básicos e ajuda a atrair investimentos para o setor;
Ata da decisão de política monetária do Copom pode reforçar o compromisso do Banco Central com a estabilização de preços e auxiliar a atrair investimentos para o mercado de títulos brasileiros;
Divulgação do IPCA acima de 12,0% na quarta-feira pode elevar as expectativas de novas elevações para a taxa básica de juros (Selic), o que pode fortalecer o real.

Cenário Externo
O foco da próxima semana estará nas falas públicas das autoridades do Federal Reserve, após uma semana de extrema volatilidade nos mercados financeiros causada por receios de menor crescimento econômico e maior inflação ao longo dos próximos dois anos e pelas declarações do presidente da instituição, Jerome Powell. Em que pese os comentários de Powell de que o Fed não estaria “ativamente considerando” uma alta agressiva de 0,75 ponto percentual aos juros americanos, quase 90% das apostas do mercado de juros futuros desta semana foram, justamente, de um aumento de 0,75 p.p. na reunião de junho. Esse “voto de não-confiança” do mercado é extraordinário tanto pela raridade de um reajuste dessa magnitude (o último aumento de 0,75 p.p. foi em 1994) como pelo desafio implícito à capacidade de manobra do Fed. Por isso, os membros do banco central a falar publicamente na próxima semana devem se concentrar em realinhar a mensagem da instituição e aparar possíveis falhas de comunicação, seja quanto à possibilidade de reajustes mais agressivos de juros e a contração das condições financeiras, quanto à urgência no combate à inflação ou quanto à preocupação com a estabilidade dos mercados. Estão programados para se pronunciarem na próxima semana o presidente do Fed de New York, John Williams, o membro do Conselho de Governadores Christopher Waller, o presidente do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari, a presidenta do Fed de Cleveland, Loretta Mester, o presidente do Fed de Atlanta, Raphael Bostic, e a presidenta do Fed de San Francisco, Mary Daly.
Na quarta-feira (11), será divulgado o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos Estados Unidos, cuja mediana das expectativas aponta para um aumento de apenas 0,2% no mês, em função do recuo relativo dos preços de petróleo ao longo do mês de abril. Dessa forma, o acumulado em 12 meses cairia de 8,5% para 8,1%. O núcleo de preços deve permanecer alto e a pressão sobre a autoridade monetária, elevada.
O conflito entre Rússia e Ucrânia avançou para sua décima semana. Ao contrário das semanas anteriores, nesta semana houve um pequeno avanço territorial para ambas as partes: os russos ganharam território no “caldeirão” formado por Izyum, Sloviansk, Popasna e Rubijne, em Donbas, no leste ucraniano; enquanto Kiyv recuperou parte de territórios ao norte, próximos a Kharviv. É digno de nota, também, sabotagens e explosões no território da Transnístria, o que causou receios de que a Rússia possa tentar estender seu domínio territorial no sul até a vizinha Moldova. De toda forma, continua uma dinâmica geral de guerra de atrito, com pouco avanço territorial, e com foco na contenção dos ressuprimentos das tropas adversárias. A próxima segunda marca um feriado importante na Rússia, o Dia da Vitória, e Putin provavelmente se utilizará da data para comemorar marcos atingidos até aqui na invasão do país vizinho. Também há um risco de que novas ameaças, sanções ou expansão dos objetivos da guerra sejam declarados nessa data para energizar a população russa.
No plano diplomático, a Suécia e a Finlândia avançaram com suas propostas de se tornarem parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) até o fim do verão europeu, em setembro. Além disso, diplomatas da União Europeia debatem desde quarta-feira passada a expansão das sanções à Rússia que incluem a proibição da importação de petróleo russo por todos os seus países membros. Seriam vetadas as importações de óleo bruto em até seis meses e de derivados em até um ano, seja por comércio marítimo ou por oleodutos. Além disso, navios de bandeira europeia seriam vetados de transportar petróleo russo para qualquer parte do planeta. Em adição às interdições ao petróleo, a proposta em debate amplia a exclusão de bancos russos com acesso ao sistema internacional de pagamentos SWIFT, adicionando mais três bancos – dentre eles o Sberbank, maior banco do país – aos sete já banidos. Para efetivação, as medidas necessitam do apoio de todos os 27 países membros do bloco econômico.
Por fim, é importante destacar que a China vem reafirmando suas práticas de tolerância zero contra a Covid-19 e buscando eliminar críticas internas à estratégia. Nesta sexta, o Politburo do Partido Comunista Chinês divulgou na televisão estatal chinesa informar que as autoridades irão combater quaisquer comentários e ações que distorçam, coloquem em dúvida ou neguem a resposta do país ao coronavírus. Os custos econômicos e sociais se acumulam para o país, que busca eliminar a altamente contagiosa variante ômicron do coronavírus sob pena de um sacrifício coletivo extremamente pesado. Apesar de restrições terem sido diminuídas em Hong Kong e, em menor grau, em Xangai, a capital chinesa caminha passo a passo em direção a um confinamento rígido, de medida temporária em medida temporária. Uma análise feita pelo banco Nomura estimou que 43 cidades chinesas se encontram em confinamento parcial ou total em 03 de maio, afetando um total de 327 milhões de pessoas, incluindo o isolamento de mais de um mês de Xangai. As cadeias globais de suprimentos, assim como a produção e a demanda interna, são profundamente afetadas por esses confinamentos e ameaçam, ao mesmo tempo, reduzir o crescimento potencial e agravar a aceleração de preços mundiais.
Cenário Doméstico
O foco da próxima semana no cenário doméstico será a ata da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), em que investidores buscarão mais detalhes sobre as visões do Banco Central (BC) para a execução da política monetária em 2022. Em comunicado divulgado nesta semana. O Copom sinalizou que “antevê como provável uma extensão do ciclo com um ajuste de menor magnitude” para a próxima reunião – no singular. Contudo, o mercado de juros futuro apostou, durante a semana, em mais duas altas, uma de 0,50 p.p. em junho e outra de 0,25p.p. em agosto. De toda forma, as expectativas dos agentes para as taxas de inflação neste ano se mantêm em elevação, e espera-se mais informações sobre como o BC reagirá a novos aumentos do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Na quarta-feira (11), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgará o IPCA de abril, e a mediana das estimativas de mercado apontam para uma alta de 0,94% no mês – o que traria o acumulado em 12 meses para 12,0%. Crescem as estimativas no mercado financeiro de que o indicador encerrará dezembro em dois dígitos pelo segundo ano consecutivo. Durante a semana, também, serão publicadas as vendas do varejo e o volume de serviços do mês de março, dados importantes para moldar expectativas para o Produto Interno Bruto deste ano.
A política de reajuste de preços da Petrobras também deve ser objeto de atenção dos investidores. Sem reajustar o preço de derivados de petróleo desde 11 de março – há 57 dias –, há uma expectativa crescente de que um novo reajuste seja anunciado em breve. Em meio a essa perspectiva, na noite de quinta-feira, o presidente da República, Jair Bolsonaro, abominou os lucros da Petrobras e urgiu a empresa, aos berros, a interromper seus aumentos nos preços de combustíveis sob o risco do Brasil “quebrar”. “Petrobras, estamos em guerra. Petrobras, não aumente mais o preço dos combustíveis. O lucro de vocês é um estupro, é um absurdo (...) Se continuar tendo lucro dessa forma, aumentando o preço do combustível, vai quebrar o país... se tiver mais um aumento de combustível, pode quebrar o Brasil. E o pessoal da Petrobras não entende ou não quer entender, ou só estão de olho no lucro”, argumentou o presidente. As críticas de Bolsonaro vieram após as divulgações de resultados trimestrais da companhia, em que estatal divulgou um lucro líquido de R$44,56 bilhões e aprovou o pagamento de R$ 48,5 bilhões em dividendos – a maior parte vai para a União. Bolsonaro fez apelos nominais ao presidente da Petrobras, José Mauro Coelho, e ao ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, além de mencionar os acionistas e os membros do conselho da empresa nas críticas.
Por fim, é digno de nota que o Congresso Nacional tenta se mobilizar para suspender reajustes de energia elétrica aplicados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Nesta semana, após a Agência aprovar um reajuste de 25% na tarifa cobrada pela Enel Ceará, a Câmara dos Deputados aprovou na um requerimento de urgência para um projeto de decreto legislativo (PDL) que prevê suspender o reajuste aprovado. Há deputados propondo, também, a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a necessidade de tal reajuste. Enquanto o governo busca controlar a rebelião de congressistas e, de maneira dúbia, afirma que busca outras formas de reduzir as tarifas de energia, o Fórum das Associações do Setor Elétrico (FASE), que congrega 27 associações, divulgou carta aberta em que declara ser “incompreensível e temerária" qualquer medida que vise a sustar os efeitos dos reajustes previstos em lei e em contratos de concessão celebrados com a União.

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