
Fechamento de Câmbio
Real recua com queda dos preços do petróleo e temor de novas sanções americanas

- Moedas
O Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities já está disponível gratuitamente. Faça seu download. →
By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil
Invasão russa à Ucrânia prossegue em sua décima primeira semana, causando turbulências e exacerbando a volatilidade nos mercados financeiros, o que fortalece o dólar no cenário internacional em função de seu papel como porto-seguro em momentos de incerteza;
Falas públicas de autoridades do Federal Reserve podem provocar oscilações no mercado de moedas, em particular aquelas que defendem um aperto monetário mais agressivo a fim de controlar a inflação no país, o que elevaria a rentabilidade dos títulos denominados em dólar e atrairia investimentos para essa moeda;
Crise entre os Poderes da República e aumento dos gastos públicos elevam a percepção de riscos fiscais e políticos associados ao brasil, o que pode resultar em maiores exigências de prêmio de risco por parte dos investidores, dificultando a entrada de recursos estrangeiros no país e desvalorizando a taxa de câmbio;
Insistência da China com políticas de tolerância zero contra a Covid-19 ameaçam tanto piorar o suprimento de cadeias logísticas como desacelerar o crescimento econômico globais, o que poderia afetar negativamente as exportações brasileiras para seu principal parceiro comercial.
Possibilidade de retaliações russas ao fornecimento de gás natural para a Europa pode provocar novas altas nos preços internacionais de commodities, o que, indiretamente, beneficia as exportações brasileiras de produtos básicos e ajuda a atrair investimentos para o setor;
Expectativa de uma alta de preços persistente e disseminada no Brasil pode aumentar as expectativas de um ciclo de aumento de juros maior e mais longo pelo Banco Central, ajudando a atrair investimentos estrangeiros e que poderia fortalecer o real.

Cenário Externo
Na próxima semana, o foco deve se manter nas falas públicas das autoridades do Federal Reserve (Fed), após uma semana de muito pessimismo e aversão ao risco pelos investidores, que receiam que a aceleração de preços nos Estados Unidos está tão alta, disseminada e persistente que não será possível contê-la sem elevações muito intensas de juros por parte da autoridade monetária. Os dados de preços ao consumidor desta semana revelaram que as pressões de custo ainda possuem muita força, e o debate entre as autoridades é cada vez mais sobre o ritmo de reajustes de juros e qual deve ser a taxa ao final desse processo (nível terminal). Esse aperto agressivo das condições monetárias aumenta as chances de ocorrer uma recessão econômica, e, cada vez mais, esse é um risco que o banco central americano parece disposto a correr. Estão programados para se pronunciarem na próxima semana o presidente do Fed de New York, John Williams, o presidente do Fed de St. Louis, James Bullard, a presidenta do Fed de Cleveland, Loretta Mester, o presidente do Fed de Philadelphia, Patrick Harker e o presidente do Fed de Chicago, Charles Evans.

Na terça-feira (17), o Departamento do Censo americano divulgará o volume de vendas para o varejo no mês de abril, que devem permitir uma leitura mais atualizada sobre a saúde da demanda dos consumidores e possíveis indícios de alguma desaceleração da expansão econômica. Embora seja cedo para imaginar uma retração do consumo, em algum ponto surgirão os primeiros sinais.
Na guerra entre Rússia e Ucrânia, o foco na próxima semana deve ser fora da zona de conflito, após a Suécia e a Finlândia abandonarem décadas de neutralidade militar e solicitarem sua entrada “o mais rápido possível” na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Embora sejam nações soberanas, a medida seguramente irritará Moscou e provocará uma redistribuição de bases, armamentos e tropas no extremo norte da Europa, tanto pelo lado russo quanto pelos países escandinavos. O temor é de que o Kremlin utilize o movimento como pretexto para uma retaliação econômica, tal como uma redução no suprimento de gás natural aos países europeus, altamente dependentes da importação do insumo russo. No front de batalha, o conflito avançará para sua décima primeira semana com as mesmas características fundamentais – muita artilharia, pouco ganho territorial para ambos os lados.
Por fim, é digno de nota que uma análise feita pelo banco Nomura em 10 de maio estimou que 41 cidades chinesas se encontram em confinamento parcial ou total, afetando um total de 289 milhões de pessoas. Isso corresponde a, aproximadamente, 25% da população chinesa e 30% do Produto Interno Bruto chinês. As autoridades de Xangai, principal centro financeiro do país e residência de cerca de 25 milhões de pessoas, estenderam até o final de maio as medidas de confinamento impostas sobre a cidade a fim de zerar o número de novos casos da doença, embora alguns distritos já contem com liberações parciais. As restrições à mobilidade e o encaminhamento compulsório de pessoas que possam ter tido contato com casos confirmados da doença a centros de quarentena têm pesado de maneira considerável sobre a atividade econômica e consumo das famílias do país neste primeiro semestre. A capital, Pequim, também tem mantido parcialmente seus cidadãos em confinamento, suspendendo os serviços de alimentação, academias e entretenimento, assim como rotas de ônibus e parte da malha metroviária.
Cenário Doméstico
A próxima semana deve ser vazia de indicadores, por conta da continuidade da greve dos servidores do Banco Central (BC). Nesta semana, o BC primeiro enviou uma proposta de reajuste salarial para a categoria, apenas para rescindi-la horas depois. A proposta de Medida Provisória enviada ao Ministério da Economia propunha reajuste salarial de 22% aos servidores da autarquia a partir de junho de 2022, bem como a reestruturação de carreira, criação de bônus por produtividade institucional e de taxa de supervisão. Contudo, os sindicatos dos servidores, técnicos e analistas afirmou que não foi consultado previamente sobre a proposta e criticou o rompimento da proporção de 60% no patamar entre técnicos e analistas. A autarquia afirmou ter detectado “inconsistências” no texto, sem especificar quais seriam, e pediu sua retirada do sistema. Assim, os funcionários permanecem em greve e diversas estatísticas seguem sem atualização, como estatísticas fiscais, monetárias e de crédito, do setor externo, dados semanais de fluxo cambial, índices de commodities e até o boletim Focus. O vácuo de informações agrava a capacidade de interpretação dos movimentos econômicos em tempo real.
Já o noticiário político deve permanecer em foco. Nesta semana, o governo Bolsonaro exonerou Bento Albuquerque do cargo de ministro de Minas e Energia e nomeou Adolfo Sachsida para o cargo. Segundo reportagens de imprensa, Albuquerque teria sido surpreendido com a exoneração. Como um de seus primeiros atos, Sachsida solicitou formalmente estudos de privatização para a Petrobras e a Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) para a Secretaria Especial de Parcerias de Investimentos (PPI), no Ministério da Economia. A troca de posições ocorre após mais uma sequência de críticas do presidente da República à política de paridade de preços internacionais da Petrobras, estatal que também já sofreu duas trocas de presidentes sob o atual governo. Na segunda-feira, a Petrobras anunciou um reajuste de 8,87% do preço médio do diesel em suas refinarias, apesar de na semana passada Bolsonaro ter apelado diretamente a Albuquerque e ao presidente da estatal, José Mauro Coelho, para que não houvesse novos aumentos sob o risco de uma "convulsão" no país. Entretanto, a empresa se mantém fiel ao posicionamento de alinhar seus preços aos valores do petróleo internacionalmente, bem como às flutuações cambiais que possam afetar os custos dos combustíveis internamente.
Por fim, é digno de nota que, nas últimas semanas, os atritos entre os Poderes da República se intensificaram, mais especificamente os ataques do Executivo, de parte do Legislativo e das Forças Armadas ao processo eleitoral e ao Tribunal Superior Eleitoral. Observou-se uma troca de ofícios, notas públicas e declarações ríspidas, de forma bastante atípica para qualquer pleito desde a redemocratização. Nos últimos oito meses, as Forças Armadas enviaram 88 questionamentos ao TSE sobre supostos riscos, vulnerabilidades e fragilidades do processo eleitoral brasileiro, o que alguns analistas acreditam que tem por objetivo legitimar desconfianças sobre as eleições nacionais e sobre a própria corte. Em todos os casos, a Justiça Eleitoral afirma que os questionamentos se baseiam em premissas equivocadas, nega de forma assertiva os questionamentos ou afirma que as sugestões já estão em prática.
A troca repentina de ministros e, principalmente, os atritos entre Poderes da República podem elevar a percepção de risco político no Brasil, o que, em tese, pode elevar a exigência de prêmio de risco pelos investidores e afastar investimentos estrangeiros do país, desvalorizando a moeda brasileira.

Este documento contém opiniões do autor e não necessariamente reflete as estratégias da StoneX. As previsões de mercado são especulativas e podem variar. O investidor é responsável por qualquer decisão baseada neste material. A StoneX só negocia com clientes que atendem aos critérios legais. O aviso legal completo está em https://www.stonex.com/pt-br/termos-e-condicoes/.
É proibida a cópia ou redistribuição deste material sem permissão da StoneX.
© 2026 StoneX Group, Inc.
Nossos assinantes têm acesso às análises de mercado da StoneX, abrangendo commodities, ações, moedas e muito mais.

Real recua com queda dos preços do petróleo e temor de novas sanções americanas


Câmbio deve refletir dados para mercado de trabalho americano


Real ronda a estabilidade em dia sem direção clara

Utilizamos nosso capital, conhecimento e profunda experiência para proteger as margens de nossos clientes, reduzir custos e fornecer soluções personalizadas para obter sucesso nos mercados globais competitivos de hoje.
Confiança
Valorizamos relacionamentos próximos e de longo prazo com nossos clientes. Ao oferecer o melhor serviço e suporte tecnológico, nossos clientes confiam em nós para entrar nos mercados mais desafiadores e atender aos seus pedidos mais difíceis.
Transparência
Oferecemos preços competitivos e transparentes, além de entrega garantida e segura em mais de 140 moedas em mais de 185 países.
Especialização
Com insights e informações de todo o mundo, fornecemos aos nossos clientes notícias, dados e comentários agregados de todas as vertentes de nossos mercados, desde interconexões de complexos de commodities até fluxos globais de capital.