
Fechamento de Câmbio
Real fecha praticamente estável em dia sem guia

- Moedas
O Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities já está disponível gratuitamente. Faça seu download. →
By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil
Divulgação do CPI de maio para os Estados Unidos deve manter a urgência do Federal Reserve em combater a aceleração de preços no país através de um rápido e significativo processo de aumento de juros, o que elevaria a rentabilidade dos títulos denominados em dólar e atrairia investimentos para essa moeda.
Busca do governo Bolsonaro para melhorar sua popularidade através de improvisações na política de preços de combustíveis pode elevar a percepção de riscos fiscais e políticos associados ao brasil, o que resulta em maiores exigências de prêmio de risco por parte dos investidores, dificultando a entrada de recursos estrangeiros no país e desvalorizando a taxa de câmbio.
Falas públicas de autoridades do BCE em defesa de um aperto monetário na Europa a fim de combater a aceleração inflacionária no continente podem atrair investimentos para o euro e fortalecer essa moeda.
Divulgação do IPCA de maio para o Brasil deve mostrar uma inflação acima de abril e com alto grau de disseminação, o que deve influenciar o Banco Central a continuar aumentando os juros Selic para além de junho. Isto aumentaria a rentabilidade de títulos denominados em real e poderia atrair investimentos para o Brasil.
Melhora progressiva da disseminação de Covid-19 na China permite uma redução progressiva de isolamentos em efeito há semanas, aumento a expectativa de recuperação na produção, nas cadeias logísticas e na retomada da demanda chinesa, o que poderia afetar positivamente as exportações brasileiras para seu principal parceiro comercial.

Cenário Externo
A próxima semana será vazia de indicadores. O foco das atenções deve ser a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos Estados Unidos para o mês de maio. A mediana das estimativas de analistas aponta para uma alta mensal de 0,5%, o que manteria o aumento acumulado em 12 meses em 8,3%. Nesta semana, os dados do mercado de trabalho para o mês de abril ultrapassaram as expectativas de investidores e revelaram que o mercado de trabalho, e, portanto, a atividade econômica, continuam vigorosamente aquecidos no país. Dessa forma, os preços aos consumidores também devem se manter em nível elevado e disseminados pela economia, com um crescimento do “núcleo” do indicador (que exclui as voláteis categorias de alimentos e energia) também de 0,5%. Tais leituras devem corroborar que o Federal Reserve (Fed) precisará atuar de maneira rígida e veloz em seu aperto monetário para tentar frear as taxas de inflação no país, o que, por sua vez, deve exacerbar receios de uma possível recessão econômica nos próximos 12 meses.
Será importante acompanhar, também, o comunicado de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), bem como declarações públicas de representantes da autoridade monetária europeia. Em tempos recentes, ainda que o Fed já tenha iniciado sua política de aumento de juros desde março, o BCE havia comentado publicamente sobre continuar apoiando o crescimento econômico do bloco e evitar um aperto monetário, em função de um diagnóstico de que a inflação recente estava relacionada a distúrbios de oferta e de que a guerra entre Rússia e Ucrânia trazia bastante instabilidade para a economia local. Entretanto, dois meses seguidos de aceleração de preços ao consumidor muito acima do esperado – o CPI da União Europeia atingiu 8,1% em maio – provocou uma mudança de postura, e a presidenta do BCE, Christine Lagarde, declarou que devemos ver a região com taxas de juros “positivas” até o fim do terceiro trimestre (setembro). Como, hoje, a taxa de juros de referência está em -0,50% ao ano, isto implica em, no mínimo, reajustes na magnitude de 0,50 p.p. nas reuniões de julho e agosto. Em junho termina um programa de incentivo através da compra de ativos, e poucos apostam em qualquer reajuste neste momento. Desta forma, a decisão e as comunicações serão muito importantes para se mapear qual trajetória monetária o Banco Central do bloco de moeda única pensa em aplicar ao longo de 2022.
Por fim, é digno de nota que a guerra entre Rússia e Ucrânia atingiu seu 100º dia em um novo ritmo. Embora suas notícias não movam mais tanto os mercados, a oferta de commodities continua bastante restringida pelo contexto do conflito. Nesta semana, os Estados Unidos anunciaram um novo pacote de ajuda militar à Ucrânia que contém mísseis de precisão de curta distância (M142 HIMARS), com alcance de até 80 km. O Secretário de Estado americano, Anthony Blinken, afirmou que os ucranianos se comprometeram a não utilizar o armamento em alvos dentro da Rússia, mas Moscou reagiu com um comunicado condenando a decisão, afirmando que ela arrisca a “arrastar um terceiro país” para o conflito e realizando exercícios com armamentos nucleares em Ivanovo, a nordeste de Moscou. No exercício, utilizaram-se mísseis balísticos intercontinentais RS-24 Yars, com capacidade de alcance de até 12.000 km. No front de batalha, as tropas russas fazem um árduo avanço pela província de Luhansk, concentrando artilharia terrestre, mísseis e bombardeios aéreos na região. Nos próximos dias, é provável que conquistem a cidade de Severodonetsk, o que permitiria o controle quase que completo de Luhansk. Porém o avanço para Donetsk deve ser mais trabalhoso em função do desgaste destas últimas batalhas e do rio Siverskyi Donets que separa as regiões, o que deverá exigir, segundo analistas militares, um novo reagrupamento.
Cenário Doméstico
O foco da próxima semana deve ser a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para o mês de maio pelo Instituto Brasileiro de Geografia. O indicador utilizado pelo Banco Central para acompanhar os preços ao consumidor continua se acelerando mês a mês, e já acumula alta de 12,2% em 12 meses. Pior, seu índice de difusão (isto é, quantas mercadorias da cesta total tiveram aumento de preços no mês) em abril foi de 78,25%, seu nível mais alto desde janeiro de 2003. Em falas há algumas semanas, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, havia indicado que desejava que o aumento da taxa Selic em junho fosse o último do atual ciclo de aperto monetário. Contudo, é difícil imaginar a autoridade monetária encerrando seus reajustes enquanto o IPCA estiver se acelerando. Dessa forma, a leitura da inflação dos próximos meses será muito importante para avaliar a possível trajetória da política monetária no país.

Será importante observar, também, propostas que podem aumentar a percepção de risco fiscal associado ao Brasil. Durante a semana, diversas reportagens noticiaram a busca por soluções do governo de Jair Bolsonaro que traga alívio de curto prazo para a inflação, especialmente o preço dos combustíveis. Esta semana, o senador Fernando Bezerra (MDB-PE), relator no Senado do projeto de lei que fixa um teto sobre o imposto sobre a circulação de mercadorias e serviços (ICMS) de combustíveis e energia elétrica, afirmou que a proposta pode ser votada já na próxima terça ou quarta-feira (07 ou 08 de junho). Semana passada, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto que classifica como “setores essenciais e indispensáveis” combustíveis, gás natural, energia elétrica, comunicações e transporte coletivo, limitando a alíquota do ICMS – um tributo estadual – a um máximo de 17%. O texto também estabelece que haverá até 31 de dezembro deste ano uma compensação paga pelo governo federal aos Estados pela perda de arrecadação, por meio de descontos em parcelas de dívidas refinanciadas pelos entes juntos à União. Há forte resistência de governadores, que protestam por ter sua arrecadação reduzida e afirmam ser inconstitucional a lei, visto que, pela Constituição, caberia aos Estados a definição de quais bens e serviços são essenciais e quais são supérfluos. Vale lembrar, também, que o Congresso já havia aprovado outro projeto de lei que alterava a alíquota de ICMS sobre combustíveis, desta vez para valores fixos, em março deste ano.
Nesta semana, também, o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, afirmou em entrevista que o governo federal pode vir a decretar estado de calamidade pública a “depender da situação do país” em função dos preços de combustíveis, sem especificar qual situação seria essa. O estado de calamidade pública autorizaria o Executivo a evadir as proibições impostas pela legislação eleitoral e pelo “teto” de gastos (limite constitucional de despesas) para poder, por exemplo, oferecer subsídios aos combustíveis e energia elétrica ou aumentar o valor dos benefícios do Auxílio Brasil. Entretanto, a Lei de Responsabilidade Fiscal impede reajuste salariais ou a contratação de novos funcionários durante a vigência de um estado de calamidade.
Hoje (03), reportagens davam conta de que a equipe econômica do Palácio do Planalto estudava até a possibilidade de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que permita ao governo ultrapassar o teto de gastos com medidas de redução sobre os preços dos combustíveis, aos moldes da PEC emergencial da Covid-19, que permitiu o financiamento do auxílio emergencial durante a pandemia.
Além disso, na quarta-feira, o presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), modificou mais uma vez sua proposta para um possível aumento ao funcionalismo público, recuando na promessa de um reajuste linear de 5% a todos os servidores e solicitando uma avaliação aos técnicos do Executivo para um aumento de R$ 600 no vale-alimentação desses funcionários. Desde novembro do ano passado, o presidente oscila entre promessas de um reajuste linear a todo funcionalismo federal, a somente os servidores da segurança federal, ou a ninguém.
As constantes improvisações e alterações no Orçamento de 2022 que representam aumento de gastos ou redução de arrecadação fiscal, a pressão para intervenção nos preços de combustíveis e os riscos de uma eventual falta de óleo diesel podem elevar a percepção de risco fiscal associado ao Brasil, elevando a exigência de prêmio de risco por parte dos investidores, o que, por sua vez, poderia reduzir o fluxo de capital estrangeiro ao país e enfraquecer o real.

Este documento contém opiniões do autor e não necessariamente reflete as estratégias da StoneX. As previsões de mercado são especulativas e podem variar. O investidor é responsável por qualquer decisão baseada neste material. A StoneX só negocia com clientes que atendem aos critérios legais. O aviso legal completo está em https://www.stonex.com/pt-br/termos-e-condicoes/.
É proibida a cópia ou redistribuição deste material sem permissão da StoneX.
© 2026 StoneX Group, Inc.
Nossos assinantes têm acesso às análises de mercado da StoneX, abrangendo commodities, ações, moedas e muito mais.

Real fecha praticamente estável em dia sem guia


Câmbio deve refletir inflação ao produtor nos EUA e riscos eleitorais no Brasil


Real se enfraquece com extensão da percepção de riscos eleitorais

Utilizamos nosso capital, conhecimento e profunda experiência para proteger as margens de nossos clientes, reduzir custos e fornecer soluções personalizadas para obter sucesso nos mercados globais competitivos de hoje.
Confiança
Valorizamos relacionamentos próximos e de longo prazo com nossos clientes. Ao oferecer o melhor serviço e suporte tecnológico, nossos clientes confiam em nós para entrar nos mercados mais desafiadores e atender aos seus pedidos mais difíceis.
Transparência
Oferecemos preços competitivos e transparentes, além de entrega garantida e segura em mais de 140 moedas em mais de 185 países.
Especialização
Com insights e informações de todo o mundo, fornecemos aos nossos clientes notícias, dados e comentários agregados de todas as vertentes de nossos mercados, desde interconexões de complexos de commodities até fluxos globais de capital.