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Resumo Semanal de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Câmbio termina a semana em alta,
cotado logo abaixo de R$ 5,00
 
Leonel Oliveira Mattos
Leonardo Rossetti
Vitor Andrioli
Semana foi marcada por receios de aperto monetário nos EUA
e temores com risco fiscal no Brasil
fatores altistas
  • Elevação da taxa de juros pelo FOMC, juntamente com a atualização das projeções econômicas, deve reforçar as expectativas de um rápido e significativo processo de aumento de juros nos Estados Unidos, o que elevaria a rentabilidade dos títulos denominados em dólar e atrairia investimentos para essa moeda.

  • Busca do governo Bolsonaro para melhorar sua popularidade através de projetos que aumentam gastos, reduzem a arrecadação e não respeitam o teto de gastos podem elevar a percepção de riscos fiscais e políticos associados ao brasil, o que resulta em maiores exigências de prêmio de risco por parte dos investidores, dificultando a entrada de recursos estrangeiros no país e desvalorizando a taxa de câmbio.

  • Falas públicas de autoridades do BCE em defesa de um aperto monetário na Europa a fim de combater a aceleração inflacionária no continente podem atrair investimentos para o euro e fortalecer essa moeda.

fatores baixistas
  • •    Aumento da taxa básica de juros (Selic) deve manter o diferencial de taxa de juros brasileiro elevado frente a outras economias avançadas e emergentes, atraindo investimentos financeiros para o Brasil e contribuindo para uma valorização do real.

  • Melhora progressiva da disseminação de Covid-19 na China permite uma redução progressiva de isolamentos em efeito há semanas, aumento a expectativa de recuperação na produção, nas cadeias logísticas e na retomada da demanda chinesa, o que poderia afetar positivamente as exportações brasileiras para seu principal parceiro comercial.

     

O dólar negociado no mercado interbancário encerrou a sessão desta sexta-feira (10) em firme alta, porém se manteve abaixo da marca psicológica de R$ 5,00 cotado a R$ 4,989. Isto representa uma alta de 4,4% na semana, 4,9% no mês, mas ainda uma queda de 10,5% no ano. Já o dollar index fechou a semana cotado a 104,2 pontos, variação de +2,0% na semana, +2,4% no mês e +9,0% no ano. A semana foi marcada pela forte valorização da moeda americana, em função das expectativas de que o Federal Reserve (Fed) precisará realizar um aperto monetário bastante vigoroso para conter uma aceleração inflacionária que não perde ritmo, e pela desvalorização do real, em função das propostas do governo de Jair Bolsonaro subsidiar o preço de combustíveis através da redução de impostos federais e estaduais, os quais seriam financiados por meio de recursos não contabilizados no limite constitucional de despesas.
Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)
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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

Cenário Externo

O foco das atenções na próxima semana será a decisão de política monetária do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve, e suas sinalizações para a reunião de setembro. Na ata da última reunião, o FOMC indicou que pretende elevar as taxas referenciais de juros (fed funds rate) em 0,50 p.p. em julho e em julho. Contudo, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) do mês de maio surpreendeu analistas e atingiu novamente o maior patamar desde dezembro de 1981, possivelmente coagindo a autoridade monetária a atuar de forma mais veloz e rígida em sua contração das condições financeiras. Os investidores estarão focados, também, na atualização das projeções econômicas pelo FOMC, que fornecerá mais detalhes sobre as expectativas de seus membros a respeito do crescimento, da inflação e do nível de juros esperado para 2022, 2023 e 2024. A maior parte dos analistas acredita que essas projeções devem mostrar uma trajetória elevação da inflação e de redução da atividade econômica no curto prazo, bem como uma antecipação dos reajustes de juros, buscando atingir uma “taxa neutra” o mais rápido possível. A entrevista coletiva do presidente do Fed também será muito acompanhada na busca por maiores informações sobre a trajetória da política monetária estadunidense neste ano. Em 10 de junho, a mediana das estimativas de mercado apontava para uma taxa de juros entre 3,25% e 3,50% ao ano ao final de 2022. Entretanto, somente a expectativa para junho obtinha mais de 50% das apostas no mercado de juros futuro.

Reajuste para a taxa de juros federal estadunidense com maior probabilidade em 10 de junho:
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Fonte: CME FedWatch. Elaboração: StoneX.

Na próxima semana, também, serão divulgados indicadores americanos importantes de atividade econômica, como as vendas do varejo e a produção industrial, ambos do mês de maio. Não há indícios de uma desaceleração econômica neste momento, embora as vendas do varejo possam apresentar leve retração em função da recuperação dos serviços presenciais, que vem a um ritmo mais veloz de crescimento.

É digno de nota, também, que a guerra entre Rússia e Ucrânia atingiu seu 107º dia em uma intensa batalha pelo domínio da região de Donbas, porém sem grandes alterações territoriais frente à semana anterior. Embora, em nenhum momento, a Rússia tenha declarado quais são seus reais objetivos com o conflito, a dinâmica do front de batalhas sugere que, neste instante, o foco do Kremlin é controlar as porções sul e leste do território ucraniano. Atualmente, Moscou já detém aproximadamente 20% da antiga Ucrânia e ainda que não tenha conseguido tomar a cidade portuária de Odessa, efetivamente bloqueou as entradas e saídas por meio marítimo com sua superioridade naval. Há um debate sobre como a economia ucraniana poderá subsistir sem a possibilidade de exportações e importações marítimas, e sua infraestrutura terrestre está e continua a ser danificada. O Kremlin, por outro lado, usa esta superioridade para barganhar o relaxamento de sanções com o ocidente a fim de estabelecer corredores humanitários marítimos, para trocas, porém a credibilidade russa em uma negociação é baixa.

Por fim, vale destacar que a situação da Covid-19 na China está lentamente melhorando, com as restrições impostas sobre Xangai e Pequim sendo notavelmente reduzidas nesta semana. Uma análise feita pelo banco Nomura em 06 de junho estimou que 8 cidades chinesas se encontram em confinamento parcial ou total, afetando um total de 73,6 milhões de pessoas, uma queda semanal de quase 45% no número de pessoas isoladas. Isso ainda corresponde a, aproximadamente, 5,2% da população chinesa e 9,5% do Produto Interno Bruto chinês. Ainda assim, os impactos econômicos das rígidas quarentenas impostas nos meses de abril e maio devem continuar repercutindo sobre a atividade econômica, como estoques reduzidos, gargalos logísticos e acúmulo de pedidos. Pior, as autoridades mostraram que não estão dispostas a revisitar as estratégias de tolerância zero contra o coronavírus mesmo diante de novas e altamente transmissíveis variantes, o que significa que, caso surjam novos focos pelo país, prolongados isolamentos podem ser aplicados novamente. Atualmente, basta um caso detectado para se determinar o fechamento de um bairro ou distrito.

Cenário Doméstico

O foco da próxima semana deve ser a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). Apesar do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio ter subido apenas 0,47%, menor alta mensal desde abril do ano passado, a maior parte dos analistas aposta que o Comitê irá reajustar a taxa básica de juros (Selic) de 12,75% a.a. para 13,25% a.a., conforme sinalizado na última ata do Copom. Ainda é cedo para crer que o IPCA vá começar a se reduzir, visto que a pequena leitura de maio foi influenciada por fatores pontuais, como a mudança da bandeira tarifária, a sazonalidade de alguns produtos de hortifruti e a manutenção do preço da gasolina e do gás de botijão há três meses pela Petrobrás, tornando os preços nacionais desnivelados em relação aos preços internacionais. Por isso, a autoridade monetária deve manter seu plano de elevar a Selic uma vez mais e mantê-la nesse patamar enquanto avalia a evolução dos preços domésticos.

Os planos de Brasília para combater a alta dos preços de combustíveis também deve se manter em foco na próxima semana. Está agendada para segunda-feira a votação do parecer do Projeto de Lei Complementar 18/22, que torna os combustíveis, energia elétrica, gás natural, comunicações e transporte coletivo bens e serviços essenciais e indispensáveis, impondo uma alíquota máxima de ICMS sobre tais produtos de 17%. O projeto, idealizado pelo Palácio do Planalto e relatado pelo senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), tem por objetivo reduzir o valor dos combustíveis, melhorar as leituras do IPCA e recuperar a popularidade da candidatura à reeleição de Jair Bolsonaro, porém traz um alto custo. Pelos cálculos do relator, a União deverá entrar com R$ 35,2 bilhões em recursos de ressarcimento aos Estados, cifra substancialmente inferior ao estimado pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), que aferiu o impacto do PLP 18 em mais de R$ 100 bilhões.

Além disso, o Executivo idealiza uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que ainda não foi apresentada oficialmente ao Congresso, que visa zerar os impostos federais (PIS/Confins e Cid) e estaduais (ICMS) sobre os combustíveis após a aprovação da PLP 18. Ontem, em fala a jornalistas, Bezerra Coelho havia afirmado que a PEC teria um custo adicional de ressarcimento aos Estados de R$ 29,6 bilhões, o que seria feito através de recursos extraordinários. Tais despesas não seriam contabilizadas no chamado teto de gastos, o limite constitucional de despesas, em uma dinâmica similar ao financiamento do auxílio emergencial. Nenhum desses custos considera as perdas de arrecadação em impostos federais, apenas a compensação pela União aos Estados pela queda na sua arrecadação. Dessa forma, o setor público, como um todo, aumentando seu déficit fiscal em dezenas de bilhões de reais em um período de seis meses, o que deve se refletir no aumento do endividamento público.

Não há como se ignorar que a perda de arrecadação na ordem de dezena de bilhões de reais a quatro meses de uma eleição, que desrespeita o teto de gastos, em um contexto de visível pressão sobre a política de preços da Petrobras, não constitua uma medida que amplifica os riscos fiscais percebidos sobre o Brasil. As constantes alterações no Orçamento de 2022 que representam aumento de gastos ou redução de arrecadação fiscal podem elevar a percepção de risco fiscal associado ao Brasil, elevando a exigência de prêmio de risco por parte dos investidores, o que, por sua vez, poderia reduzir o fluxo de capital estrangeiro ao país e enfraquecer o real.

Por fim, nesta semana, Bolsonaro recuou mais uma vez na proposta de conceder reajustes a servidores públicos federais. Bolsonaro declarou em entrevista que, “pelo que tudo indica”, não será possível oferecer aumento salarial algum aos funcionários públicos neste ano. Na segunda-feira (06), o Ministério da Economia já havia redirecionado R$ 1,72 bilhão que estavam contingenciados no Orçamento com destino ao acréscimo salarial dos servidores. Desde novembro do ano passado, o presidente oscila entre promessas de um reajuste linear a todo funcionalismo federal, a somente os servidores da segurança federal, ou a ninguém. Por lei, qualquer aumento salarial precisa estar decidido, tramitado e aprovado até 02 de julho. É proibido que reajustes sejam concedidos nos seis meses finais de mandato.

 

 
tabela de indicadores
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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.
 
  • Moedas

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