O Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities já está disponível gratuitamente.  Faça seu download.  →

Logotipo da StoneX

Resumo Semanal de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Câmbio encerra a semana em forte queda, cotado a R$ 5,214
 
Leonel Oliveira Mattos
Vitor Andrioli
Semana foi marcada por expectativa de moderação pelo Fed e redução dos temores fiscais no Brasil
fatores altistas
  • Proibição à importação de petróleo russo pela União Europeia pode provocar um aumento nos preços de commodities energéticas e promover uma busca por ativos de segurança, fortalecendo o dólar.

  • Lenta tramitação da PEC da transição pelo Congresso e demora na definição de ministérios pelo futuro governo pode prolongar os receios de investidores com os fundamentos fiscais no Brasil e enfraquecer o real.

fatores baixistas
  • Expectativa de enxugamento do texto da PEC em sua tramitação pelo Congresso Nacional pode conter a piora a avaliação das contas públicas nacionais e limitar as exigências de prêmio de risco por parte dos investidores, valorizando o real.

  • Percepção de que o Federal Reserve está moderando seu aperto monetário ao sinalizar que reduzirá a velocidade das altas de juros de 0,75 p.p. para 0,50 p.p., ampliando o apetite por ativos arriscados.

  • Divulgação de indicadores de atividade econômica nos Estados Unidos devem reforçar a interpretação de que a atividade econômica americana está se desacelerando e que há espaço para o Fed moderar seu aperto monetário.

  • Divulgação do IPCA de novembro para o Brasil deve mostrar desaceleração branda em 12 meses e pode aumentar o apetite por ativos brasileiros, contribuindo para o fortalecimento do real.

O dólar negociado no mercado interbancário encerrou a sessão desta sexta-feira (02) cotado a R$ 5,214, variação de -3,6% na semana, +0,3% no mês e de -6,4% no ano. Já o dollar index fechou o pregão cotado a 104,5 pontos, recuo de 1,4% na semana, de 1,4% no mês, porém ganho de 9,3% no ano. Comparado ao fim de outubro, a queda acumulada do dollar index é de 6,2%. A semana foi marcada pelas crescentes expectativas de moderação no aperto monetário pelo Federal Reserve, que levaram ao enfraquecimento da moeda americana, e por uma redução da percepção de riscos fiscais associados ao Brasil após a formalização da Proposta de Emenda à Constituição da Transição (PEC 32/2022) junto ao Congresso Nacional, que levou ao fortalecimento do real.

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)
image 57072
Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

Cenário Externo

O foco das atenções da semana deve ser, uma vez mais, a política monetária dos Estados Unidos. Na semana que se passou, a moeda americana se enfraqueceu sensivelmente, impulsionando o dollar index ao redor do patamar de 104,4 pontos – o mais baixo desde o final de junho. O principal fator por trás da desvalorização do dólar é uma mudança de expectativas em relação ao aperto monetário do Federal Reserve (Fed). Desde a decisão de política monetária de 02 de novembro, quando o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) comunicou que estudava reduzir o ritmo de elevação de juros em breve, os investidores passaram a buscar sinais de que a economia estadunidense esteja desacelerando e de que a inflação no país esteja arrefecendo. Desde então, diversos índices inflacionários de outubro, como o Índice de Preços ao Consumidor (CPI), o Índice de Preços ao Produtor (PPI) e o Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) apresentaram variações abaixo do estimado. Adicionalmente, alguns indicadores de atividade econômica, como o Índice Gerente de Compras (PMI) industrial, a abertura de vagas de trabalho e as vendas ao varejo, também vieram em linha com uma possível contração da economia, embora outros não tenham sinalizado tal retração.

Embora a trajetória da conjuntura americana não esteja perfeitamente clara, é possível afirmar que a maior parte dos agentes se comporta como se a inflação do país já tivesse atingido o seu pico (e vá se reduzir deste ponte em diante) e como se o Fed vá “inverter” sua trajetória de juros, podendo se apoiar um aperto monetário mais suave a fim de controlar um aceleração de preços menos intensa. Pode-se observar tal comportamento, especialmente, nas apostas feitas no mercado futuro de juros.

 

Apostas para a decisão de juros do Federal Reserve de 14 de dezembro
image 57074
Histórico da taxa de juros americana e aposta com maior probabilidade no mercado futuro de juros
image 57075
Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX.   Probabilidades no mercado futuro de juros com referência a 02 de dezembro de 2022.
 

Em falas recentes, as autoridades do Federal Reserve também mudaram suavemente a mensagem. Embora elas ainda reforcem que o combate à inflação está longe de acabar e que não se sabe até quando será necessário aumentar as taxas de juros, agora há nuances nas comunicações que são percebidas pelos investidores, como um destaque para a queda de preços em bens industriais e o realce aos riscos bilaterais que a economia enfrenta – tanto de a inflação se tornar excessivamente elevada e enraizada por uma interrupção prematura do aperto monetário, quanto de uma recessão excessivamente aguda e abrupta por se elevar rápido demais e a um nível alto demais as taxas de juros. O que os agentes escutam, no fim, são os elementos novos do discurso – que há um risco de se contrair demais as condições financeiras e que há preços caindo aceleradamente –, e concluem que o Fed está moderando sua atuação. Começa nesta semana o período de silêncio obrigatório antes da decisão de política monetária de 14 de dezembro, portanto não haverá tempo de se corrigir estas impressões.

Outro ponto de destaque da semana deve ser a provável sanção europeia contra a importação de petróleo russo. Nas últimas semanas, o preço do óleo bruto vinha em queda por conta de preocupações com a desaceleração da demanda global, particularmente a chinesa, e é difícil estimar o que vai ocorrer após a proibição entrar em vigor, em 05 de dezembro. No momento, a Rússia representa 21% das importações totais de petróleo feitas pela União Europeia. Posteriormente, está programado para serem proibidas as importações de refinados russos, como diesel e gasolina, a partir de 05 de fevereiro.

Por fim, vale destacar a situação da China em relação à Covid-19. No fim de semana passado, o país experimentou raros protestos contra as draconianas medidas de tolerância zero de prevenção à doença após um incêndio em um prédio em Urumqi, capital de Xinjiang, resultar na morte de dez pessoas. Segundo postagens não confirmadas de redes sociais, o prédio estaria com as saídas impedidas por grades em função de medidas forçosas de restrição à mobilidade, o que teria contribuído com as fatalidades. O que seguiu aos protestos foi, por um lado, um endurecimento das autoridades em coibir as manifestações e punir aqueles que haviam participado, mas, por outro, permitir um relaxamento pontual de algumas medidas de isolamento em cidades com casos da doença. Este relaxamento, mesmo que gradual, impulsionou uma onda de otimismo e apetite por riscos, mas analistas acautelam que este processo deve ser “vagaroso, custoso e irregular”.

Cenário Doméstico

No Brasil, o foco da próxima semana deve ser, novamente, a política fiscal do próximo governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Na semana que se passou, a chamada PEC da Transição foi formalmente protocolada no Senado (PEC 32/2022) e avançou uma etapa burocrática com a aprovação do texto preliminar do Projeto de Lei Orçamentária (PLOA) de 2023 na Comissão Mista de Orçamento do Congresso (CMO). Segundo o líder do PT na Câmara, deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), a previsão é votar o texto na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado na próxima quarta. Em que pese, até o momento, haver poucas alterações ao projeto desde a apresentação de sua minuta, em 16 de novembro, há diversas manifestações de membros do governo de transição admitindo negociar tanto o valor dos gastos acima do limite constitucional de despesas, de R$ 198 bilhões para algo em torno de R$ 140 bilhões, como do prazo de validade da emenda constitucional, de quatro anos para dois anos. Dado que Lula espera que a PEC esteja em efeito em janeiro, o prazo é bastante exíguo, e deve ter sido aprovada no Plenário de ambas as casas legislativas até 22 de dezembro.

Após a formalização da PEC e com o apoio do amplo enfraquecimento da divisa americana no exterior, uma das principais medidas de risco do país, o spread dos contratos de 5 anos de Credit Default Swap do Brasil, caiu ao menor patamar desde o começo de setembro. Adicionalmente, as taxas de juros para financiamento dos títulos de dívida pública também recuaram. Outro indício pontual de maior apetite por ativos brasileiros foi a entrada líquida de capital externo na B3, que, nos últimos três dias de novembro somaram R$ 2,642 bilhões.

Spread dos contratos de 5 anos de Credit Default Swap (CDS) do Brasil (pontos base)
image 57078
Fonte: Bloomberg. Elaboração: StoneX.
Saldo do fluxo de capitais estrangeiros na B3 até 30 de novembro de 2022 (R$ bilhões)
image 57077
Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
Taxa de compra do NTN-B com vencimento em 15/05/2045 (% a.a.)
image 57076
Fonte: Tesouro Direto. Elaboração: StoneX.
Vale destacar, também, que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central faz sua última decisão de política monetária do ano, para a qual se espera a manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 13,75% a.a., porém com um tom duro no comunicado da decisão, mencionando explicitamente os riscos de se retomar o ciclo de altas em função dos riscos fiscais. Adicionalmente, os investidores devem se atentar à divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de novembro, com expectativa de alta de 0,50% no mês e aumento acumulado de 6,34% em 12 meses.
 
tabela de indicadores
image 57073
Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.
 
  • Moedas

Este documento contém opiniões do autor e não necessariamente reflete as estratégias da StoneX. As previsões de mercado são especulativas e podem variar. O investidor é responsável por qualquer decisão baseada neste material. A StoneX só negocia com clientes que atendem aos critérios legais. O aviso legal completo está em https://www.stonex.com/pt-br/termos-e-condicoes/.

É proibida a cópia ou redistribuição deste material sem permissão da StoneX.

© 2026 StoneX Group, Inc.

Vista por satélite da Terra à noite mostrando cidades iluminadas na Ásia e no Oriente Médio

Descubra mais insights

Nossos assinantes têm acesso às análises de mercado da StoneX, abrangendo commodities, ações, moedas e muito mais.

Abrimos mercados

Utilizamos nosso capital, conhecimento e profunda experiência para proteger as margens de nossos clientes, reduzir custos e fornecer soluções personalizadas para obter sucesso nos mercados globais competitivos de hoje.

Confiança

Valorizamos relacionamentos próximos e de longo prazo com nossos clientes. Ao oferecer o melhor serviço e suporte tecnológico, nossos clientes confiam em nós para entrar nos mercados mais desafiadores e atender aos seus pedidos mais difíceis.

Transparência

Oferecemos preços competitivos e transparentes, além de entrega garantida e segura em mais de 140 moedas em mais de 185 países.

Especialização

Com insights e informações de todo o mundo, fornecemos aos nossos clientes notícias, dados e comentários agregados de todas as vertentes de nossos mercados, desde interconexões de complexos de commodities até fluxos globais de capital.