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By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil
Dados para o mercado de trabalho americano podem reforçar os receios de que a inflação se manterá elevada por mais tempo no país e o Federal Reserve precisará manter seu aperto monetário por mais tempo, fortalecendo a moeda americana.
Seguidas críticas de Lula ao Banco Central provoca volatilidade exacerbada e amplia a percepção de riscos pelos investidores, podendo enfraquecer o real.
Falas ponderadas de autoridades do Federal Reserve podem reforçar a sensação de que a instituição está moderando seu aperto monetário deste ponto em diante, ampliando o apetite por ativos arriscados.
Nova proposta de arcabouço fiscal, após a reintrodução parcial de tributos federais aos combustíveis, pode reforçar a disposição do Ministério da Fazenda de reequilibrar as contas públicas e favorecer o fortalecimento do real.
O dólar negociado no mercado interbancário encerrou a sessão desta sexta-feira (03) cotado a R$ 5,201, variação de 0,0% na semana, -0,5% no mês e de -1,5% no ano. Já o dollar index fechou o pregão cotado a 104,5 pontos, recuo de 0,6% na semana e de 0,3% no mês, porém aumento de 1,2% no ano. A semana foi marcada pela reintrodução parcial de tributos federais sobre a gasolina e o etanol hidratado, no Brasil, e pela expectativa de juros globais mais elevados, no exterior.

Impacto no USDBRL: altista
O foco das atenções nesta semana deve ser a leva de indicadores sobre o mercado de trabalho para os Estados Unidos no mês de fevereiro, com destaque para o Relatório da Situação do Emprego, na sexta-feira (10). Em janeiro, o Relatório surpreendeu analistas ao inverter a tendência de desaceleração no ritmo de criação de novos postos de trabalho, com um saldo positivo de 517 mil novos empregos e redução da taxa de desemprego para 3,4%, menor valor desde maio de 1969. Foi o primeiro de uma sequência de indicadores de econômicos de janeiro que viriam a superar as estimativas de especialistas e lançar dúvidas sobre o estado da conjuntura americana. Até aquele momento, prevalecia uma interpretação de que a economia, pouco a pouco, se desacelerava e, consequentemente, havia um processo de desinflação em curso. Agora, há muita dúvida e incerteza se janeiro foi apenas um ponto fora da curva ou marca o início de um reaquecimento da atividade do país.
De toda forma, os dados de mercado de trabalho estão sendo analisados detalhadamente pelo Federal Reserve (Fed) em todas suas decisões de política monetária, visto que a maior parte da aceleração de preços atual está ligada a serviços relacionados a salários. A manutenção de um cenário de escassez de mão de obra e ganhos salariais moderados contribui para sustentar a inflação em um patamar disseminado e persistente no futuro, e, como resultado, pode obrigar o Fed a sustentar um rígido aperto monetário a fim de recuperar a estabilidade de preços. Portanto, se fevereiro repetir o desempenho de janeiro e gerar um elevado número de novos empregos, a moeda americana deve se fortalecer e pressionar para cima o par real/dólar.



Impacto no USDBRL: baixista
Na semana passada, diversos integrantes do Federal Reserve comentaram publicamente sobre a decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) de reduzir o ritmo de alta de juros, em 01 de fevereiro, passando de um reajuste de 0,50 p.p. em dezembro para um de 0,25 p.p e sobre os dados econômicos acima do esperado para o mês de janeiro, e houve uma pluralidade de opiniões. De forma geral, as autoridades alertaram para os riscos de que a inflação nos Estados Unidos se mostre muito elevada e persistente em função de um nível de atividade mais aquecida que o antecipado. Contudo, várias delas mencionaram que há um hiato (delay) entre as decisões de política monetária e seus efeitos na economia, chamando a atenção de que o Fed já fez o maior aumento de juros em quatro décadas e que nem todos os efeitos já se transmitiram pela cadeia. Assim, o processo de reajustes estaria mais próximo de seu fim e, assim, os ajustes de 0,25 p.p. seriam mais apropriados para este momento. Está programado para se pronunciar na próxima semana o membro do Conselho de Governadores do Fed, Michael Barr.
Impacto no USDBRL: baixista
Segundo fala a jornalistas do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o Ministério deve terminar o desenho do novo arcabouço fiscal nesta semana e, a partir daí, discuti-lo “com toda a equipe econômica”. A Emenda Constitucional 126, derivada da chamada PEC da Transição, anulou o limite constitucional de despesas e autorizou o governo a emitir dívidas públicas para financiar despesas (a chamada “regra de ouro”), estabelecendo a obrigatoriedade de se criar uma nova regra fiscal, por meio de lei complementar, até agosto deste ano. Haddad reforçou que o objetivo é enviar a proposta juntamente com a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2024, cujo prazo final para envio ao Congresso Nacional é de 15 de abril. Não se sabe se serão apresentados alguns detalhes da medida antecipadamente à imprensa, porém a expectativa é de que a nova âncora seja bem recebida pelos investidores como um sinal de comprometimento de Haddad com a responsabilidade fiscal.
Impacto no USDBRL: altista
Investidores seguem atentos à necessária indicação do Presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva, para novos diretores de Política Monetária e de Fiscalização do Banco Central, visto que o mandato dos atuais dirigentes se encerrou na última terça-feira (28). Na última semana, Lula, Haddad e a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, criticaram o patamar da taxa básica de juros (Selic) e foram contundentes em afirmar que esperam mais do presidente da instituição, Roberto Campos Neto. Contudo, nesta semana será informado o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro com expectativa de aceleração frente à leitura de janeiro, contribuindo para a defesa do prolongamento do aperto monetário pelo BC.

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