- Fatores baixistas
- Perspectiva de estoques elevados ao final dos anos safra 23/24 e 24/25;
- Possibilidade do USDA ter superestimado redução da área de plantio de milho nos EUA.
- Fatores altistas
- Seca no Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo;
- Disseminação da cigarrinha na Argentina;
- Atraso do plantio nos Estados Unidos;
- Fundos saindo de suas posições vendidas.
Panorama geral
Na semana passada (13/05-17/05), os futuros do milho negociados na bolsa de Chicago atuaram em baixa, interrompendo uma sequência de três semanas consecutivas de ganhos. O contrato com vencimento em julho encerrou o período cotado a 452,50 cents/bu, desvalorização semanal de 3,7%.
Entre os fatores por trás das perdas, três deles se destacam. Em primeiro lugar, a desvalorização do trigo na CBOT devido a melhores perspectivas de oferta nos Estados Unidos e Rússia, o que acabou impactando a cotação do milho. Em segundo, exportações norte-americanas de milho abaixo das expectativas do mercado, o que trouxe preocupações pelo lado da demanda. Por fim, períodos sem chuva no cinturão agrícola dos Estados Unidos, fenômeno que trouxe a expectativa de avanço no plantio.
De modo geral, percebe-se que nenhum dos fatores por trás das desvalorizações da semana passada representam mudanças significativas nos fundamentos de oferta e demanda. Nesse sentido, as variações nos preços do milho ocorreram principalmente devido a questões especulativas, com destaque para as questões climáticas.
No curto prazo, o indicador mais aguardado pelo mercado é o de avanço de plantio nos Estados Unidos, que será divulgado hoje (20) às 17h. Até o dia 12/05, 49% das lavouras haviam sido plantadas, atraso de 6 pontos percentuais na comparação com a média histórica. Como mencionado, existe a expectativa de que o plantio tenha avançado significativamente, diminuindo a possibilidade de hectares serem plantados fora da janela ideal. A divulgação de hoje trará a confirmação ou a frustração dessa expectativa.
No médio prazo, as questões climáticas norte-americanas se tornarão cada vez mais importantes. Vale lembrar que estamos entrando no período denominado mercado de clima, que atinge seu auge entre os meses de junho e julho. Como é nessa época do ano que a produtividade das lavouras de milho dos Estados Unidos é definida, os preços do grão costumam ficar bastante voláteis na bolsa de Chicago, reagindo a mudanças nas perspectivas de precipitação e temperatura.
Além das questões climáticas, a inflação nos Estados Unidos é outro fator especulativo que deve impactar as cotações do milho em Chicago. Na semana passada, foi divulgado que o índice de preços ao consumidor norte-americano subiu 3,4% em abril na comparação anual, valor menor que o do mês anterior, mas que ainda mantém a inflação nos Estados Unidos longe da meta de 2%. Ao mesmo tempo, o Fed descarta novos aumentos nas taxas de juros. Para os gerentes de fundos, inflação persistente e juros estagnados indicam a possibilidade de aumento na demanda por commodities, o que tem levado muitos deles a desfazer suas posições vendidas no mercado de milho.
Intraday (15 min) contrato de julho/24 - CBOT

Estados Unidos
No momento, as atenções no mercado norte-americano de milho estão voltadas para clima e avanço de plantio. Como esses assuntos já foram discutidos na primeira parte deste relatório, aqui serão abordadas questões que não estão tão em destaque, mas que ainda assim são importantes.
Começando pelos dados de vendas de exportações, na semana passada o saldo para o milho foi de 742 mil toneladas. Como a expectativa do mercado estava entre 700 mil toneladas e 1.050 mil toneladas, o número divulgado foi um pouco decepcionante. No agregado do ano safra 2023/24, as exportações norte-americanas estão em 48,3 milhões de toneladas. Restam 17 semanas para atingir a estimativa do USDA de 54,6 milhões.
Outro acontecimento importante ocorrido na semana passada foi o anúncio pela administração Biden de um pacote de tarifas que irão incidir sobre as importações de produtos da China. A medida deve escalar a guerra comercial entre as duas potências, podendo impactar as compras chinesas de milho norte-americano. Nesse sentido, a disputa entre Estados Unidos e China pode resultar em aumento da participação brasileira nas importações chinesas de milho.
Vendas de exportação dos Estados Unidos (mil toneladas)

Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
Brasil
Na semana passada, os futuros do milho desvalorizaram na B3, seguindo a movimentação ocorrida em Chicago. O contrato com vencimento em julho encerrou o período cotado a R$ 58,60/sc, desvalorização semanal de 0,6%. Vale apontar que quarta-feira (15) foi o último dia de negociação do contrato com vencimento em maio.
Também na semana passada, a Conab atualizou sua estimativa para a safra brasileira de milho. O que mais chamou atenção foi a manutenção da disparidade entre o número dessa instituição e o do USDA, algo que tem acontecido desde o início do ano safra 2023/24: enquanto o USDA estima a produção de 122 milhões de toneladas, a Conab estima a produção de 111,6 milhões de toneladas, volume 8,5% inferior.
A diferença entre as estimativas decorre principalmente de discordâncias quanto a área de produção, com o Departamento norte-americano estimando uma área de plantio de milho muito maior que a da Conab. A StoneX acredita que o número de área do USDA está mais próximo da realidade.
Por fim, vale um destaque para as questões envolvendo clima. Na última semana, quase nenhuma chuva caiu sobre as regiões brasileiras produtoras de milho safrinha, tendência que vem desde o início de maio. Principalmente em estados que sofreram com seca também ao longo de abril, com destaque para Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, isso pode resultar em perdas de produtividade. Na última sexta-feira (17), a StoneX estimou que 0,4% da safrinha havia sido colhida.
Intraday (15 min) contrato de julho/24 - B3

Argentina
Devido a disseminação da cigarrinha no norte do país, a Bolsa de Cereales de Buenos Aires agora classifica apenas 54% das lavouras da Argentina de milho como normais, boas ou ótimas. A instituição manteve sua estimativa de produção em 46,5 milhões de toneladas.
No ano passado, o percentual de lavouras em condições normais, boas ou ótimas ficou próxima dos 47%, resultando na colheita de 34 milhões de toneladas. Isso significa que a estimativa atual para as condições de lavoura é apenas 15% superior à do ano passado, enquanto a estimativa de produção é 37% superior. Existe a possibilidade, portanto, de novos cortes nas estimativas.
Voltando as atenções para a colheita, ela segue em ritmo lento. Até o dia 15 de maio, apenas 25,4% das lavouras haviam sido colhidas, atraso de 8,3 pontos percentuais na comparação com a média dos últimos 5 anos.
Por fim, vale apontar que a Bolsa de Cereales de Buenos Aires alertou para o risco de geadas.
Lavouras argentinas de milho em condições normais, boas ou excelentes

Fonte: Bolsa de Cereales de Buenos Aires. Elaboração: StoneX.
Preços futuros e físicos
Contratos futuros negociados na CBOT (US¢/bu)

Contratos futuros negociados na B3 (R$/sc)

Preços fisicos no Brasil (R$/sc)








