- Fatores baixistas
- Perspectiva de estoques elevados ao final dos anos safra 23/24 e 24/25;
- Possibilidade do USDA ter superestimado redução da área de plantio de milho nos EUA.
- Fatores altistas
- Seca no Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo;
- Disseminação da cigarrinha na Argentina;
- Fundos saindo de suas posições vendidas.
Panorama geral
Na semana passada, os contratos futuros de milho atuaram em alta na bolsa de Chicago. O contrato com vencimento em julho encerrou o período cotado a US$ 465,75bu, valorização semanal de 2,7%.
Os ganhos foram impulsionados por dois fatores. Em primeiro lugar, a forte valorização do trigo, fenômeno em vigor desde o final de abril e que acontece devido aos problemas climáticos enfrentados por agricultores de Rússia e Ucrânia. Esses países são responsáveis por aproximadamente 1/3 das vendas de trigo no mercado internacional, o que significa que restrições sobre a oferta deles tem grande impacto sobre o balanço global entre oferta e demanda. Dada a forte correlação entre os preços dos grãos, a valorização do trigo acaba impulsionando a cotação do milho.
Um segundo ponto foram preocupações quanto ao plantio nos Estados Unidos, fator que impulsionou ganhos no pregão de segunda-feira (20). Entretanto, na própria segunda, após o fechamento da sessão, foi revelado que 70% da área de milho já havia sido plantada, avanço semanal de 21 pontos percentuais e que deixou a semeadura praticamente em linha com a média dos últimos cinco anos. Devido a isso, o plantio nos Estados Unidos deixou de ser um fator de tanta preocupação, já que aparentemente ele vai ser concluído dentro da janela ideal. Na terça (28), quando a próxima atualização for divulgada, espera-se que ele tenha alcançado 85%. Se o número vier abaixo disso, o plantio voltará a ser um fator de alta para as cotações.
Passada a temporada de plantio, o mercado de milho entrará no período denominado “mercado de clima”, caracterizado por preços bastante voláteis devido a preocupações quanto ao clima nos Estados Unidos. É nesse período que teremos a real definição do tamanho e da qualidade da safra norte-americana.
Caso a safra se desenvolva sem grandes problemas, os fundamentos baixistas ganharão força, já que o saldo global entre oferta e demanda ficará folgado. Caso a safra venha a enfrentar problemas, aí os agentes altistas, que tem dominado o mercado de milho desde o final de abril, ganharão argumentos que reforçam suas posições.
Falando um pouco sobre Brasil, os prêmios no porto de Santos seguem firmes, já que a comercialização da primeira safra e da safrinha seguem bastante lentas, mais atrasadas que qualquer outra safra dos últimos seis anos. Essa questão será discutida com mais detalhes na parte sobre Brasil.
Intraday (15 min) contrato de julho/24 - CBOT

Estados Unidos
Além dos números relacionados ao plantio, na semana passada foi divulgado nos Estados Unidos atualizações acerca das exportações e da produção de etanol de milho. Sobre as exportações, o saldo das vendas semanais foi de 911 mil toneladas, volume muito superior à média dos últimos três anos para o período. Entre os países compradores, os destaques ficaram por conta de México, Japão e China. Com isso, as vendas de exportações norte-americanas em 2023/24 alcançaram 49,2 milhões de toneladas. Faltando 16 semanas para o fim do ano safra, os Estados Unidos precisam exportar 5,4 milhões de toneladas para alcançar a estimativa do USDA de 54,6 milhões de toneladas.
Sobre o etanol de milho, a divulgação da EIA mostrou a produção de 1.019 mil barris/dia na semana encerrada dia 17 de maio. Esse volume é 7,0% superior à média dos últimos cinco para o período e 3,7% superior ao registrado no ano passado. Portanto, a produção de etanol nos Estados Unidos segue acelerada, tendência que vem desde o início do ano.
Vendas de exportação dos Estados Unidos (mil toneladas)

Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
Brasil
Na segunda-feira da semana passada (20), os futuros do milho registraram ganhos significativos. No restante da semana, as cotações pouco variaram, fazendo que o saldo semanal fosse positivo. O contrato com vencimento em julho, por exemplo, encerrou o período cotado a R$ 59,40/sc, valorização semanal de 1,4%.
Além dos preços na bolsa, no mercado físico brasileiro o milho também demonstrou força. Olhando para cargas que serão embarcadas em julho no porto de Santos, o prêmio passou de 62 cents/bu para 67 cents/bu. O fator por trás da valorização é a ausência de vendedores no mercado, com grande parte dos agricultores optando por não comercializar sua produção pelo nível atual de preço. No último levantamento de comercialização da StoneX, apenas 47,9% do milho verão e 26,9% do milho safrinha haviam sido comercializados, menores percentuais dos últimos seis anos.
Olhando para perspectivas de oferta, no dia 3 de junho a StoneX atualizará suas estimativas. Os números ainda não estão fechados, mas há indícios de que a ausência de chuvas ao longo do mês de maio impactará a produção de milho safrinha do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul.
Até a última sexta-feira (24), 2% da safrinha de milho havia sido colhida, um adiantamento em relação a ciclos passados.
Intraday (15 min) contrato de julho/24 - B3

Argentina
Na semana passada, a Bolsa de Cereales de Buenos Aires manteve sua estimativa de produção para a Argentina em 46,5 milhões de toneladas. Mesmo assim, as condições das lavouras seguiram se deteriorando: agora, o percentual normal, bom ou excelente está em apenas 51%. Ano passado, ano em que os argentinos colheram apenas 34 milhões de toneladas, 47% das lavouras estavam em condições normais, boas ou excelentes.
Vale lembrar que as 46,5 milhões de toneladas já representam uma quebra de aproximadamente 20%, causada principalmente pela disseminação da cigarrinha. No momento, o clima na Argentina está mais frio, o que atua contra a reprodução dessa praga.
Sobre a colheita, ela segue avançando em ritmo lento. Até o dia 22, quarta-feira, 28,2% das lavouras haviam sido colhidas, avanço semanal de apenas 2,8 pontos percentuais.
Lavouras argentinas de milho em condições normais, boas ou excelentes

Fonte: Bolsa de Cereales de Buenos Aires. Elaboração: StoneX.
Preços futuros e físicos
Contratos futuros negociados na CBOT (US¢/bu)

Contratos futuros negociados na B3 (R$/sc)

Preços fisicos no Brasil (R$/sc)








