- Fatores baixistas
- Perspectiva de estoques elevados ao final dos anos safra 23/24 e 24/25;
- Boa condição das lavouras norte-americanas;
- Previsões climáticas benéficas para as lavouras norte-americanas;
- Avanço da colheita no Brasil (safrinha) e Argentina.
- Fatores altistas
- Atraso no ritmo de comercialização no Brasil e nos Estados Unidos;
- Seca na Ucrânia impactando o desenvolvimento da safra 24/25.
Na semana passada, os futuros do milho negociados na bolsa de Chicago desvalorizaram. No encerramento do período, o contrato com vencimento em setembro ficou cotado a 390,50 cents/bu, desvalorização semanal de 2,9%.
O principal fator por trás das perdas ainda é a perspectiva de produtividade elevada nos Estados Unidos, com o clima seguindo benéfico para o desenvolvimento das lavouras. Vale fazer a consideração, entretanto, de que o movimento de baixa perdeu intensidade nas últimas duas semanas. Após as cotações furarem o piso de 400 cents/bu, os investidores se tornaram mais cautelosos, aguardando maiores confirmações de produtividade elevada antes de apostar em novas baixas. Também tem ajudado a limitar as perdas um certo aquecimento da demanda no mercado físico, com compradores querendo se aproveitar dos menores preços desde o último trimestre de 2020.
De qualquer forma, o sentimento baixista segue predominante entre os investidores que atuam na CBOT e isso deve se manter assim a não ser que aconteçam mudanças nas condições climáticas. Vale apontar que muitas toneladas da safra antiga norte-americana ainda não foram comercializadas e terão que sair dos silos antes do início da colheita da safra nova, mais um fator de baixa para as cotações.
Sobre a qualidade da safra norte-americana, a última atualização do USDA, referente ao dia 14 de julho, mostrou 68% das lavouras em condições boas/excelentes, valor 5 pontos percentuais acima da média histórica para o período. Na safra passada, 52% das lavouras fecharam o ciclo com qualidade boa/excelente e a produtividade ficou em 11,13 ton/ha. Nesse sentido, mesmo se as condições das lavouras na safra atual recuarem para valores próximos de 60%, os norte-americanos ainda poderão registrar uma produtividade superior as 11,36 ton/ha atualmente estimadas pelo USDA. Os dados de qualidade das lavouras serão atualizados hoje (22) às 17h (horário de Brasília).
Intraday (15 min) contrato de setembro/24 - CBOT

Fonte: CBOT. Elaboração: StoneX.
Sobre o Brasil, o relatório de acompanhamento de safra da StoneX mostrou que 83,2% do milho safrinha estava colhido no dia 19 de julho, maior percentual para o período desde que a StoneX começou a acompanhar esse indicador, ainda na safra 18/19. No Mato Grosso, a colheita já está praticamente finalizada, tendo alcançado 96%. Portanto, a oferta de milho no mercado brasileiro está aumentando significativamente, um importante fator de baixa.
Entretanto, o relatório de comercialização da StoneX mostrou que apenas 39% do milho safrinha 23/24 estava comercializado no dia 19 de julho, menor percentual para o período desde que a StoneX começou a acompanhar esse indicador, ainda na safra 16/17. Para o milho verão, a comercialização ficou em 69%, menor percentual desde 17/18. Esse atraso nas vendas, somado a valorização do dólar, resultou em ganhos para o milho na B3 na semana passada. O contrato com vencimento em setembro ficou cotado a R$ 59,14/sc, valorização semanal de 1,4%.
Intraday (15 min) contrato de julho/24 - B3

Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
Já na Argentina, o relatório semanal da Bolsa de Cereales de Buenos Aires mostrou que a colheita atingiu 79,2%, percentual que coloca a colheita do ciclo 23/24 acima da média dos últimos cinco anos para o período.
Com a safra se desenvolvendo bem nos Estados Unidos e a colheita avançando no Brasil e na Argentina, o grande ponto de atenção no mercado de milho no quesito oferta é a Ucrânia. O país eslavo tem enfrentado clima seco e quente, o que tem afetado o desenvolvimento da sua safra de milho, atualmente em fase de polinização. A Ucrânia é o quarto maior exportador de milho do mundo.
Voltando as atenções para a demanda, as exportações brasileiras de milho totalizaram apenas 848 mil toneladas nas duas primeiras semanas de julho, contra mais de 1,1 milhão no mesmo período do ano passado. Nos Estados Unidos, as exportações nas duas primeiras semanas de julho totalizaram 2,1 milhões de toneladas, o que indica uma certa vantagem para os norte-americanos frente aos brasileiros.
De fato, o atraso na comercialização tem fortalecido os prêmios no Brasil, fator que tira competitividade das exportações brasileiras. No momento, o preço FOB do milho nos quatro principais países exportadores é: US$ 180/ton nos Estados Unidos (Nova Orleans), US$ 182/ton na Argentina (Rosário), US$ 190/ton na Ucrânia (mar Negro) e US$ 192/ton no Brasil (Santos).
Sobre a China, foi divulgada a balança comercial de junho e os dados mostraram que o país importou 919 mil toneladas de milho no período, menor valor mensal de 2024 e uma retração de 50,2% na comparação com junho de 2023. Entre os principais parceiros comerciais, destaque absoluto para Ucrânia (654 mil toneladas) e Estados Unidos (217 mil toneladas), com a baixa disponibilidade de milho no Brasil em abril-maio (período que uma mercadoria tem que ser embarcada no Brasil para chegar em junho na China) limitando a participação do país.
No agregado do 1º semestre, a China importou 11,0 milhões de toneladas, menor volume para o período desde 2020. Entre os parceiros comerciais, destaque para Brasil (5,76 milhões de toneladas), Ucrânia (3,61 milhões de toneladas) e Estados Unidos (1,38 milhão de toneladas). Vale lembrar que Argentina e China assinaram um acordo preliminar em 2023 para regular a exportação de milho do primeiro para o segundo. Recentemente, o governo argentino afirmou que as exportações efetivamente começarão a acontecer em julho de 2024.
Importações de milho da China (milhões de toneladas)

Fonte: Alfândega da China. Elaboração: StoneX.
Tabelas de preços futuros e físicos
Contratos futuros negociados na CBOT (US¢/bu)

Contratos futuros negociados na B3 (R$/sc)

Preços fisicos no Brasil (R$/sc)








