- Fatores baixistas
- Perspectiva de estoques elevados ao final dos anos safra 23/24 e 24/25;
- Número de lavouras em níveis bons/excelentes acima da média;
- Avanço da colheita no Brasil (safrinha) e Argentina.
- Fatores altistas
- Atraso no ritmo de comercialização no Brasil e nos Estados Unidos;
- Perspectiva do início do ciclo de corte de juros nos EUA em setembro.
Síntese semanal | Os futuros do milho acumularam alta na semana encerrada na última sexta-feira (30). O vencimento de dezembro negociado em Chicago acumulou uma alta de 2,7% para fechar negociado a US¢401,50/bu. Uma deterioração das condições de lavouras nos EUA, bem como vendas de exportação fortes, deu suporte para o contrato. Além disso, um contexto macroeconômico que aponta para o início de um ciclo de corte de juros nos EUA a partir de setembro também fortalece ativos de risco, dando certa força para as commodities.
Comentário macroeconômico | Os agentes econômicos seguem observando o contexto macroeconômico norte-americano conforme se aproxima a próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) que deve apontar, de acordo com as estimativas mais recentes, para um corte de 25 pontos-base na taxa de juros dos EUA. Ao longo da semana passada, dados de inflação e de produção reforçaram a visão de um pouso-suave da economia norte-americana, com uma taxa de crescimento dos preços convergindo para a meta e com um mercado de trabalho dinâmico. O que os agentes seguirão monitorando é justamente a situação do mercado de trabalho, conforme é esperado o Relatório de Situação de Emprego na sexta-feira.
Se é verdade que os temores de uma economia norte-americana que se encaminha para uma recessão são menores hoje do que eram no começo de agosto, também é fato que a possibilidade de uma deterioração no mercado de trabalho, e um consequente cenário recessivo, deve ser um fato de atenção nas próximas semanas. O presidente do Fed, Jerome Powell, ciente dessa preocupação, veio reforçando nos últimos dias – como em seu discurso em Jackson Hole – que a autarquia deve estar consciente de seu duplo mandato como instituição que deve garantir não apenas o controle de preços, mas também a saúde do mercado de trabalho.
Safra EUA | O desenvolvimento dos milharais nos Estados Unidos seguiu favorável ao longo de agosto. Apesar de um nível de precipitação ligeiramente menor, uma temperatura também mais baixa fez com que os efeitos fossem limitados, com estimativa de colheita da segunda maior safra da série histórica. Ainda assim, preocupações com o clima podem ter inspirado uma cobertura de posições no meio da semana, entregando algum viés altista em alguns momentos. Na última atualização de condições de safra dos USDA, 65% da área de milho do país estava em condições boas ou excelentes, 2 p.p. a menos do que na semana anterior; ainda assim, o número ainda se coloca acima da média dos últimos 5 anos (58%).
Vendas de Exportação - EUA | Na quinta-feira, os futuros do milho obtiveram suporte dos dados de vendas de exportação e carregamentos de grãos dos EUA. O relatório – que pode ser acessado clicando aqui – trouxe um volume forte de novas vendas para a safra 24/25. Foram negociadas 1,5 milhões de toneladas de milho, contra uma média de 450 mil. Os embarques também seguiram fortes, com mais de 1 milhão de toneladas sendo efetivamente exportadas na semana passada.
Intraday (15 min) contrato de dezembro/24 - CBOT

Fonte: CBOT. Elaboração: StoneX.
Argentina | Na semana passada, a Bolsa de Cereais de Rosário estimou uma redução de 2 milhões de hectares da área de milho argentino na safra 2024/25. O número, maior do que os 1,3 milhões de hectares que a Bolsa de Cereais de Buenos Aires havia reportado recentemente, está relacionado à infestação de cigarrinhas nas lavouras de milho na safra 2023/24. O produtor argentino tem um temor de retorno da praga nos campos, fazendo com que a atratividade do cereal seja menor, com muitos produtores devendo favorecer o plantio da soja.
Brasil | No Brasil, o plantio do milho 1ª safra, assim como na Argentina, já começou em alguns estados do sul do país, como no Rio Grande do Sul. As atuais estimativas da StoneX apontam para uma redução na área de milho dessa região no comparativo entre safras. Somando Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, é esperado que o milho 1ª safra seja semeado em 1,2 milhões de hectares, quase 200 mil a menos do que no ano passado.
Milho B3 | As cotações do milho no mercado futuro doméstico registraram uma valorização, com o vencimento de novembro avançando 1,3% para fechar a R$ 63,15/sc. O movimento foi fortemente influenciado pela cotação em Chicago e fatores cambiais, dado o fortalecimento relativo do dólar em comparação ao real na semana passada.
Estimativas StoneX | Os números atualizados da StoneX apontaram para uma manutenção da produção 23/24 de milho 2ª safra, que deve ser de 93,6 milhões de toneladas. Quanto ao ano comercial 24/25, o número para a 1ª safra também foi mantido, ficando em 25 milhões de toneladas. A grande novidade deste mês foi uma revisão no balanço de O&D do milho, com as exportações sendo reajustadas para 35 milhões de toneladas na safra 2023/24. Clique aqui para acessar o número para o milho 23/24 ou aqui para a safra 24/25
Câmbio | A semana foi marcada por um enfraquecimento relativo do Real. Receios com a política fiscal seguem sendo fatores de depreciação da moeda em semana marcada pela entrega do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), que agora prevê déficit zero, abaixo do superávit de 0,5% do PIB estimado pela equipe econômica no começo do ano. Vale lembrar que o ajuste da meta fiscal já havia sido apresentado em abril, após a divulgação do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO).
Ainda na semana passada, a divulgação de um déficit primário do setor público de R$ 21,3 bilhões também serviu como fator de depreciação do Real, com o mercado ficando mais temoroso com os rumos da política fiscal. Por fim, uma valorização do dólar, após dados de inflação ancorarem uma expectativa de pouso-suave na economia norte-americana também fez com que a cotação do dólar crescesse. Mais detalhes sobre a dinâmica cambial podem ser acessados no Panorama Semanal de Câmbio da StoneX, que pode ser acessado clicando aqui.
Intraday (15 min) contrato de novembro/24 - B3

Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
Esta semana | Em semana marcada pelo feriado do Dia do Trabalho nos EUA, nesta segunda feira, o mercado só começará a operar normalmente no pregão diurno da terça-feira (03/set). Ainda assim, os agentes estarão atentos aos dados semanais de acompanhamento de safra e de exportações dos EUA, que, sofrendo um dia de atraso por conta do feriado, serão postados nesta terça-feira e sexta-feira, respectivamente. Além disso, o mercado deve repercutir os dados do Relatório de Situação do Emprego dos EUA, na sexta-feira, que podem dar indicativos para o nível de atividade da economia norte-americana, bem como entregar algum ajuste de expectativa para os rumos da política monetária no país.
Tabelas de preços futuros e físicos
Contratos futuros negociados na CBOT (US¢/bu)

Contratos futuros negociados na B3 (R$/sc)

Preços fisicos no Brasil (R$/sc)








