- Fatores baixistas
- Perspectiva de estoques elevados ao final dos anos safra 23/24 e 24/25;
- Número de lavouras em níveis bons/excelentes acima da média;
- Perspectivas de produtividade elevada nos EUA.
- Fatores altistas
- Atraso no ritmo de comercialização no Brasil e nos Estados Unidos;
- Perspectiva do início do ciclo de corte de juros nos EUA em setembro;
- Cobertura de posições vendidas nas últimas semanas;
- Clima na América do Sul desfavorável.
Síntese semanal | Os futuros do milho tiveram uma semana de sustentadas altas tanto no mercado internacional quanto no mercado doméstico. Em Chicago, o contrato com vencimento em dezembro/24 encerrou a semana passada negociado a US¢406,25/bu, avanço de 1,7% na semana. Por trás desse movimento, uma cobertura de posições vendidas pode ter sustentado as altas, conforme as atenções começam a se deslocar da robusta safra norte-americana – que vem sendo um fator baixista nos últimos meses – para a América do Sul. Essa cobertura de posições, que vem guiando o mercado desde o final de agosto, seguiu sendo exposta de maneira mais clara, conforme os dados do CFTC publicados na semana passada apontaram para uma posição liquidamente vendida de 176,2 mil contratos, 65,7 mil a menos do que na semana anterior.
Safra EUA | Já se espera que os EUA colham uma safra robusta, com o USDA estimando a maior produtividade da série histórica, colocando uma expectativa de colheita da segunda maior safra da história do país. O mercado está, em alguma medida, atento à seca que veio tomando conta do cinturão do milho norte-americano, o que pode afetar o desenvolvimento tardio dos milharais. Ainda assim, as temperaturas mais amenas seguem limitando os efeitos negativos do clima seco. As condições das lavouras no país seguiram positivas, com 65% da área em condições boas/excelentes, mesmo número da semana anterior.
Estimativas StoneX | A StoneX dos EUA publicou na última quinta-feira os dados mais atualizados de estimativa de produtividade das lavouras norte-americanas. A média dos Estados Unidos, de acordo com a estimativa, é de 11,48 ton/hectare, um avanço de 0,04 ton/hectare em comparação à estimativa de agosto e mais em linha com a produtividade oficial do USDA, de 11,49 ton/hectare. Mesmo com a revisão positiva para a produtividade, a colheita do país deve ser menor do que era esperado em agosto, ficando em 384,24 milhões de toneladas, cerca de 2 milhões a menos do que o trazido no último relatório. Por trás disso está principalmente uma revisão da área em diversos estados produtores.

Exportações – EUA | Os números de vendas de exportação e carregamentos dos EUA, publicados na última sexta-feira, foram pouco animadores para o mercado, conforme reportou-se um alto volume de cancelamentos na safra atual. O movimento é normal no final do ano-comercial conforme os compradores se utilizam desse período para ajustar suas posições. Dessa forma, o volume líquido foi de um cancelamento de cerca de 170 mil toneladas da safra atual. Ainda assim, o alto volume de compras na safra nova (1,8 mi tons) e os carregamentos que se mantiveram em níveis normais deram algum respiro ao mercado.
Intraday (15 min) contrato de dezembro/24 - CBOT

Fonte: CBOT. Elaboração: StoneX.
B3 e Câmbio | No Brasil, os preços futuros do milho seguiram Chicago para encerrar a semana em alta, mesmo com um fortalecimento do real no mercado de divisas. O contrato do milho B3 com vencimento em novembro/24 encerrou a sexta-feira (06) cotado a R$ 66,07/saca, avanço de 3,6% na semana. O mercado pode ter encontrado alguma sustentação para as altas no clima brasileiro, que será melhor explorado abaixo.
O Dólar americano teve uma semana de desvalorização relativa no mercado interbancário, conforme dados de mercado de trabalho dos EUA deram alguma sustentação para uma interpretação de que a economia norte-americana deve passar por um “pouso-suave”, ou seja, um controle de pressões inflacionárias sem ameaças recessivas. O mercado seguirá atento ao CPI dos EUA, que pode entregar alguma volatilidade até a reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), que deve iniciar o ciclo de corte de juros na maior economia do mundo na semana que vem.
Clima – Brasil | Conforme a safra norte-americana termina se desenvolver, as atenções passam a ser direcionadas à América do Sul, o que vem entregando alguma força altista para os contratos, principalmente no clima. No Brasil, conforme já vem sendo reportado há algumas semanas, o clima segue quente e seco em todo o país, o que vem fazendo com que se espere um atraso no plantio da soja e primeira safra de milho. A grande preocupação é de que esse atraso no plantio acabe gerando, no futuro, um atraso também no plantio da safrinha no ano que vem, aumentando o risco de impactos negativos na produtividade brasileira na safra 2024/25.
Exportações – Brasil | Os embarques de milho brasileiro seguiram mais lentos em comparação à média dos últimos 5 anos. Foram carregadas pouco mais de 6 milhões de toneladas no mês, colocando o acumulado da safra em 13,1 milhões de toneladas, abaixo da média de 14,3 milhões de toneladas das últimas safras. As estimativas da StoneX apontam para um ano-safra que deve terminar contabilizando embarques de 35 milhões de toneladas de milho.
Intraday (15 min) contrato de novembro/24 - B3

Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
Esta semana | Na semana iniciada neste dia 09, o mercado deverá seguir atento ao WASDE, que será publicado na quinta-feira (12). Além disso, os modelos climáticos, principalmente referentes ao Brasil e Argentina devem estar no radar, conforme se espera que o plantio da primeira safra comece nas próximas semanas, com algum atraso podendo ser registrados pela seca, conforme já comentado. Por fim, tanto os dados do CPI dos EUA quanto o comunicado de Política Monetária do Banco Central Europeu devem entregar alguma volatilidade no fronte macroeconômico.
Tabelas de preços futuros e físicos
Contratos futuros negociados na CBOT (US¢/bu)

Contratos futuros negociados na B3 (R$/sc)

Preços fisicos no Brasil (R$/sc)






