- Fatores baixistas
- Perspectiva de estoques elevados ao final dos anos safra 23/24 e 24/25;
- Número de lavouras em níveis bons/excelentes acima da média;
- WASDE revisa a produtividade norte-americana para cima mais uma vez.
- Fatores altistas
- Clima seco no Brasil
- Perspectiva do início do ciclo de corte de juros nos EUA em setembro;
- Cobertura de posições vendidas nas últimas semanas;
- Risco geopolítico no Mar Negro.
Síntese Semanal | Os futuros do milho tiveram uma semana de ganhos na CBOT, com o vencimento de dezembro/24 terminando o período negociado a US¢413,25/bu (+1,7%). Por boa parte da semana, o mercado operou lateralmente, com poucas negociações além de alguns ajustes de posições, conforme o mercado aguardava a publicação, na quinta-feira (12), do Relatório de Oferta & Demanda (WASDE) pelo USDA. Após a publicação, que apresentou um rendimento maior para o milho norte-americano – o que adicionou cerca de 1 milhão de toneladas para a oferta 2024/25 dos EUA –, os futuros reagiram negativamente, mas uma correção logo tomou conta do mercado, dada uma revisão no consumo e exportações do país, o que pressionou as perspectivas de estoques finais para ambas as safras (2023/24 e 2024/25). No entanto, na sexta-feira, o mercado reagiu com temor a um ataque russo contra um navio graneleiro no Mar Negro, o que pode ter inspirado uma cobertura de posições, guiando os futuros para o encerramento positivo.
WASDE | O WASDE de setembro, publicado na quinta-feira (12), trouxe mais uma revisão para o rendimento do milho dos EUA na safra 2024/25. O número agora aponta para uma produtividade de 11,52 toneladas/ha, 0,03 a mais do que o estimado em agosto. Por mais que o reforço nas perspectivas de rendimento recorde tenham pressionado momentaneamente os futuros do milho, revisões no consumo doméstico dos EUA na safra 2023/24 – influenciado por revisões de 380 mil toneladas dedicadas à produção de etanol no país –, além de um aumento nas exportações para a safra antiga – que cresceu mais de 1 milhão de toneladas em comparação com o número de agosto –, motivaram altas para os contratos. Com isso, os estoques finais dos EUA na safra 2024/25 serão de 52,25 milhões de toneladas, de acordo com as estimativas do USDA, 410 mil toneladas a menos do que era estimado em agosto.
Em um panorama mundial, a safra de milho sul-americana sofreu pequenas revisões, com destaque para ajustes na demanda brasileira. O consumo doméstico no Brasil foi revisado em 1 milhão de toneladas para cima, tanto na safra 2023/24 quanto na safra 2024/25. No entanto, uma redução de 2 milhões de toneladas para as exportações 2024/25 neutralizou os efeitos dessa demanda doméstica no volume de estoques finais. Vale lembrar que há uma divergência dos números do USDA com os números da StoneX para o Brasil. O volume de exportações 2023/24 esperado pela consultoria são de 35 milhões de toneladas (contra 48 milhões do departamento) e estoques de 19,44 milhões de toneladas (contra 4,84 milhões de toneladas no número do USDA).
Além disso, vale notar que a União Europeia deve colher uma safra menor em 2024/25, fazendo com que as importações de milho do bloco contabilizem 59 milhões de toneladas (1 milhão a mais do que estimado em agosto). Falando em importações, é esperado que a China receba 21 milhões de toneladas em seus portos na safra 2024/25, número 2 milhões de toneladas menor em comparação ao relatório de agosto.
O resumo do relatório pode ser acessado clicando aqui.
Mar Negro | Os níveis de tensão na região do Mar Negro aumentaram nas últimas semanas. Após a invasão ucraniana no território, dominando partes da região de Kursk, houve uma intensificação de ataques de drones em ambos os lados das fronteiras, com inclusiva a capital russa, Moscou, sendo alvo de bombardeios na semana passada. A grande notícia que movimentou os mercados de commodities, no entanto, foi o ataque da Rússia contra um navio graneleiro na região do Mar Negro, perto da Romênia. O fato inspira uma preocupação com o abastecimento de grãos no mercado global, uma vez que a Ucrânia é um importante fornecedor de grãos para Europa e China. Embora o trigo seja o mais afetado pelo movimento, dado o predomínio da produção desse cereal no solo tchernozônico, os efeitos puderam ser sentidos no milho também. Não apenas pelo fator substitutivo de culturas alimentares entre o milho e o trigo, mas também pelo fato de que a maior parte da produção de milho da ucrânia se dá na safra de primavera, que está começando a ser colhida agora. Sendo assim, uma expectativa de entrada dessa colheita de milho no mercado com alto grau de incerteza acerca do seu potencial de ser exportado acaba entrando como um fator de alta aos preços internacionais, fazendo com que os fundos busquem se proteger cobrindo suas posições vendidas e fornecendo suportes ao mercado.
Intraday (15 min) contrato de dezembro/24 - CBOT

Fonte: CBOT. Elaboração: StoneX.
Clima e preços - Brasil | Os preços brasileiros seguiram o movimento de alta em Chicago, porém em uma escala maior. O vencimento de novembro/24 na B3 encerrou a semana negociado a R$67,80/sc (+6,3%). Com o câmbio relativamente estável na comparação entre uma sexta-feira e outra, o que tem repercutido no mercado para além do cenário global, já apontado, são as preocupações climáticas, com a seca tomando conta do Brasil neste mês de setembro. O clima seco vem fazendo com que o plantio da primeira safra de soja e milho esteja mais tardio, não tendo começado na maior parte do país. Assim, existe a expectativa de que um atraso no plantio da primeira safra possa ocasionar em um atraso também para o plantio da segunda safra, o que traz um risco maior de rendimentos afetados na produção agregada da safra 2024/25. Ainda assim, é muito preliminar a estimação de efeitos substanciais para a oferta de milho brasileiro, devendo ser acompanhado ao longo do mês. As necessárias chuvas são esperadas entre o final de setembro e começo de outubro. Assim, o quando e a intensidade dessa precipitação serão fortemente acompanhados pelo mercado.
Intraday (15 min) contrato de novembro/24 - B3

Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
Daqui pra frente | Na semana que começa hoje, o mercado de grãos deve estar atento a três fatores principais. Em primeiro lugar, se trata de uma semana de decisão de juros nos EUA; assim, os agentes deverão estar atentos à intensidade do já esperado corte na taxa básica de juros da maior economia do planeta. Até a semana passada, o consenso estava mais perto de um corte de 25 pontos-base para a taxa de juros no país. No entanto, as expectativas apontam agora para um corte de 50 pontos-base. É fato que o Federal Reserve tem um importante direcionamento à sua política monetária na saúde do mercado de trabalho. Um corte mais incisivo nos juros do país apontaria para um direcionamento de demanda mais aquecida e indicadores de desemprego mais positivos no futuro. No entanto, o corte de 0,5% traria um Fed preocupado com uma recessão e um mercado de trabalho degradado no presente, apontando para riscos de recessão, e, como onde tem fumaça tem fogo, isso poderia passar o direcionamento errado para o mercado.
Além do macro, o mercado estará atento ao desenvolvimento das tensões geopolíticas no Mar Negro, conforme as tensões se aprofundam e as colheita das safras de primavera estão a todo vapor na região. Por fim, o clima brasileiro também estará no radar, conforme a safra sul-americana passa a ser protagonista como driver de preços.
Tabelas de preços futuros e físicos
Contratos futuros negociados na CBOT (US¢/bu)

Contratos futuros negociados na B3 (R$/sc)

Preços fisicos no Brasil (R$/sc)






