- Fatores baixistas
- Perspectiva de estoques elevados ao final dos anos safra 23/24 e 24/25;
- Colheita da safra norte-americana acelerada;
- Dólar valorizado em cenário de aversão ao risco global.
- Fatores altistas
- Clima seco no Brasil deve atrasar plantio da soja primeira safra, o que pode impactar o plantio da safrinha;
- Ciclo de corte de juros nos EUA deve trazer fortalecimento da demanda no médio prazo;
- Revisão para baixo nos estoques de passagem dos EUA.
Síntese semanal | Os futuros do milho tiveram uma semana de avanço em Chicago. O vencimento de dezembro/24 encerrou o dia negociado a US¢424,75/bu (+1,6%). Por trás das altas, perspectivas melhores para a produção norte-americana de etanol, o que veio contribuindo também para uma revisão para os estoques de passagem da safra 2023/24 pelo USDA, ajudaram a melhorar as perspectivas de demanda. Além disso, preços internacionais do trigo também estiveram em alta, seguindo preocupações com a oferta russa, o que ajudou a sustentar o milho. No entanto, limitando os ganhos, pode-se citar o avanço célere da colheita estadunidense e um fortalecimento do dólar frente a um cenário global de aversão ao risco.
Intraday (15 min) contrato de dezembro/24 - CBOT

Fonte: CBOT. Elaboração: StoneX.
Estoques EUA | Os dados de estoques do USDA, publicados na última segunda-feira, trouxeram um volume de estoques finais da safra 2023/24 abaixo tanto das estimativas do mercado quanto o do último WASDE. A posição dos estoques de milho em 01/09 ficou em 44,72 milhões de toneladas. O volume, que ficou cerca de 2 milhões de toneladas abaixo da média das estimativas de mercado, foi o suficiente para estimular um reajuste de posições no mercado, o que entregou altas para o milho na segunda-feira.
Estimativas StoneX – EUA | A StoneX revisou positivamente a sua estimativa para a produtividade de milho nos EUA. A média nacional deverá vir, de acordo com o número mais recente, em 11,55 ton/hectare, acima da estimativa atual do USDA, que aponta para uma produtividade de 11,48 ton/hectare. Com isso, espera-se que os EUA colham nesta safra 386,65 milhões de toneladas de milho.
Etanol – EUA | A produção de etanol nos EUA segue fortalecida, ficando acima da marca de de 1 milhão de barris por dia consistentemente nas últimas semanas. Além disso, os estoques de etanol seguem em baixa pela terceira semana consecutiva. Aliás, boa parte da redução dos estoques de milho nos EUA tratada no tópico anterior esteve associada a um aumento da demanda doméstica para a produção de etanol. Assim, a demanda por etanol nos EUA segue fortalecida.
Oriente Médio e Macro | Na última semana, o mercado acompanhou com cautela uma escalada dos conflitos no Oriente Médio. Israel vem intensificando suas operações na fronteira norte ao realizar ataques contra o Hezbollah. O fato agitou o Irã, que em represália à invasão israelense no Líbano, lançou mais de 200 mísseis contra Israel na terça-feira. O momento marcou uma intensificação dos conflitos na região, que é uma importante produtora de petróleo, dando suporte aos preços desse recurso energético. Ao longo da semana, os efeitos seguiram repercutindo, com um aumento da apreensão após o presidente dos EUA, Joe Biden, ao ser questionado se apoiaria ataques contra a infraestrutura de petróleo iraniana, responder que estava “discutindo essa possibilidade”. O fato aumentou ainda mais o risco de comprometimento da oferta iraniana, fazendo com que o petróleo encerrasse a semana com uma valorização de quase 10%.
De qualquer forma, é fato que os desejos dos EUA passam longe de uma escalada do preço internacional do petróleo. O país luta para atingir um “pouso-suave” ao resolver o problema da alta inflação dos últimos anos sem comprometer o seu mercado de trabalho. Ainda assim, pressões inflacionárias vindas do custo da energia devem agir na força contrária, a depender de como serão sentidos pelos indicadores de inflação nos próximos meses. O fato pode fazer o Fed adotar uma posição menos expansionista nas próximas reuniões de política monetária, o que pode levar a uma deterioração futura do mercado de trabalho. Toda essa situação é particularmente indesejada em um contexto de eleições no país, o que poderia enfraquecer a chapa da atual vice-presidente, Kamala Harris.
Além disso, também não é de interesse da China em uma escalada do conflito. O país asiático, que é o principal comprador de petróleo iraniano, luta por um crescimento econômico perto de suas estimativas oficiais, de 5%. Um desabastecimento energético nesse contexto é tampouco desejado por Pequim.
Trigo | Os preços internacionais do trigo vieram recebendo algum suporte ao longo dos últimos dias de uma elevação dos preços FOB do Mar Negro, onde uma seca intensa vem trazendo perspectivas piores para o plantio da nova safra de trigo. Com isso, preocupações com excedente exportável de Rússia e Ucrânia, que são importantes players no mercado internacional, voltaram a gerar temores no mercado. No meio da semana passada, os temores se fortaleceram em frente ao boato de que a Rússia poderia limitar exportações no segundo semestre se a oferta no país seguir pressionada. Todo esse contexto vem ajudando a sustentar os preços de trigo, o que tende a ter um efeito também sobre o milho por se tratar de duas das principais culturas alimentares do mundo.
Intraday (15 min) contrato de novembro/24 - B3
Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
B3, Clima e Câmbio | Os futuros negociados na B3 recuaram ligeiramente, mesmo com as altas internacionais. Pesou sobre os contratos uma realização de lucros no encerramento da semana, após ter operado com robustos ganhos entre a quarta e a quinta-feira. O vencimento de novembro encerrou o perído negociado a R$68,01/sc (-1,0%).
O dólar teve uma semana de valorização em comparação ao real, favorecido principalmente por um sentimento de aversão ao risco no mercado internacional após o acirramento dos conflitos no Oriente Médio. A divisa norte-americana também foi fortalecida por dados de emprego nos EUA acima das expectativas.
Quanto ao clima, o Brasil segue seco no centro-oeste, mas os efeitos sobre a safra de milho ainda são questionáveis, com o plantio do milho 1ª safra seguindo normal, uma vez que o clima no Sul do país segue mais favorável. O relatório de acompanhamento de safra da StoneX aponta para uma safra que já teve 32,4% de sua área plantada.
Estimativas StoneX – Brasil | Na estimativa mais recente da StoneX, os números para a 1ª safra de milho sofreram uma pequena redução com uma área esperada menor na Bahia. Com isso, o país deverá colher 24,87 milhões de toneladas de milho na 1ª safra. Repetindo-se para a safrinha a área da temporada passada e com uma produtividade dentro da média histórica, os números agregados da safra podem atingir as 123 milhões de toneladas. Mas vale lembrar que a StoneX ainda não estima a safrinha 2024/25. Com as boas chuvas no Sul do Brasil, o plantio da safra de milho está sendo menos afetada do que a soja, por exemplo, que já se encontra com o plantio atrasado no centro-oeste.
Esta semana | O mercado de milho iniciou a semana em baixa seguindo a colheita dos EUA e um dólar mais fortalecido no mercado interbancário. O mercado seguirá repercutindo o andamento do ritmo de plantio após os dados de acompanhamento da safra norte-americana, que serão publicados no final da tarde de hoje. Além disso, a situação do conflito no Oriente Médio estará no radar dos investidores conforme Israel prepara uma reação aos ataques iranianos da semana passada.
Nesta semana, no dia 10, a StoneX realizará o seu 7° seminário de Desafios e Oportunidades para os Mercados em Commodities. Você poderá realizar sua inscrição gratuitamente no evento clicando aqui.
Tabelas de preços futuros e físicos
Contratos futuros negociados na CBOT (US¢/bu)

Contratos futuros negociados na B3 (R$/sc)

Preços fisicos no Brasil (R$/sc)








