- Fatores baixistas
- Perspectiva de estoques elevados ao final dos anos safra 23/24 e 24/25;
- Colheita da safra norte-americana acelerada;
- Dólar valorizado em cenário de aversão ao risco global.
- Fatores altistas
- Clima seco no Brasil deve atrasar plantio da soja primeira safra, o que pode impactar o plantio da safrinha;
- Ciclo de corte de juros nos EUA deve trazer fortalecimento da demanda no médio prazo;
- Revisão para baixo nos estoques de passagem dos EUA.
Síntese semanal | A semana foi de desvalorização para o milho, com o vencimento de dez/24 encerrando a última sexta-feira negociado a US¢415,75/lb, uma queda de 2,1% na semana. O clima mais seco nos EUA, apesar de trazer uma preocupação com o nível dos rios do país, que são importantes para o escoamento da colheita, segue sendo benéfico para os trabalhos de campo. Motivados pelo WASDE, publicado pelo USDA na sexta-feira, uma elevação das posições vendidas ajudou a pressionar os preços.
Intraday (15 min) contrato de dezembro/24 - CBOT

Fonte: CBOT. Elaboração: StoneX.
WASDE | O Relatório de Oferta & Demanda do USDA reportou mais uma revisão positiva para a produtividade dos EUA, que ficou em 11,54 ton/ha, número próximo à última estimativa da StoneX, que colocou a produtividade de milho do país em 11,55 ton/ha. Com isso, adicionou-se cerca de 400 mil toneladas ao total da oferta estadunidense. Ainda assim, os resultados foram negativos para o agregado global.
O USDA enfim realizou uma revisão para baixo nas exportações 23/24 do Brasil, que se coloca em 46 milhões de toneladas, 2 milhões a menos do estimado no relatório de setembro. O movimento foi semelhante para a Argentina, que é estimada a exportar 3 milhões de toneladas a menos do reportado em setembro no ano-safra 23/24. Na Argentina, aliás, uma revisão no balanço de anos anteriores adicionou 1 milhão de toneladas aos estoques do país, dando espaço para revisões positivas no consumo doméstico.
Por fim, outro ponto baixista para o mercado de milho foi a perspectiva de que a China deverá exportar 2 milhões de toneladas a menos na safra 24/25, o que se justifica a partir do que vemos de ritmo de exportação de EUA e Brasil para o país asiático nos últimos meses.
Macro | O contexto macroeconômico foi fortemente impactado na última semana por temores inflacionários na economia dos EUA. Uma escalada recente nos preços do petróleo ajuda a aumentar as perspectivas de aumento de custos de produção ao longo de toda a cadeia produtiva do país norte-americano no médio-prazo. Além disso, os impactos da temporada de furacões mais ativa do que o normal deverá exigir um forte esforço de reconstrução, o que pode trazer pressão inflacionária, principalmente pensando em uma política fiscal mais ativa do governo americano dedicada a esse esforço de retomada da normalidade na região sul/sudeste do país.
Todo esse movimento, junto com um CPI de setembro que veio acima das expectativas, ajudou a aumentar o risco de os juros norte-americanos ficarem em patamares altos por mais tempo. Os temores ganharam força com a declaração do presidente do Fed de Atlanta, Raphael Bostic, que falou que estaria confortável com a manutenção do patamar atual de juros na próxima reunião do FOMC para prosseguir com o ciclo de cortes posteriormente.
Ainda assim, diversas instituições financeiras norte-americanas vieram ressaltando a crença de que a economia dos EUA vem realizando um “pouso-suave”. Se essa visão se trata de uma perspectiva otimista ou realista, será provado ao longo dos próximos meses.
Intraday (15 min) contrato de novembro/24 - B3
Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
Brasil | Os futuros de milho negociados na B3 tiveram uma valorização de 0,7% para o vencimento de novembro/24. Apesar das quedas no mercado internacional, o mercado doméstico recebeu suportes do câmbio. O Real desvalorizou quase 3% em comparação ao dólar. A semana foi marcada por um cenário de aversão ao risco no contexto internacional e preocupações com a inflação brasileira, do lado doméstico. O plantio do milho primeira safra segue normalizado, com 36,2% da área já sendo plantada. As preocupações com o clima brasileiro foram amortecidas com a chegada de chuvas em diversas partes do centro-oeste, possibilitando o avanço do plantio da primeira safra de soja.
Tabelas de preços futuros e físicos
Contratos futuros negociados na CBOT (US¢/bu)

Contratos futuros negociados na B3 (R$/sc)

Preços fisicos no Brasil (R$/sc)








