Síntese semanal | O vencimento de dezembro/25 terminou a semana negociado a US¢419/bu (-2,0%). O milho nos Estados Unidos está pendoando e o clima continua favorecendo o desenvolvimento saudável da safra. O mercado também se mantém atento às negociações comerciais entre os EUA e outros países pelo mundo. Acordos com Japão e União Europeia foram reportados, mas com efeitos marginais nas cotações. Na B3, os futuros do milho têm demonstrado uma resistência maior às pressões baixistas, tendo operado em alta ao longo de toda a semana, contrariando Chicago.
Intraday (15 min) contrato de dez/25 - CBOT

Fonte: CBOT. Elaboração: StoneX.
Safra EUA | Na semana passada, 74% das lavouras de milho estavam em condições boas ou excelentes, sendo o maior valor para esse indicador desde 2016 para essa mesma semana de referência. O fato ajudou a reforçar a tese de safra recorde. Mesmo com temores de um clima mais quente neste mês de julho, as condições seguiram favoráveis ao longo de todo o mês e, conforme a etapa de pendoamento avança, as boas perspectivas para a oferta se fortalecem. Nesta semana, as condições devem continuar favoráveis, embora seja esperado um clima levemente mais seco.
Vendas de exportação e tarifas | Na semana passada, após o reporte de vendas de exportação dos EUA, o mercado animou-se com o anúncio de uma venda feita para a China. A empolgação veio da perspectiva de um retorno do gigante asiático ao mercado americano de milho, o que poderia fornecer suportes parecidos ao que se observou em 2022 aos futuros em Chicago. No entanto, tudo não passou de um engano, uma vez que essas vendas na verdade tinham como destino a Coréia do Sul, fazendo o mercado perder parte do ânimo.
Ainda assim, as vendas de exportação se mostraram fortes na semana passada, com um saldo líquido de 1,38 milhões de toneladas vendidas somando-se a safra nova e a safra velha. Os embarques registraram baixa, conforme é esperado dentro da sazonalidade. Até agora, as vendas de exportação seguem resistentes ao contexto tarifário altamente incerto nos Estados Unidos, o que explica uma certa resistência dos futuros de milho às manchetes tarifárias.
Na semana passada, os Estados Unidos fecharam um acordo comercial com o Japão, que é o segundo principal destino de milho exportado pelo país. O acordo prevê uma maior abertura do mercado japonês ao arroz americano, o que foi bem-visto pelo setor agrícola americano. Ainda assim, do lado do milho, o acordo passou mais despercebido. De maneira geral, o mercado parece entender, por ora, que os acordos comerciais que têm sido firmados pelos Estados Unidos vão mais no sentido de manter canais já consolidados de exportação do milho americano do que de abrir novos.
Acordos com Filipinas e Indonésia também não devem passar despercebidos, mas o grande destaque vai para a União Europeia, que acordou com os EUA neste final de semana tarifas de 15%, com zeragem para produtos considerados estratégicos. Também neste final de semana, EUA e China acordaram a extensão da trégua tarifária por mais 90 dias, conforme espera-se que os presidentes de ambas as nações se encontrem nos próximos meses para discutir o tema, que é central nas discussões de praticamente todos os mercados ultimamente. O clima entre os países parece ter melhorado nos últimos dias, mas está longe de ser favorável em comparação ao contexto pré-Trump. Dessa forma, qualquer perspectiva de um acordo será bem recebida pelo mercado, mas só deve vir daqui alguns meses.