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Resumo Semanal de Milho

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Milho tem semana de baixa em Chicago; B3 se mostra mais resistente 
 
Raphael Bulascoschi
Analista de Inteligência de Mercado
Clima americano e tarifas são principais focos do mercado 
  • Fatores baixistas
  • Grande produção no Brasil;
  • Crescimento de área plantada e bons indicativos de produtividade nos EUA;
  • Incerteza tarifária;
  • Diminuição das retenciones na Argentina.
  • Fatores altistas
  • Consumo aquecido a nível global;
  • USDA estima estoques menores para a safra 2025/26 a nível global;
  • Cobertura de posições vendidas pelos fundos.

Síntese semanal | O vencimento de dezembro/25 terminou a semana negociado a US¢419/bu (-2,0%). O milho nos Estados Unidos está pendoando e o clima continua favorecendo o desenvolvimento saudável da safra. O mercado também se mantém atento às negociações comerciais entre os EUA e outros países pelo mundo. Acordos com Japão e União Europeia foram reportados, mas com efeitos marginais nas cotações. Na B3, os futuros do milho têm demonstrado uma resistência maior às pressões baixistas, tendo operado em alta ao longo de toda a semana, contrariando Chicago. 

Intraday (15 min) contrato de dez/25 - CBOT

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Fonte: CBOT. Elaboração: StoneX.

Safra EUA | Na semana passada, 74% das lavouras de milho estavam em condições boas ou excelentes, sendo o maior valor para esse indicador desde 2016 para essa mesma semana de referência. O fato ajudou a reforçar a tese de safra recorde. Mesmo com temores de um clima mais quente neste mês de julho, as condições seguiram favoráveis ao longo de todo o mês e, conforme a etapa de pendoamento avança, as boas perspectivas para a oferta se fortalecem. Nesta semana, as condições devem continuar favoráveis, embora seja esperado um clima levemente mais seco. 

Vendas de exportação e tarifas | Na semana passada, após o reporte de vendas de exportação dos EUA, o mercado animou-se com o anúncio de uma venda feita para a China. A empolgação veio da perspectiva de um retorno do gigante asiático ao mercado americano de milho, o que poderia fornecer suportes parecidos ao que se observou em 2022 aos futuros em Chicago. No entanto, tudo não passou de um engano, uma vez que essas vendas na verdade tinham como destino a Coréia do Sul, fazendo o mercado perder parte do ânimo. 

Ainda assim, as vendas de exportação se mostraram fortes na semana passada, com um saldo líquido de 1,38 milhões de toneladas vendidas somando-se a safra nova e a safra velha. Os embarques registraram baixa, conforme é esperado dentro da sazonalidade. Até agora, as vendas de exportação seguem resistentes ao contexto tarifário altamente incerto nos Estados Unidos, o que explica uma certa resistência dos futuros de milho às manchetes tarifárias. 

Na semana passada, os Estados Unidos fecharam um acordo comercial com o Japão, que é o segundo principal destino de milho exportado pelo país. O acordo prevê uma maior abertura do mercado japonês ao arroz americano, o que foi bem-visto pelo setor agrícola americano. Ainda assim, do lado do milho, o acordo passou mais despercebido. De maneira geral, o mercado parece entender, por ora, que os acordos comerciais que têm sido firmados pelos Estados Unidos vão mais no sentido de manter canais já consolidados de exportação do milho americano do que de abrir novos.  

Acordos com Filipinas e Indonésia também não devem passar despercebidos, mas o grande destaque vai para a União Europeia, que acordou com os EUA neste final de semana tarifas de 15%, com zeragem para produtos considerados estratégicos. Também neste final de semana, EUA e China acordaram a extensão da trégua tarifária por mais 90 dias, conforme espera-se que os presidentes de ambas as nações se encontrem nos próximos meses para discutir o tema, que é central nas discussões de praticamente todos os mercados ultimamente. O clima entre os países parece ter melhorado nos últimos dias, mas está longe de ser favorável em comparação ao contexto pré-Trump. Dessa forma, qualquer perspectiva de um acordo será bem recebida pelo mercado, mas só deve vir daqui alguns meses. 

 

Intraday (15 min) contrato de set/25 - B3

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Fonte: B3. Elaboração: StoneX.

Brasil | A colheita no Brasil continua acelerando, embora ainda atrasada em comparação ao ano passado. Cerca de 67,3% da área já está colhida. Nesta sexta-feira, a StoneX publicará uma atualização de sua estimativa da safra brasileira. 

Olhando para os preços, vemos uma resistência significativa na B3, com valores se sustentando acima dos R$65/saca consistentemente. Mesmo com as perspectivas de uma safrinha de milho gigante, um câmbio brasileiro mais depreciado e uma comercialização mais lenta por diversos produtores são fatores que ajudam a explicar os valores mais altos na bolsa brasileira. Já no mercado físico, os preços seguem em baixa, com a saca de milho ficando próximos dos R$45 em algumas localidades do Mato Grosso e perto dos R$50 em Goiás. 

Argentina | Na semana passada, o presidente da Argentina, Javier Milei, anunciou uma diminuição permanente das retenciones, imposto de exportação dos principais produtos agropecuários exportados pelo país. No caso do milho, a alíquota foi reduzida de 12% para 9,5%. Embora seja um passo importante – e que é baixista para outros exportadores, como Brasil e Estados Unidos – os efeitos práticos devem ser mais limitados. No início do ano, vimos uma redução provisória desses impostos e que não resultou em efeitos negativos de monta para o programa de exportação dos outros principais exportadores globais. 


Tabelas de preços futuros e físicos

 

Contratos futuros negociados na CBOT (US¢/bu)

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Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
 

Contratos futuros negociados na B3 (R$/sc)

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Fonte: B3. Elaboração: StoneX.

Preços fisicos no Brasil (R$/sc)

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Fonte: StoneX.

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