Síntese semanal | Os futuros do milho encerraram a semana perto da estabilidade. O vencimento de dezembro/25 era negociado a US¢405,25/bu, leve queda de 0,1%. O desempenho estável foi surpreendente, em vista dos resultados apresentados no início da semana pelo USDA. O departamento reforçou a estimativa de safra recorde nos Estados Unidos ao adicionar 26,3 milhões de toneladas para a produção do país. O fato, que foi o grande destaque da semana, pressionou fortemente os contratos em um primeiro momento, mas foi observada uma recuperação durante os dias seguintes.
Intraday (15 min) contrato de dez/25 - CBOT

Fonte: CBOT. Elaboração: StoneX.
WASDE | Na atualização da semana passada, o USDA trouxe uma revisão substantiva para a safra americana de milho que se manifestou em duas frentes. Em primeiro lugar, estimou-se uma produtividade média de 11,85 ton/ha, patamar recorde. Uma revisão positiva para essa variável já era aguardada: as condições da safra se mantêm muito boas desde o começo da safra, o que já fazia agentes se prepararem para essa revisão. A StoneX, por exemplo, estimava a produtividade em um número próximo ao divulgado pelo departamento, de 11,81 ton/ha. Em segundo lugar – e essa foi a grande surpresa desse WASDE – vimos uma revisão para a área plantada que resultou em um acréscimo de 850 mil hectares à área de milho no país. O resultado foi uma produção total de 425,3 milhões de toneladas para o país, maior resultado da história, elevando os estoques de passagem para 53,8 milhões de toneladas, maior nível desde 2018/19.
Ainda assim, alguma incerteza resta nesse número de estoques finais. Junto de ajustes de relevo para a oferta, o USDA costuma trazer melhores perspectivas para a demanda. A estimativa de exportações foi revisada para 73 milhões de toneladas (+5 milhões de toneladas) no ano-safra 2025/26. Por mais que o mercado exportador norte-americano esteja fortemente competitivo, atingir esse patamar será desafiador. Além disso, o consumo doméstico do país também sofreu uma revisão positiva, ficando em 332,25 milhões de toneladas (+8,8 milhões de toneladas).
No plano internacional, para além de uma revisão para baixo nas importações de milho da China, o USDA não fez grandes alterações. A produção brasileira 2024/25 segue estimada em 132 milhões de toneladas pelo departamento, número bem mais baixo do que estimativas locais têm apontado.
Conab | Além do WASDE, semana passada também foi marcada por uma revisão nas estimativas de safra da Conab. No relatório de agosto, a produção brasileira de milho foi revisada para 137 milhões de toneladas, patamar mais próximo mas ainda abaixo das 139,4 milhões de toneladas estimadas pela StoneX. Com essa produção robusta, a Conab elevou a estimativa de exportações brasileiras de milho de 36 para 40 milhões de toneladas neste ano.
As exportações continuam sendo acompanhadas com cautela. Embora a colheita de uma grande safrinha tenda a entregar grandes excedentes exportáveis, os embarques em julho ficaram 1 milhão de toneladas atrás do ano passado – e os resultados da primeira semana de agosto também apontam lentidão nas exportações. O milho brasileiro continua menos competitivo no mercado internacional. Porém, mesmo com o consumo doméstico robustecido, as exportações deverão ser uma via para ajustar o balanço interno frente a essa enorme oferta que vemos saindo dos campos. Dessa forma, um ganho de tração mais significativo dos embarques nas próximas semanas não está descartado, se as condições logísticas permitirem.