
Milho cai em reação a escalada de tensões EUA-China
- Bullish
- Consumo aquecido a nível global;
- USDA estima estoques menores para a safra 2025/26 a nível global;
- Exportações fortalecidas nos Estados Unidos;
- Comercialização brasileira lenta e consumo doméstico aquecido.
- Bearish
- Encerramento da colheita do milho safrinha no Brasil;
- Safra recorde nos Estados Unidos;
- Estoques maiores nos Estados Unidos.
Síntese semanal | Os contratos de milho recuaram para US¢413,00/bu na semana passada. Os primeiros pregões da semana foram mais estáveis para o milho. No entanto, na sexta-feira, uma escalada das tensões entre EUA e China pautou perdas para a soja e para os mercados globais, o que também resultou em pressão no mercado de milho. Além disso, as perspectivas de um possível ajuste negativo na demanda interna norte-americana também estão mais fortes, embora tenhamos pouca clareza dos fundamentos no país em face da paralisação do governo, que completará duas semanas nos próximos dias. Enquanto durar a paralização, dados como o WASDE e o relatório de vendas de exportação seguem suspensos. Outro fator baixista são as boas perspectivas para a safra brasileira: o clima tem sido favorável para a primeira safra de milho e o bom avanço do plantio da soja também sugere um plantio do milho safrinha em uma janela adequada no início do ano que vem.
Intraday (15 min) contrato de dez/25 - CBOT

Fonte: CBOT. Elaboração: StoneX.
Tensões EUA-China | No início do mês, o mercado começou a ficar otimista com a perspectiva de que Trump e Xi Jinping poderiam se encontrar pessoalmente no final do mês de outubro para discutir a relação comercial entre EUA e China. O fato tem ganhado repercussão na mídia conforme o país asiático, que é o maior importador de soja do mundo, tem evitado a soja americana, resultando em forte pressões baixistas, principalmente para os basis da porção oeste do cinturão de soja dos Estados Unidos.
Embora o mercado da soja tenha tido uma repercussão significativa, o grande foco está na questão dos metais terras-raras, que são essenciais para o desenvolvimento do setor de tecnologia e que têm na China a sua principal fonte. Na semana passada, Pequim impôs obstáculos para as exportações desses materiais, o que teria grande impacto para o crescimento do setor de tecnologia. Por isso, os nervos em Washington se acirraram, com Trump declarando que não tinha mais interesse em avançar com as negociações com a China em um contexto em que o país asiático mantém uma política econômica contrária às aspirações americanas.
A deterioração do diálogo pressionou os mercados globais, o que acabou também repercutindo negativamente para o milho. Embora a China não seja um importante comprador do milho americano, uma força baixista para a soja tende a ressoar para o mercado do cereal em função de uma possibilidade de transição de área plantada no futuro caso os EUA se mantenham com dificuldades para exportar a oleaginosa. Além disso, uma tensão comercial maior entre as duas maiores potências econômicas globais tende a fortalecer a tese de um crescimento econômico mais lento, o que penaliza a precificação do complexo de commodities.
Comunicado | Na quarta-feira (15/out), a StoneX realizará o seu 8º Seminário anual de Perspectivas para o mercado de commodities. Pela manhã, haverá uma apresentação sobre o mercado de grãos. O evento será online e gratuito e as incrições podem ser feitas clicando aqui.
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Intraday (15 min) contrato de nov/25 - B3

Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
Brasil | Os preços de milho no Brasil foram na contramão da trajetória internacional, tendo sido observada uma valorização significativa na B3, onde o futuro com vencimento em novembro encerrou a semana negociado a R$67,88/saca (+2,8%).
Por mais que o contexto internacional seja de queda e as perspectivas para a safra brasileira 2025/26 ainda se mantenham positivas, o mercado opera em reação a uma demanda doméstica bastante fortalecida. Além disso, vale observar que as exportações também mostraram um bom desempenho nas últimas semanas, tendo fechado o mês de setembro em 7,6 milhões de toneladas, colocando os embarques acumulados a frente do que foi visto no ano passado. Ainda assim, o Brasil deve exportar pouco menos do que era inicialmente esperado. Dessa forma, a StoneX provavelmente realizará uma revisão para seus números de exportação 2024/25 na estimativa de novembro, que contará também com os primeiros levantamentos para a safrinha 2025/26.
Contratos futuros negociados na CBOT (US¢/bu)

Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
Contratos futuros negociados na B3 (R$/sc)


Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
Preços físicos no Brasil (R$/sc)


Fonte: StoneX.
AGENDA DE INDICADORES ECONÔMICOS
