- Produção mundial 2023/24 estimada acima do consumo, segundo o USDA;
- Melhora da produtividade com o avanço da colheita no Brasil;
- USDA corta safra brasileira em 155 milhões de toneladas;
- Safra ainda deve ser favorável na Argentina;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Perspectivas de crescimento de área nos EUA;
- Número mais baixo de produção da Conab;
- Esmagamento recorde nos EUA em março/24;
- Elevada posição liquida vendida dos fundos especulativos;
- Bolsa de Buenos Aires corta safra argentina 23/24;
- Situação argentina ainda favorece reter a soja como um seguro.
As cotações da soja registraram mais uma semana de queda em Chicago, com o vencimento para maio encerrando a sexta-feira (dia 19) em 1150,5 cents por bushel, recuo de 2% no período. Os preços mais baixos até atraíram compradores ao mercado em alguns momentos, mas a falta de novos fundamentos pelo lado da alta prevaleceu.
O mercado continua monitorando a finalização da colheita no Brasil, ainda com dúvidas sobre o tamanho da safra, em meio às estimativas divergentes, o desenvolvimento e início da colheita na Argentina e o ritmo da demanda. Além disso, destaca-se que o plantio nos EUA está em andamento, com o USDA tendo começado a divulgar seu acompanhamento semanal.
A diferença entre Conab e USDA quanto às estimativas para a produção brasileira 23/24 não foram solucionadas nas últimas divulgações e devem continuam gerando dúvidas no mercado. Apesar de o número da Conab ser considerado o oficial, o mercado parece estar considerando uma produção maior, dado o impacto praticamente nulo na evolução dos preços. Cabe lembrar que a produção do USDA, em 155 milhões de toneladas configura uma das mais altas do mercado. O último número da StoneX ficou em 150,8 milhões de toneladas.
Em relação à Argentina, a Bolsa de Buenos Aires indicou 13,9% das lavouras de soja já colhidas até a última quarta-feira (dia 17), havendo atraso de 22 p.p. em relação à média de cinco anos devido à ocorrência de chuvas principalmente em áreas da província de Entre Rios e da região norte do país. Houve o aumento de 1 p.p. das lavouras em condições regulares/ruins, atingindo 23% do total, mas, por enquanto, a estimativa de produção foi mantida em 51 milhões de toneladas.
Nos EUA, o primeiro acompanhamento de safra para a soja 24/25 indicou 3% das lavouras semeadas até o domingo (dia 14), nível em linha com o ano passado e acima da média de cinco anos, em 1%. A soja tem um ciclo algumas semanas mais tardio que o milho, mas há algum registro de produtores dando início antecipado ao cultivo da oleaginosa, que poderia ser um fator a beneficiar os rendimentos. De qualquer forma ainda é cedo e não se pode afirmar que seja um comportamento generalizado e que vai se manter.


Pelo lado da demanda, a soja brasileira continua competitiva em relação à norte-americana para a China, com o país asiático concentrando seu interesse no produto com origem no Brasil. Ademais, a recente alta do dólar favorece ainda mais a competitividade da soja brasileira e contribui para algum avanço nas negociações por parte dos produtores. Segundo acompanhamento da StoneX, divulgado na última sexta-feira (dia 19), 48,2% da soja 23/24 foram vendidos, próximo ao nível de abril do ano passado para a safra 22/23, quando alcançava 50%. Com o avanço da colheita, houve alguma aceleração nas vendas, mas que ainda permanecem lentas em comparação a anos anteriores (exceto 22/23).
Já as vendas de exportação dos EUA na semana encerrada em 11/04 alcançaram 485,8 mil toneladas para a safra 23/24, no intervalo das estimativas do mercado, que iam de 300 a 650 mil toneladas. No acumulado, foram negociadas 41,3 milhões de toneladas, frente a 50,1 milhões na mesma semana do ano passado. A China é responsável por 7,4 milhões de toneladas dessa diferença.

Em relação ao consumo doméstico dos EUA, a NOPA (Associação Nacional de Processadores de Oleaginosas, na sigla em inglês) divulgou que foram esmagadas 5,35 milhões de toneladas de soja em março, recorde histórico superando o pico anterior, de dezembro de 2023, mas ficou levemente abaixo da média das expectativas do mercado, em 5,38 milhões de toneladas. Com esse esmagamento, os estoques de óleo atingiram 839,6 mil toneladas, superando o esperado pelo mercado, e sinalizando que a produção pode estar acima do que o mercado consegue absorver, com o óleo norte-americano podendo “voltar” ao mercado exportador, além de dúvidas quanto ao segmento de diesel renovável do país.
Nesta semana que começa, além do andamento das safras ao redor do mundo, e do acompanhamento pelo lado da demanda, com qualquer notícia vinda da China podendo movimentar o mercado, há divulgações macroeconômicas de peso, como o PIB e a inflação dos EUA.








