- Produção mundial 2023/24 estimada acima do consumo, segundo o USDA;
- Melhora da produtividade com o avanço da colheita no Brasil;
- USDA estima safra brasileira em 155 milhões de toneladas;
- Safra ainda deve ser favorável na Argentina;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Perspectivas de crescimento de área nos EUA;
- Número mais baixo de produção da Conab;
- Possível impacto das chuvas no ritmo de plantio dos EUA;
- Chuvas torrenciais no Rio Grande do Sul gerando alagamentos;
- Elevada posição liquida vendida dos fundos especulativos;
- Bolsa de Buenos Aires corta safra argentina 23/24;
- Situação argentina ainda favorece reter a soja como um seguro.
Na semana passada as cotações da soja registraram ganhos, com o vencimento para julho terminando a sexta-feira (dia 03) em 1215 cents por bushel, alta de 3,2% no período.
Esses ganhos foram motivados por preocupações com o ritmo de plantio nos EUA e com os alagamentos no Rio Grande do Sul, aqui no Brasil, e se concentraram mais no final da semana.
Os preços continuaram pressionados nos últimos pregões de abril, mesmo com a greve anunciada em portos argentinos, contra as medidas fiscais e trabalhistas que vêm sendo aprovadas pelo governo do presidente Javier Milei. Contudo, já na terça-feira (dia 30/04), o sindicato dos trabalhadores de oleaginosas (SOEA) suspendeu a greve, com as atividades começando a voltar ao normal.
A Argentina se destaca na exportação mundial de farelo e óleo de soja e, com a recuperação da safra no país, a expectativa é de que os volumes esmagados e exportados voltem aos níveis usuais, após terem caído em decorrência da grande quebra no ano passado.


Ainda pelo lado da demanda, o ritmo mais fraco de vendas e embarques dos EUA continua sendo um fator a pesar sobre as cotações. Na semana encerrada em 25/04, foram inspecionadas para embarque 250,3 mil toneladas de soja, volume mais baixo que uma semana antes e que o registrado no mesmo período do ano passado. No acumulado, foram inspecionadas 38,75 milhões de toneladas de soja da safra 23/24, volume que indica que o USDA pode ainda estar superestimando as exportações do ciclo, em 46,3 milhões de toneladas, mesmo com o pequeno corte feito no relatório de abril e com um número 14,7% mais baixo que o do ciclo 22/23.
As vendas de exportação da safra 23/24 alcançaram 414 mil toneladas também na semana encerrada em 25/04, volume que ficou no centro das estimativas do mercado, que iam de 100 a 700 mil toneladas. No acumulado, foram negociadas 46,3 milhões de toneladas, o que representa um atraso em relação ao necessário de apenas 850 mil toneladas. Dessa forma, é preciso acompanhar o ritmo dos embarques para avaliar se esse volume será efetivamente exportado ou se haverá cancelamentos e/ou rolagens para a próxima safra.

Da metade para o final da semana, as preocupações com impactos do clima sobre a safra no Brasil e nos EUA abriram espaço para uma cobertura de posições vendidas por parte dos fundos.
Nos EUA, o início do plantio se mostrou mais adiantado, tendo alcançado 18% no domingo 28/04, acima da mesma semana do ano passado, quando estava em 16%, e da média de 5 anos para o período, em 10%. Contudo, as previsões de chuva para o país nas próximas semanas têm trazido questionamentos sobre possíveis atrasos, apesar de para a soja não ser tão preocupante, devido à janela uma pouco mais tardia que a do milho e ao ritmo acelerado no início do ciclo. Mesmo assim, qualquer coisa que ameace de alguma forma a safra dos EUA tem o potencial de movimentar as cotações.
Já no Brasil, as preocupações estão relacionadas à safra de soja no Rio Grande do Sul, após as chuvas torrenciais que afetaram o estado entre o final de abril e o início de maio, trazendo destruição e perdas humanas.
Ainda não é possível avaliar os impactos sobre as lavouras de soja, mas a metade sul do estado, que colhe mais tarde, é a que pode sofrer prejuízos, uma vez que há regiões alagadas. Essa metade sul, cujas lavouras ainda não foram colheitas, representaria até 20% do total da safra do estado. É preciso considerar também os impactos em qualidade, uma vez que, mesmo não perdendo a safra, os grãos podem reduzir qualidade, situação que também se aplica ao que já foi colhido e está armazenado em estruturas que foram alagadas. Contudo, mesmo que haja perda de qualidade, com essa soja não se qualificando, por exemplo, para exportação, não é possível dizer que seria uma perda irreversível, podendo ainda ser utilizada, a depender das condições, mas sofrendo descontos em preço.
Assim, nesse momento, não se pode estimar com confiança o tamanho das perdas nas lavouras e também em relação ao que já foi colhido. Destaca-se, por outro lado, que a logística deve encarecer, mesmo que haja rotas alternativas para se escoar os grãos até o porto e as regiões de consumo, já que rodovias e ferrovias foram extremamente afetadas.
Nesta semana que começa, a situação do Rio Grande do Sul deve continuar sendo acompanhada, assim com o andamento da safra norte-americana e destaca-se a divulgação do relatório de oferta e demanda do USDA (WASDE, na sigla em inglês), que será divulgado na sexta-feira (dia 10), trazendo os primeiros números para a safra global 24/25.








