- Fatores baixistas
- Produção mundial 24/25 amplia diferença frente ao consumo, segundo o USDA;
- Melhora da produtividade com o avanço da colheita no Brasil;
- USDA estima safra brasileira 23/24 em 154 milhões de toneladas;
- Conab eleva safra de soja 23/24;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Perspectivas de crescimento de área nos EUA.
- Fatores altistas
- Impacto das chuvas no ritmo de plantio dos EUA;
- Perdas de safra nos Rio Grande do Sul, devido a inundações;
- Bolsa de Buenos Aires cita preocupações com ritmo de colheita e rendimento no norte do país e corta estimativa de safra para 50,5 milhões de toneladas.
- Fundos especulativos reduzem posição vendida;
- USDA continua apostando em importações chinesas muito aquecidas.
As cotações da soja apresentaram pouca variação nos primeiros quatro pregões da semana passada, mas a alta expressiva na sexta-feira (dia 17), condicionou o fechamento positivo, com o vencimento para julho terminando em 1228 cents por bushel, ganhos de 0,7% no período. Por outro lado, os contratos da safra nova encerram a semana em leve baixa.
Essa alta dos contratos mais próximos no último pregão da semana foi condicionada por preocupações renovadas com a safra brasileira, com previsões de chuvas no Rio Grande do Sul. Ademais, o ritmo do plantio nos EUA continua no radar, com ocorrência de precipitações resultando em atrasos no campo.
A colheita da safra de soja 23/24 do Brasil está caminhando para o final, tendo alcançado 97,8% do total na última sexta-feira (dia 17), com os trabalhos finalizados na maioria dos estados, enquanto a situação gaúcha continua sendo monitorada. A colheita no estado alcançou 86%, com os produtores avançando o máximo que podem após as enchentes. Destaca-se que, mesmo com a colheita avançando, muita soja está sendo retirada do campo com umidade excessiva e problemas de qualidade. Assim, a estimativa da StoneX, de perda de 3 milhões de toneladas na safra de soja do país, ainda não leva em conta essas questões de qualidade, que, apesar de não significarem uma perda de safra, resultam em desvalorização do produto, com aplicação de descontos em preço. Para os próximos dias, as previsões ainda indicam a ocorrência de chuvas no estado, que mesmo em menor volume trazem preocupação, num momento em que os prejuízos ainda estão sendo avaliados.
Destaca-se que a Conab atualizou seu levantamento mensal de safra na terça-feira (dia 14), mas ainda não avaliou plenamente os prejuízos das chuvas excessivas no Rio Grande do Sul, com um ajuste mais preciso devendo ocorrer na próxima divulgação. Assim, a estimativa de produção de soja 23/24 para o Brasil subiu em quase 1,2 milhão de toneladas, alcançando 147,7 milhões em decorrência de revisões na área plantada, em especial nos estados de Maranhão, Goiás, Pará, Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Por outro lado, houve um pequeno corte na produtividade média nacional esperada, que passou de 3,24 para 3,23 toneladas por hectare, diante de questões climáticas, com um corte da produtividade do Rio Grande do Sul para 3,17 toneladas por hectare, o que ainda indicaria uma safra dentro da normalidade, mas novos ajustes devem ocorrer no futuro.


Ainda em relação ao clima, nos EUA o andamento do plantio continua registrando um ritmo mais lento que nas semanas iniciais, devido à ocorrência de chuvas no Meio Oeste. Até o domingo dia 12, o USDA indicou que o plantio da safra 24/25 estava 35% completo, percentual abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, quando alcançava 45%, e 1 p.p. acima da média de cinco anos, que estava em 34%. Até a próxima sexta-feira (dia 24), ainda são esperadas chuvas mais pesadas em parte do Meio Oeste, com destaque para o norte de Nebraska, leste de Dakota do Sul e Minnesota. Já a partir do final de semana, as precipitações devem ficar mais leves, favorecendo a umidade do solo, sem trazer maiores problemas para o andamento do plantio.
Em relação à safra Argentina, a colheita alcançou 63,7% na última quarta-feira (dia 15), de acordo com a Bolsa de Buenos Aires, um avanço semanal de 15,8 p.p.
Contudo, destaca-se que a Bolsa trouxe mais uma pequena redução na safra de soja esperada para o país, que passou de 51 para 50,5 milhões de toneladas, com destaque para os rendimentos mais fracos no norte de Santiago del Estero e no Chaco, que estão se mostrando mais baixos que o esperado. Este nível está em linha com o esperado pelo USDA, em 50 milhões de toneladas e ainda representa uma ampla recuperação frente ao ano passado, muito afetado pelo La Niña.
Pelo lado da demanda, as exportações dos EUA continuam no radar, com as vendas da safra 23/24 na semana encerrada em 09/05 tendo ficado em 265,7 mil toneladas, abaixo do piso das estimativas, que iam de 300 a 550 mil toneladas, com a China não estando presente entre os destinos. No acumulado, foram negociadas 42,6 milhões de toneladas, com a estimativa de exportações do USDA para o ciclo em 46,3 milhões, faltando pouco menos de quatro meses para o encerramento do ano safra.

A participação menor da China tem sido uma tendência, com o produto do Brasil se mantendo mais competitivo que o norte-americano e com as questões geopolíticas com os EUA sempre no radar.
Na semana passada, o governo Biden anunciou alíquotas maiores para produtos chineses, mas não incluiu o óleo de cozinha usado (UCO, na sigla em inglês) na lista de produtos afetados. Com isso, o fluxo de UCO da China para o EUA deixa o balanço de oferta e demanda de óleos do país mais folgado.
Foi divulgado também o dado de esmagamento de soja dos EUA, da Associação Nacional de Processadores de Oleaginosas (NOPA, na sigla em inglês), que trouxe 4,52 milhões de toneladas para o mês de abril, o que representa uma forte queda em relação a março e ficou bem abaixo da média esperada pelo mercado, em 4,98 milhões de toneladas. Havia rumores de plantas em manutenção no Meio Oeste, mas não se esperava esse resultado. Destaca-se que os estoques de óleo de soja caíram para 796,1 mil toneladas, o que ainda seria um nível elevado, considerando a queda no esmagamento, indicando uma demanda mais fraca pelo produto. Mesmo com esse resultado, a estimativa do USDA de esmagamento no ciclo 23/24, em 62,6 milhões de toneladas, ainda seria atingida.
Nesta semana que começa, o clima deve continuar no radar, tanto nos EUA, quanto aqui no Brasil. Nesta segunda-feira (dia 20), o USDA atualiza seu acompanhamento de safra às 17h. Além do mais, o andamento da demanda também é seguido de perto.






