- Fatores baixistas
- Produção mundial 24/25 amplia diferença frente ao consumo, segundo o USDA;
- Melhora da produtividade com o avanço da colheita no Brasil;
- Margens de esmagamento mais pressionadas na China;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Perspectivas de crescimento de área nos EUA.
- Fatores altistas
- Mudanças de impostos nos Brasil, devem impactar empresas exportadoras;
- Perdas de safra nos Rio Grande do Sul, devido a inundações;
- Fundos especulativos reduzem posição vendida;
- USDA continua apostando em importações chinesas muito aquecidas.
As cotações da soja em Chicago terminaram a semana passada em queda, mas registraram também períodos de alta durante o período. O vencimento para julho encerrou a sexta-feira (dia 07) em 1179,25 cents por bushel, queda de 2,1%.
A safra norte-americana 24/25 continua sendo acompanhada de perto, com as preocupações em relação ao ritmo do plantio tendo arrefecido, à medida que o andamento dos trabalhos no campo se mantém acima da média de cinco anos e que o clima não tem trazido maiores ameaças.
Na semana encerrada em 02/06, 78% da safra de soja dos EUA já estava semeada, contra a média de cinco anos em 73%. No ano passado, o ritmo estava mais adiantado, com o registro de 89% dos trabalhos completos nesse período. As previsões climáticas indicam um padrão mais seco em todo Meio Oeste até o final de semana, quando deve voltar a chover no norte da região produtora, na fronteira com o Canadá.
No Brasil, a StoneX atualizou sua estimativa para a safra brasileira 23/24, com a produção caindo para 149 milhões de toneladas, 1,2% a menos que o divulgado no início de maio. Essa queda foi motivada pelo corte de três milhões de toneladas na safra do Rio Grande do Sul, devido às enchentes que afetaram o estado entre o final de abril e início de maio. Como faltava colher parte da soja, principalmente na metade sul do estado, o evento climático extremo levou a perdas de produtividade no campo. Por outro lado, a revisão positiva nos estados de Mato Grosso e Goiás, compensou parcialmente as perdas gaúchas. Nestes dois estados, apesar da colheita já finalizada, a área foi revisada para cima, com impactos positivos na produção.
Destaca-se, que a Emater do Rio Grande do Sul cortou sua estimativa para a soja no estado em 2,7 milhões de toneladas, devido ao fenômeno climático extremo, com a produção ficando em 19,5 milhões de toneladas. Já o número da StoneX para a safra gaúcha de soja passou de 23 para 20 milhões de toneladas. A colheita da safra no estado está caminhando para o final, tendo alcançado 97% na última sexta-feira (dia 07), de acordo com a StoneX.
Na Argentina, a ausência de chuvas permitiu o avanço dos trabalhos no campo, com a colheita entrando na sua reta final, tendo alcançado 92,2% do total na quarta-feira (dia 05), de acordo com a Bolsa de Buenos Aires. A estimativa de produção de soja 23/24 do país continua em 50,5 milhões de toneladas.


Quanto à demanda, as vendas de exportação dos EUA na semana encerrada em 30 de maio ficaram em 189,6 mil toneladas para a safra 23/24, volume no piso das estimativas do mercado, que iam de 175 a 650 mil toneladas. No acumulado, foram negociadas 43,4 milhões de toneladas, volume que está em linha com o necessário para se alcançar a estimativa de exportações do USDA, em 46,3 milhões de toneladas.
No Brasil, as exportações de soja fecharam o mês de maio em 13,5 milhões de toneladas, abaixo das 15,6 milhões registradas no mesmo mês do ano passado. No acumulado desde janeiro, foram embarcadas 50,2 milhões de toneladas, volume ainda superior ao registrado nos primeiros cinco meses de 2023, quando o acumulado alcançou 49 milhões de toneladas. De qualquer forma, a expectativa é que nos próximos meses os volumes embarcados diminuam, seguindo a sazonalidade mais usual das exportações brasileira, além da menor disponibilidade, uma vez que a safra 23/24 foi menor que o recorde registrado no ciclo 22/23.
Ainda em relação à soja brasileira destaca-se, que a comercialização da continua mais lenta, a exemplo do que já ocorreu com a safra 22/23. Até o dia 06/06, de acordo com a StoneX, tinham sido negociadas 62,1% da safra 23/24 de soja e 10% da oleaginosa 24/25, que vai começar a ser semeada em setembro. É preciso destacar que, mesmo com esse ritmo mais lento das negociações, não significa que não vai ter soja disponível para esmagamento ou exportação. As informações de comercialização se referem ao quanto o produtor já fixou da safra. O produto físico acaba sendo movimentado pelas tradings e outras empresas, já que falta capacidade de armazenamento e o produtor recorre a terceiros.

Outro destaque da semana passada aqui no Brasil foi a edição da Media Provisória (MP) 1.227/24, que alterou a utilização dos créditos do PIS/Cofins e o ressarcimento dos créditos presumidos desses impostos. A partir dessa medida, os créditos poderão ser utilizados somente para compensação de PIS/Cofins em outras etapas da cadeia, não podendo fazer a compensação de outros tributos, como ocorria antes. Apesar de não mudar a carga tributária, na prática, as empresas precisarão usar recursos próprios para o pagamento de impostos que antes seriam compensados, o que impacta o caixa. Essa medida tende a afetar empresas exportadoras, que não pagam PIS/Cofins e não vão poder abater outros impostos federais com os créditos acumulados em etapas anteriores.
Nesta semana que começa, serão divulgados os relatórios mensais do USDA e da Conab. No caso do USDA, não são esperadas mudanças significativas para a safra 24/25 dos EUA, com a revisão da área plantada sendo aguardada no final de junho, enquanto ajustes de produtividade que levem em consideração dados coletados no campo, devem ocorrer somente em agosto. De qualquer forma, possíveis revisões da safra de América do Sul 23/24 podem acontecer. Já a Conab deve trazer uma melhor avaliação dos impactos das enchentes no Rio Grande do Sul.








