- Fatores baixistas
- Produção mundial 24/25 amplia diferença frente ao consumo, segundo o USDA;
- Melhora da produtividade com o avanço da colheita no Brasil;
- Margens de esmagamento mais pressionadas na China;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Perspectivas de crescimento de área nos EUA.
- Fatores altistas
- Clima mais seco no leste do cinturão dos EUA;
- Perdas de safra nos Rio Grande do Sul, devido a inundações;
- Fundos especulativos reduzem posição vendida;
- USDA continua apostando em importações chinesas muito aquecidas.
As cotações da soja em Chicago alternaram entre os campos positivo e negativo na semana passada e encerram o período perto da estabilidade. O vencimento para julho terminou a sexta-feira (dia 14) em 1179,75 cents por bushel. Os vencimentos mais distantes registraram baixa na semana.
O andamento da safra dos EUA continua sendo um fator central na movimentação das cotações, com o ritmo dos trabalhos no campo e o clima no radar. Na semana encerrada em 09/06, o plantio da safra 24/25 do país alcançou 87% do total, mantendo-se acima da média de cinco anos, em 84%, apesar de abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, em 95%. A despeito de alguns atrasos, principalmente em maio, o ritmo da semeadura da soja sempre se manteve acima da média, reduzindo as preocupações com potenciais impactos negativos de atrasos.
As previsões climáticas também contribuíram para movimentar os preços. Alguns modelos indicando um clima mais seco, principalmente no leste do cinturão norte-americano, trouxeram preocupações, mas ainda é cedo para a soja. A partir de julho e principalmente em agosto, o comportamento do clima tende a preocupar mais. Neste último final de semana, foram registradas chuvas mais pesadas no oeste e noroeste do cinturão e as previsões indicam que essas áreas devem continuar mais úmidas, enquanto o leste da região produtora fica mais seco até o próximo final de semana. A partir de sábado (dia 22), o regime de chuvas deve voltar a ficar mais regular, sem grandes secas ou volumes excessivos de precipitação.
A divulgação do relatório mensal do USDA não trouxe maiores novidades. Destaca-se que para o ciclo 23/24 dos EUA, houve um pequeno corte no esmagamento que se refletiu nos estoques finais estimados, passando de 9,25 para 9,53 milhões de toneladas, lembrando que no final de junho, será divulgada a posição trimestral dos estoques, juntamente com a área plantada da safra 24/25.
Esses estoques levemente maiores foram a única mudança carregada para a safra norte-americana 24/25. Além da área plantada, que será incorporada no relatório de julho, a produtividade da safra nova só deve ser alterada a partir de agosto, com dados também qualitativos.
Para o Brasil, o USDA cortou a estimativa da safra 23/24, de 154 para 153 milhões de toneladas, o que ainda mantém o número do Departamento americano como um dos mais altos entre as várias estimativas do mercado, mesmo com as enchentes que afetaram a safra do Rio Grande do Sul, segundo maior produtor da oleaginosa nessa temporada.
Para Argentina e China, o USDA não trouxe alterações em relação aos números de maio.


No Brasil, a Conab também atualizou seu levantamento mensal de safra, trazendo um leve aumento da área nacional e queda na produtividade média, que levaram a produção brasileira 23/24 estimada a aumentar para 147,35 milhões de toneladas. Destaca-se que a Companhia trouxe uma queda de 9% na produtividade média gaúcha, devido às chuvas torrenciais, que ficou em 2985 kg por hectare, com a produção do estado em 20,2 milhões de toneladas.
Na Argentina, a colheita da soja está em sua reta final, tendo alcançado 96% na última quarta-feira (dia 12). Os rendimentos do que foi plantado mais tarde foram beneficiados pelas chuvas ocorridas a partir da segunda quinzena de fevereiro, levando a resultados acima do esperado em algumas regiões, como no norte de La Pampa, oeste de Buenos Aires e sul de Córdoba.
Com isso, as produtividades mais fracas, obtidas principalmente mais ao norte da região produtora, acabam sendo contrabalançados. A Bolsa de Buenos Aires continua mantendo sua estimativa de safra de soja 23/24 em 50,5 milhões de toneladas.
Pelo lado da demanda, o comportamento chinês é seguido de perto, com as margens de esmagamento mais pressionadas à medida que os prêmios no Brasil reagem. A soja brasileira para a China continua mais competitiva que a norte-americana saindo pelo Golfo, mas o impacto dos prêmios mais altos na demanda chinesa é seguido de perto.
As vendas de exportação dos EUA na semana encerrada em 06/06 atingiram 377,1 mil toneladas, volume no intervalo das estimativas, que iam de 150 a 550 mil toneladas. A China foi responsável por cerca de um quarto do volume semanal negociado. No acumulado, as vendas da safra norte-americana 23/24 estão em 43,8 milhões de toneladas, com a projeção de exportações do USDA até agosto, em 46,3 milhões.

Nesta semana que começa, o mercado deve continuar atento à safra norte-americana, com quaisquer questões climáticas podendo movimentar as cotações. No Brasil, destaca-se que os dados preliminares semanais de exportação também atraem a atenção, com a primeira semana de junho tendo registado embarques em 3,6 milhões de toneladas.








