- Fatores baixistas
- Produção mundial 24/25 amplia diferença frente ao consumo, segundo o USDA;
- Decisão de tribunal nos EUA desfavorável aos biocombustíveis;
- Margens de esmagamento mais pressionadas na China;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Finalização da colheita na Argentina, com safra robusta;
- Condições de safra favoráveis nos EUA.
- Fatores altistas
- Medidas de incentivo adotadas pelo governo chinês;
- Fundos com elevada posição vendida
- Esmagamento aquecido nos EUA;
- Conversão de plantas para diesel renovável na Califórnia;
- USDA aumenta novamente as importações chinesas.
As cotações da soja em Chicago alternaram entre altas e baixas na semana anterior e terminaram o período com ganhos para os contratos mais distantes, enquanto vencimento para agosto encerrou a sexta-feira (dia 26) em 1077,5 cents por bushel, queda de 1,8% no período, influenciado pelo menor volume.
Destaque para os cortes das taxas de juros na China, interpretados como um esforço do país para incentivar sua economia. Com isso, houve cobertura de posição vendidas por parte dos fundos, após os níveis recordes terem sido atingidos na divulgação do CFTC, referente ao dia 16/07.
Contudo, mesmo com esse esforço do governo chinês, há dúvidas sobre os impactos mais diretos sobre o complexo de soja, que está também relacionado a outros fatores como o crescimento da população. De qualquer forma, essas medidas de incentivo foram bem recebidas, apesar de ainda ser cedo para perceber uma influência mais significativa sobre o segmento de proteína animal.
Apesar dessa surpresa com o corte de taxas de juros pela China, a safra norte-americana continua no centro das atenções, com seu andamento favorável mantendo a pressão sobre os preços da soja. O acompanhamento dos USDA, referente à semana encerrada em 21 de julho, manteve novamente o percentual bom/excelente das lavouras em 68%, nível bastante superior à média de cinco anos para o período. Essas condições favoráveis, se mantidas, podem significar uma produtividade acima da tendência.
O clima vai continuar sendo acompanhado de perto, com as previsões para essa semana indicando chuvas na maior parte do Meio Oeste, com destaque para as áreas mais a leste, enquanto a partir do próximo final de semana, o padrão deve ficar mais seco. Ademais, as temperaturas também tendem a subir, após os níveis mais amenos das últimas semanas. Como a soja está entrando na sua fase crítica, o enchimento de grão, se houver uma seca persistente, por exemplo, o cenário favorável atual poderá sofrer mudanças.


Em relação à demanda, destaca-se que o Brasil exportou 7,7 milhões de toneladas nas primeiras três semanas de julho, volume ainda bastante aquecido, que levou o acumulado desde o início de janeiro para 71,9 milhões. Como a safra 23/24 foi menor, devido às questões climáticas, os próximos meses devem ser de embarques mais fracos. De qualquer forma, mesmo no período de entressafra e com os embarques tendo sido muito aquecidos nos últimos meses, a soja brasileira para a China se mantém mais competitiva que a norte-americana.
As vendas de exportação dos EUA na semana encerrada em 18 de julho alcançaram somente 88,6 mil toneladas para a safra 23/24 e 829,7 mil para o ciclo 24/25. No caso da temporada 23/24, que se encerra no final de agosto, mesmo com esse resultado mais baixo, a estimativa de exportações do USDA para o ciclo, em 46,3 milhões de toneladas, tende a ser alcançada.

Na sexta-feira (dia 26), a China anunciou novas medidas de estímulo, com o objetivo de incrementar o consumo no país, podendo inclusive reorganizar/absorver algumas empresas de suínos menos lucrativas.
Contudo, as cotações da soja recuaram fortemente no dia, em meio ao bom andamento da safra 23/24 dos EUA e sob influência do tombo do óleo de soja.
O óleo vegetal foi influenciado pela notícia de que um tribunal federal de apelações rejeitou uma decisão de 2022 da Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos Estados Unidos, que proibia isenções temporárias da necessidade de misturar biocombustíveis a diversas refinarias de petróleo de pequeno porte, medida que pode reduzir a demanda por óleo de soja. Nos últimos anos, os EUA têm investido no segmento de biocombustíveis a base de óleo de soja, com destaque para o diesel renovável, situação que reforçou e continua reforçando o esmagamento doméstico. Assim, essa decisão tem o potencial afetar a demanda interna pelo grão norte-americana, num momento em que o Brasil compete fortemente no segmento das exportações.
Qualquer fator que possa reduzir a demanda por soja sempre traz preocupações, num momento em que não há maiores ameaças pelo lado da oferta, com o USDA estimando uma diferença importante entre a produção e o consumo mundiais de soja.
Com a queda expressiva das cotações da oleaginosa no último pregão da semana, estima-se que os fundos especulativos tenham retomado as posições vendidas que tinham sido cobertas nas primeiras sessões do período.
Nesta semana que começa, a safra norte-americana deve continuar sendo o principal fator pelo lado da oferta, com o clima e a possibilidade de mudança para um padrão mais seco no radar, com a soja entrando no enchimento de grão.
A StoneX divulgará seus primeiros números para a safra 24/25 do Brasil na próxima quinta-feira (dia 01/08).






