- Fatores baixistas
- Produção mundial 24/25 amplia diferença frente ao consumo, segundo o USDA;
- StoneX estima produtividade recorde para os EUA;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- StoneX estima produção recorde para a safra brasileira 24/25;
- Condições de safra favoráveis nos EUA.
- Fatores altistas
- Medidas de incentivo adotadas pelo governo chinês;
- Fundos com elevada posição vendida
- Esmagamento aquecido nos EUA;
- Conversão de plantas para diesel renovável na Califórnia;
- Investigação quanto a fraude em UCO importado pelos EUA da China;
- USDA aumenta novamente as importações chinesas.
As cotações da soja em Chicago registraram queda importante na última semana, com o vencimento para setembro encerrando a sexta-feira (dia 09) em 988,75 cents por bushel, recuo de 2,9% no período.
As boas perspectivas para a safra dos EUA e as preocupações com o ritmo da demanda chinesa continuam pesando sobre a evolução dos preços da oleaginosa.
As condições da soja norte-americana 24/25 se mantêm favoráveis. O último acompanhamento dos USDA, referente ao dia 04/08 indicou 68% das lavouras em condições boas ou excelentes, aumento de 1 p.p. em relação à divulgação anterior, quando esperava-se até uma leve queda. A média de cinco anos para o mesmo período ficou em 60%. Assim, esse percentual elevado num momento em que a soja está em sua fase crítica, o enchimento de grão, tende a se relacionar a produtividades altas, com a média nacional podendo ficar acima da tendência. A StoneX, por exemplo, em seu levantamento de agosto, indicou um rendimento médio para a soja norte-americana 24/25 em 3,54 toneladas por hectare, nível que, se confirmado, seria um recorde.
Além disso, condições climáticas, sem maiores ameaças, reforçam o cenário de safra cheia. O último final de semana foi mais seco no Meio Oeste, mas considera-se que a umidade do solo ainda é adequada na maior parte das áreas, não trazendo ameaças relevantes. Nesta semana, estão previstas chuvas mais generalizadas em praticamente toda a região produtora, aumentando a umidade e contribuindo para o desenvolvimento das lavouras. A partir do próximo final de semana, o clima deve voltar a ficar mais seco, com destaque para o oeste do cinturão, mas não se espera um grande estresse sobre as plantas. Ademais, as temperaturas mais amenas contribuem para minimizar possíveis impactos de um clima mais seco.
Com isso, as expectativas para o relatório do USDA, que será divulgado nesta segunda-feira (dia 12), às 13h (horário de Brasília), são grandes, uma vez que atualização de agosto usualmente revisa produtividade já considerando informações de campo. Além disso, poderia haver algum ajuste de área, com base em informações compartilhadas pelos produtores com o USDA. De qualquer forma, se houver alguma mudança na área plantada, não se espera que seja relevante o suficiente para alterar o cenário de safra robusta para o país.


Pelo lado da demanda, o ritmo da economia chinesa continua no radar, mesmo com as recentes medidas de estímulo anunciadas pelo governo. A importações do país têm estado aquecidas nos últimos meses, mas as expectativas apontam para construção de estoques, uma vez que não se aposta em um comportamento mais ativo do mercado de ração do país. O Brasil é a origem preferencial para as importações chinesas, mas atualmente, com a redução da disponibilidade da oleaginosa nacional, o produto brasileiro para a China já não está se mostrando mais competitivo que o norte-americano, o que é usual para esse período de entressafra por aqui.
Em julho, o Brasil exportou 11,2 milhões de toneladas de soja, volume acima do mesmo mês do ano passado. Com isso, o acumulado desde o início de janeiro atingiu 75,4 milhões de toneladas, nível ainda acima do registrado nos primeiros sete meses de 2023, mas que deve perder força, já que a safra 23/24 foi menor e há uma maior competição com a Argentina, por exemplo.
No EUA, as vendas de exportação na semana encerrada em 01/08 alcançaram 325,45 mil toneladas, volume acima do teto das expectativas, entre 100 e 300 mil toneladas, levando o acumulado do ano safra 23/24 para 45,8 milhões de toneladas, mantendo o ritmo no caminho para atingir a estimativa de exportações do USDA, em 46,3 milhões.

Destaca-se que apesar da tendência baixista das cotações da soja, o consumo doméstico nos EUA também é seguido de perto, após os últimos anos de investimentos significativos em capacidade de produção de diesel renovável. Notícias de que a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA, na sigla em inglês) seguiria investigando as suspeitas de fraudes em matérias primas, como o UCO (óleo de cozinha usado) vindo da China, ofereceram suporte ao óleo de soja. Há relatos de que o produto estaria sendo misturado com óleo de palma virgem na obtenção dos subsídios aos bicombustíveis. O volume de UCO entrando nos EUA superaria a oferta disponível.
Outro ponto de atenção no mercado de soja é a greve dos trabalhadores das indústrias de oleaginosas na Argentina, com a reivindicando de correção dos salários, diante do cenário de inflação muito elevada no país. As paralizações já vão completar uma semana, trazendo preocupações com impactos sobre os embarques argentinos.
Mesmo assim, as cotações da soja na CBOT começaram a semana no campo negativo, no aguardo do relatório do USDA, com apostas de que as revisões de hoje possam reforçar ainda mais o cenário positivo para a safra 24/25 dos EUA.






