- Fatores baixistas
- Produção mundial 24/25 amplia diferença frente ao consumo, segundo o USDA;
- StoneX estima produtividade recorde para os EUA;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- StoneX estima produção recorde para a safra brasileira 24/25;
- Condições de safra favoráveis nos EUA;
- USDA estima produtividade e produção recordes nos EUA.
- Fatores altistas
- Medidas de incentivo adotadas pelo governo chinês;
- Fundos com elevada posição vendida
- Esmagamento aquecido nos EUA;
- Conversão de plantas para diesel renovável na Califórnia;
- Investigação quanto a fraude em UCO importado pelos EUA da China;
- Previsão de padrão climático mais seco para o Meio Oeste dos EUA nos próximos dez dias.
Na semana passada, as cotações da soja em Chicago continuaram pressionadas, dando continuidade ao movimento de baixa, em meio às boas perspectivas para a safra norte-americana 24/25. Houve momentos de realização de lucros, com cobertura de posições vendidas por parte dos fundos especulativos, mas que não se sustentaram diante dos fundamentos indicando a oferta superando a demanda de maneira importante. O vencimento para setembro terminou a sexta-feira (dia 16) em 938,75 cents por bushel, queda de 5,1% no período.
Como já vem sendo comentado há algum tempo, as condições da safra norte-americana 24/25 têm se mantido muito positivas, com o percentual bom excelente em 68% na divulgação da semana encerrada em 11 de agosto, nível consideravelmente acima da média de cinco anos para o período, em 60%. A manutenção desse percentual elevado das lavouras em boas condições num momento em que a soja passa por sua fase chave de enchimento de grão tende a estar associada a produtividades acima da tendência, situação que as estimativas já têm refletido.
No começo do mês, a StoneX divulgou seu levantamento para os EUA, indicando uma produtividade média nacional em 3,54 toneladas por hectare, nível que já seria um recorde, mas o número do USDA no relatório de oferta e demanda de agosto foi ainda mais elevado, alcançando 3,58 toneladas por hectare.
Além disso, houve ajustes de área plantada, que não são comuns no relatório de agosto. A área de soja aumentou em pouco mais de 400 mil hectares, passando para 35,25 milhões de hectares, o que, juntamente com o rendimento recorde esperado, poderia levar a produção a atingir 124,9 milhões de toneladas, nível também recorde.
Assim, o relatório reforçou ainda mais o cenário baixista para a soja, com a estimativa da produção mundial superando o consumo em mais de 25 milhões de toneladas. Contudo, é importante lembrar que as safras 24/25 de soja de Brasil e Argentina começam somente a partir do próximo mês e o clima estará no centro das atenções, com possibilidades de La Niña.
Nesta semana, está sendo realizado o Crop Tour da Pro Farmer nos principais estados produtores do Meio Oeste norte-americano, com a divulgação de resultados parciais diários. Já os números finais serão conhecidos na sexta-feira (dia 23) e levam em consideração outros fatores além das informações coletadas no Crop Tour, como o estágio das lavouras, ajustes de área, diferenças históricas nos dados do tour em relação aos rendimentos finais do USDA, etc.
Em relação ao clima, neste último final de semana, as chuvas ficaram mais concentradas no leste da região produtora dos EUA e as previsões para os próximos dez dias indicam chuvas abaixo do normal em praticamente todo Meio Oeste, o que deve resultar em queda da umidade, com o mercado atento a possíveis impactos sobre as lavouras. Mesmo assim, ainda é cedo para afirmar que haverá qualquer problema maior que altere o cenário de oferta abundante.


Pelo lado da demanda, o comportamento chinês continua no radar, mas sem maiores novidades. Apesar de o país ter registrado importações aquecidas nos últimos meses, não há sinais de um crescimento acentuado da demanda doméstica, com perspectivas de que parte dessa soja seja adicionada aos estoques. O país continua participando menos das vendas de exportação dos EUA em comparação a outros anos, por exemplo.
Na semana encerrada em 08/08, foram negociadas 221,7 mil toneladas de soja da safra norte-americana 23/24, volume dentro do intervalo das estimativas. Já as vendas da safra 24/25 superaram o topo do esperado pelo mercado, alcançando 1,34 milhão de toneladas. Apesar desse resultado e de a China ter sido responsável pela compra de 540 mil toneladas de soja norte-americana da safra nova, o ritmo de negociações está bem mais baixo que em anos anteriores nessa mesma época, alimentando as preocupações com o potencial de exportações dos EUA, principalmente para a China.

Foram divulgados também os dados de esmagamento de soja em julho nos EUA, da Associação Nacional de Processadores de Oleaginosas (NOPA na sigla em inglês), com um resultado de 4,98 milhões de toneladas, bastante em linha com a média das expectativas do mercado, em 4,96 milhões. Os estoques de óleo soja caíram para 692,6 mil toneladas, ficando abaixo do esperado, indicando que o consumo está mais aquecido que o previsto. De qualquer forma, a evolução do esmagamento nos EUA sinaliza que a estimativa do USDA para o ciclo 23/24, em 62,3 milhões de toneladas, deve ser satisfeita.
Nesta semana, as atenções devem continuar muito focadas na safra dos EUA, com o acompanhamento do Crop Tour da Pro Farmer e do clima no país, diante de previsões indicando um padrão mais seco.






