- Fatores baixistas
- Produção mundial 24/25 amplia diferença frente ao consumo, segundo o USDA;
- StoneX estima produtividade recorde para os EUA;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- StoneX estima produção recorde para a safra brasileira 24/25;
- Condições de safra favoráveis nos EUA;
- Pro Farmer estima recorde para os EUA, superando os números do USDA.
- Fatores altistas
- Medidas de incentivo adotadas pelo governo chinês;
- Fundos com elevada posição vendida
- Esmagamento aquecido na Argentina;
- Conversão de plantas para diesel renovável na Califórnia;
- Investigação quanto a fraude em UCO importado pelos EUA da China;
- Clima pode ficar mais seco no Meio Oeste, a partir do próximo final de semana.
Na semana passada, as cotações da soja alternaram entre altas e baixas e encerraram a semana no campo positivo, com o vencimento para setembro terminando a sexta-feira (dia 23) em 952 cents por bushel, alta de 1,4% no período.
Houve alguma cobertura de posição vendida por parte dos fundos especulativos, mas o cenário indicando uma oferta folgada para a soja em relação à demanda não mudou. Pelo contrário, o famoso Crop Tour da Pro Farmer foi realizado entre os dias 19 e 22 de agosto com as informações coletadas corroborando as perspectivas de produtividades recorde de soja no ciclo 24/25, com a produção da oleaginosa também podendo ser a maior da história.
O Crop Tour visitou lavouras em sete estados do Meio Oeste e, juntamente com outras informações, como o estágio das lavouras, ajustes de área, diferenças históricas nos dados do tour em relação aos rendimentos finais do USDA, entre outros, indicou a produtividade de soja em 3,69 toneladas por hectare, com a colheita alcançando 129 milhões de toneladas. Destaque que as produtividades médias foram recordes em vários estados.
Esse resultado supera o último relatório do USDA, que trouxe a produtividade da soja no nível já recorde de 3,58 toneladas por hectare, o que, em conjunto com a revisão positiva da área plantada, levaria a produção do país para um volume também recorde, de 124,9 milhões de toneladas.
Dessa forma, se esse número avaliado pelo Crop Tour seja confirmado, a situação do balanço de oferta e demanda dos EUA no ciclo 24/25 ficaria ainda mais folgada, contribuindo para ampliar ainda mais a diferença entre a produção e consumo mundiais.

Fontes: Pro Farmer e USDA. Elaboração: StoneX.
Como vem sendo observado, as condições das lavouras do país indicam uma safra favorável desde o início das divulgações, com o percentual bom/excelente das lavouras se mantendo consideravelmente acima da média de cinco anos para o período, mesmo no mês de agosto, quando se contra a fase de enchimento de grão. Na semana encerrada em 18/08, o percentual bom/excelente da safra norte-americana 24/25 foi mantido em 68%, contra a média de cinco anos para o período, em 59%.
Nesse contexto, apesar das boas perspectivas, com grande chance de recordes de produtividade, o clima continua no radar. As previsões para esta semana indicam chuvas abaixo do normal no sul do cinturão, mas devem ocorrer boas precipitações na maior parte do Meio Oeste. Já a partir do próximo final de semana, as previsões indicam um padrão um pouco mais seco para a maior parte da região produtora.


Pelo lado da demanda, as exportações do EUA continuam no radar. As vendas de exportação da safra 23/24 na semana encerrada em 15/08 registraram cancelamentos líquidos de 43,7 mil toneladas, situação comum no final do ciclo. Mesmo assim, o país caminha para alcançar a estimativa de exportações do USDA em 46,3 milhões de toneladas até o final de agosto. Já as negociações da safra 24/25 alcançaram 1,7 milhão de toneladas, superando o teto das expectativas do mercado, que iam de 800 mil a 1,35 milhão e toneladas. De qualquer forma, no acumulado, as vendas da safra 24/25 estão abaixo do registrado em ano anteriores nesse mesmo período.

No Brasil, as exportações de soja ainda estão relativamente aquecidas, mas já começando a perder força. Até o dia 16/08, forma embarcadas 4,3 milhões de toneladas, levando o acumulado desde o início de 2024 para 79,8 milhões de toneladas.
Na Argentina, o processamento de soja está aquecido, tendo alcançado um volume de 4,38 milhões de toneladas em julho, aumento de 10,4% frente ao mês anterior e de 71,7% em relação a julho/2023, quando foi de 2,55 milhões de tons. Esse resultado pode ser explicado por melhores margens de esmagamento, um maior número de dias úteis no mês de julho e alguns atrasos registrados na colheita devido ao clima adverso, limitando a disponibilidade da oleaginosa para esmagamento no início da safra.
De qualquer maneira, destaca-se que o tamanho da oferta deve continuar sendo o principal fator com potencial de afetar significativamente o balanço de oferta e demanda mundial de soja, uma vez que as potenciais mudanças na demanda tendem a ser menos bruscas. Com o mês de setembro se aproximando, a o plantio da safra de soja brasileira poderá começar, com o encerramento do vazio sanitário em algumas regiões do Mato Grosso ocorrendo já a partir de 01/09. Contudo, o clima está muito seco na maior parte do país, não havendo previsões de chuvas significativas para a primeira metade do mês, situação que deve postergar o início da semeadura.






