- Fatores baixistas
- Produção mundial 24/25 amplia diferença frente ao consumo, segundo o USDA;
- StoneX estima produtividade recorde para os EUA;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- StoneX estima produção recorde para a safra brasileira 24/25;
- Condições de safra favoráveis nos EUA;
- Vendas de exportação acumulada da safra 24/25 dos EUA estão atrasadas.
- Fatores altistas
- Medidas de incentivo adotadas pelo governo chinês;
- Fundos com elevada posição vendida
- Esmagamento aquecido nos EUA;
- Conversão de plantas para diesel renovável na Califórnia;
- EUA avaliam limitar importação de óleo de cozinha usado (UCO);
- Soja dos EUA está mais competitiva que a brasileira.
As cotações da soja na CBOT alternaram entre altas e baixas na semana passada e encerraram no campo positivo, com o vencimento para novembro terminando a sexta-feira (dia 6) em 1005 cents por bushel, ganhos de 0,5% no período.
O andamento da safra norte-americana continua no radar com o registro de um clima mais seco. Na semana encerrada em 1º de setembro, as condições boas/excelentes caíram 2 p.p., para 65%, mas ainda permanecem consideravelmente acima da média para o período, em 58%.
Esse resultado motivou alguma especulação quanto ao potencial de recorde da safra dos EUA, mas as perspectivas continuam apontando para a maior safra da histórica, com possível recorde também de produtividade. A StoneX dos EUA atualizou sua estimativa na quarta-feira (dia 4), por meio de levantamento da produtividade e considerando a área plantada oficial do USDA. O rendimento esperado subiu de 3,54 para 3,56 toneladas por hectares, nível ainda abaixo do número do USDA de agosto, em 3,58, mas que levou a estimativa de produção para 124,5 milhões de toneladas, pouco abaixo do esperado pelo USDA, em 124,9 milhões. O levantamento mostrou leve melhora da produtividade em todos os maiores produtores, com exceção de Ohio. Acesse os dados completos aqui.


A StoneX do Brasil também divulgou seu relatório de estimativa de safra, mantendo a produção nacional de soja esperada em 165 milhões de toneladas, 10,8% acima do registrado no ciclo 23/24.
Como ressaltado na divulgação passada, o aumento esperado na área plantada ficou abaixo de 1%, num cenário de preços pressionados e perspectiva de ampla oferta global. Pelo lado da produtividade, por enquanto, aposta-se num resultado dentro da tendência, uma vez que o plantio ainda não começou. Mas para alcançar esse potencial, o clima precisa ficar dentro da normalidade.
Atualmente, um padrão de seca predomina em grande parte da região produtora. Assim, mesmo que o vazio sanitário termine antes da metade de setembro em algumas áreas, vai ser difícil aproveitar essa janela antecipada diante das condições de seca.
Pelo lado da demanda, o USDA divulgou o dado oficial de esmagamento de julho nos EUA, com um resultado de 5,25 milhões de toneladas, 4,3% a mais que um ano antes. Nesse período do ano, é comum que os volumes esmagados recuem um pouco, com as plantas fazendo manutenções programadas antes da colheita da nova safra. Contudo, o esmagamento tem se mantido aquecido no país, diante da produção de biocombustíveis, com destaque para aumento da capacidade de diesel renovável.
Por outro lado, destacam-se os rumores de que a China está iniciando uma investigação antidumping da canola canadense, em resposta às tarifas do Canadá sobre veículos elétricos chineses. O Canadá é o principal fornecedor da oleaginosa para a China e, se não puder enviar para o país, pode optar por esmagar e exportar o óleo para os EUA para suprir a necessidade de biocombustível, aumentando a concorrência com o óleo de soja.
As vendas de exportação dos EUA registraram cancelamentos líquidos de 227,9 mil toneladas para a safra 23/24 na semana encerrada em 29/08, enquanto foram negociadas 1,66 milhão de toneladas de soja da safra 24/25, no intervalo das expectativas, que iam de 800 mil a 2 milhões de toneladas. As exportações 23/24 caminham para encerrar em linha com a estimativa dos EUA, em 46,3 milhões de toneladas. Já as vendas da safra nova estão mais lentas que em anos anteriores, com uma diferença de 4,1 milhões de toneladas em relação ao ciclo 23/24, enquanto o USDA espera um crescimento anual das exportações de mais de 4 milhões de toneladas. A compras chinesas da safra nova estão no menor nível para o período em seis anos.

Nessa semana, as atenções devem continuar muito voltadas para novas informações quanto à safa dos EUA, destacando que o USDA atualizará seu relatório mensal de oferta e demanda na próxima quinta-feira (dia 12). No Brasil, o clima deve continuar no radar, mas as previsões indicam seca na maior parte da região produtora nos próximos 15 dias, podendo ocorrer alguma chuva mais significativa em estados do sul do país.






