- Fatores baixistas
- Produção mundial 24/25 amplia diferença frente ao consumo, segundo o USDA;
- Estimativa de produção recorde para os EUA;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- StoneX estima produção recorde para a safra brasileira 24/25;
- Período de colheita nos EUA;
- Chuvas mais generalizadas e em bons volumes no Brasil.
- Fatores altistas
- Novas medidas de incentivo adotadas pelo governo chinês;
- Fundos cobrindo posição vendida;
- Conversão de plantas para diesel renovável na Califórnia;
- EUA avaliam limitar importação de óleo de cozinha usado (UCO);
- Início do ciclo de cortes de juros do Fed.
As cotações da soja registraram queda em Chicago na última semana, sem maiores novidades pelo lado dos fundamentos e com a ocorrência de chuvas mais significativas no Brasil. O contrato para novembro encerrou a sexta-feira (dia 11) em 1005,5 cents por bushel, queda semanal de 3,1%.
A colheita da safra norte-americana continua avançando, favorecida por um clima mais seco que predomina no país. Algumas áreas mais ao leste do cinturão estão sendo acompanhadas por possíveis impactos do padrão mais seco sobre o enchimento das vagens. Mesmo assim, as perspectivas se mantêm muito positivas, com a colheita tendo alcançado 47% do total no dia 6/10, nível acima da média de cinco anos, em 34%, e do registrado no mesmo período de 2023, em 37%. O percentual bom/excelente das lavouras passou de 64% para 63%, mas mantendo-se consideravelmente acima da média para o período, em 57%.
O relatório mensal de oferta e demanda do USDA, divulgado no final da semana, trouxe um pequeno ajuste para a safra 24/25 dos EUA, com a produtividade média nacional passando de 3,58 para 3,57 toneladas por hectare, o que levou a produção esperada a registrar uma queda marginal, caindo de 124,8 para 124,7 milhões de toneladas. De qualquer forma, mesmo com essa mudança, a produção e a produtividade ainda seriam recordes.


Com a colheita aumentando a disponibilidade de soja norte-americana no mercado, as exportações do país vão estar cada vez mais no radar. O último trimestre do ano é o melhor período de embarques da soja norte-americana e atualmente o produto do país para a China está mais competitivo que o brasileiro.
As vendas de exportação dos EUA na semana encerrada em 3/10 alcançaram 1,27 milhão de toneladas, nível dentro das expectativas do mercado, que iam de 800 mil a 1,7 milhão de toneladas. No acumulado, foram negociadas 20,1 milhões de toneladas, nível acima do registrado no mesmo período do ano passado, em 19,4 milhões. Mesmo assim, como o USDA está estimando um crescimento dos embarques anuais para 50,35 milhões de toneladas, pouco mais de 4 milhões acima do ciclo anterior, o ritmo de negociações precisa avançar um pouco mais, considerando a sazonalidade histórica.

No Brasil, os últimos dias foram mais chuvosos em grande parte da região produtora de soja, situação que permitiu um início e avanço mais generalizado do plantio. Na sexta-feira (dia 11), a StoneX indicou que a semeadura da oleaginosa alcançava 11,2% da área nacional prevista. Os estados do Centro-Oeste estão atrás do registrado nesse mesmo período do ano passado, enquanto o plantio no Paraná estava 44% completo, contra 39% nessa mesma semana de 2023.
Para a próxima semana, as previsões indicam a continuidade da ocorrência de precipitações mais generalizadas, o que deve levar o plantio a ganhar mais ritmo. Destaca-se que esse atraso inicial, por si só, não deve ter impacto direto sobre o potencial produtivo, mas tende a concentrar um pouco mais a semeadura, com uma maior proporção das lavouras em uma mesa fase de desenvolvimento, o que traz mais riscos, caso haja alguma questão climática durante o desenvolvimento das plantas, ou excesso de chuvas durante a colheita, por exemplo.
Pelo lado da demanda no Brasil, desde janeiro até a primeira semana de outubro, destaca-se que foram exportadas 90,3 milhões de toneladas de soja, nível bastante aquecido, mas que tende a perder força nas próximas semanas e meses, uma vez que a disponibilidade do grão neste ano foi um pouco mais limitada, por causa das questões climáticas que afetaram a safra 23/24.
Já o esmagamento de soja deve terminar o ciclo 23/24 próximo do registrado no ano passado, ao redor de 54,5 milhões de toneladas, mesmo com o aumento da mistura obrigatória de biodiesel, em 2 p.p. Com uma maior demanda por óleo de soja, principal matéria-prima para a produção do biocombustível, o principal impacto foi a redução das exportações do óleo vegetal, sendo mais direcionado ao mercado doméstico.
Nessa semana que começa, além do andamento da safra da América do Sul, que deve continuar central para o mercado, destaca-se que a Conab divulgará seu primeiro levantamento mensal incluindo dados da safra 24/25.








