- Fatores baixistas
- Produção mundial 24/25 amplia diferença frente ao consumo, segundo o USDA;
- Estimativa de produção recorde para os EUA;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- StoneX estima produção recorde para a safra brasileira 24/25;
- Período de colheita nos EUA;
- Chuvas mais generalizadas e em bons volumes no Brasil.
- Fatores altistas
- Novas medidas de incentivo adotadas pelo governo chinês;
- Fundos especulativos com posição líquida vendida;
- Conversão de plantas para diesel renovável na Califórnia;
- Esmagamento aquecido nos EUA em setembro;
- Início do ciclo de cortes de juros do Fed.
As cotações da soja em Chicago registraram uma semana de ganhos com o vencimento para novembro encerrando a sexta-feira (dia 25) em 987,75 cents por bushel, alta de 1,8% no período. Destaca-se que o ajuste e posições perto do vencimento do contrato de novembro, com negociações do spread SXSF, influenciou o preço na semana. Mesmo assim, o mercado continua acompanhando a colheita nos EUA e o rápido avanço do plantio no Brasil, após o retorno das chuvas, situação que limita o movimento de alta, sem outras grandes novidades pelo lado dos fundamentos.
Na semana encerrada em 20 de outubro, a colheita da soja norte-americana alcançava 81% do total, nível acima do último ano, em 72% e da média de cinco anos, em 67%. Ao mesmo tempo em que a disponibilidade da soja aumenta no país, as perspectivas também são de crescimento do consumo, tanto exportações, quanto esmagamento.
Mesmo assim, por mais que a demanda sempre esteja no radar, é a oferta que pode trazer movimentações mais significativas ao mercado, uma vez que o clima pode resultar em variações significativas da produção. Foram exatamente as preocupações com o clima seco no Brasil que condicionaram um movimento de cobertura de posições vendidas por parte dos fundos especulativos, mas que já arrefeceu, com os agentes voltando a apostar no lado da baixa. Na semana encerrada em 22/10, os fundos especulativos em soja na CBOT apresentavam posição liquidamente vendida de 59,6 mil contratos, aumento de 19,2 mil contratos frente à divulgação anterior. Esta foi a segunda semana consecutiva de aumento da posição líquida vendida, após a cobertura registrada.


No Brasil, segundo acompanhamento da StoneX, o plantio da soja 24/25 alcançou 41,5% da área total no dia 25/10, um avanço de 18,3 p.p. em uma semana, aproximando-se do ritmo do ano passado, quando estava em 43,2%. Todos os estados acompanhados pela StoneX já deram início à semeadura da oleaginosa. As previsões para os próximos 14 dias continuam indicando chuvas em praticamente toda a região produtora de soja do Brasil, o que deve contribuir para a manutenção do ritmo acelerado dos trabalhos no campo.
Na Argentina, ainda não foi reportado plantio de soja, mas as chuvas da semana passada foram consideradas muito favoráveis para repor a umidade do solo, após um período mais seco em algumas áreas. Com isso, os trabalhos no campo devem começar em breve, com a Bolsa de Buenos Aires estimando uma produção de 52 milhões de toneladas no ciclo 24/25.
Pelo lado da demanda, as atenções estão muito voltadas ao comportamento chinês e às vendas da soja norte-americana, com a colheita avançando. O anúncio de novas medidas de estímulo econômico pela China foi bem recebido pelo mercado, mas ainda é preciso entender os impactos no consumo de carnes e consequentemente de ração. A compras de soja norte-americana pela China continuam mais baixas que no ano passado, em 600 mil toneladas no acumulado, com o país tendo negociado 1,3 milhão de toneladas de soja com os EUA na semana encerrada em 17/10. O total de vendas líquidas de exportação da safra 24/25 na semana atingiu 2,15 milhões de toneladas, volume no teto das estimativas, que iam de 1 a 2,2 milhões de toneladas.

Nesta semana, as atenções devem continuar voltadas à safra brasileira e também ao início da safra na Argentina. No EUA, os níveis do Rio Mississipi são acompanhados, uma vez que afetam a competitividade dos grãos do país, mas as previsões para os próximos dez dias o retorno das chuvas, em maiores volumes, na região central do país, o que deve favorecer uma recomposição dos níveis da rota fluvial.
Ademais, dados macroeconômicos importantes serão divulgados nos próximos dias, como o PIB dos EUA. Outro ponto de atenção é o andamento do conflito no Oriente Médio.






