- Fatores baixistas
- Produção mundial 24/25 amplia diferença frente ao consumo, segundo o USDA;
- Estimativa de produção recorde para os EUA;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- StoneX aumenta estimativa de produção recorde para a safra brasileira 24/25;
- Período de colheita nos EUA;
- Chuvas mais generalizadas e em bons volumes no Brasil e na Argentina.
- Fatores altistas
- Novas medidas de incentivo adotadas pelo governo chinês;
- Fundos especulativos com posição líquida vendida;
- Produção e consumo de diesel renovável aquecidos nos EUA;
- Esmagamento aquecido nos EUA em setembro;
- Início do ciclo de cortes de juros do Fed.
Na semana passada, as cotações da soja em Chicago alternaram entre altas e baixas e encerraram a sexta-feira (dia 1) em 993,75 cents por bushel, leve queda de 0,4% no período. Não houve maiores novidades pelo lado dos fundamentos, com a colheita nos EUA avançando e as boas perspectivas para a safra brasileira se mantendo.
Até o dia 27/10, a colheita da soja norte-americana 24/25 estava 89% completa, contra 82% no mesmo período do ano passado e média de 78%, o que aumenta a disponibilidade da oleaginosa do país, com a demanda devendo estar no centro das atenções nos próximos meses, tanto para esmagamento, quanto para exportações.
O consumo doméstico norte-americano de soja está muito atrelado ao setor de biocombustíveis, com destaque para a expansão da capacidade de diesel renovável nos últimos anos, que tem demandado também o aumento da capacidade de esmagamento de soja. O consumo de óleo de soja para biodiesel e HVO nos EUA teve o segundo melhor desempenho do ano em agosto. Além disso, o consumo de HVO/diesel renovável no país também se mantém em trajetória ascendente. Destaca-se que esse cenário atual positivo para o óleo de soja tem dado suporte aos preços do óleo vegetal, apesar de dúvidas sobre a política de biocombustíveis dos EUA, num momento de definição do próximo presidente do país.


As vendas de exportação dos EUA na semana encerrada em 24/11 alcançaram 2,27 milhões de toneladas, nível dentro do intervalo das estimativas do mercado, que iam de 1,6 a 2,8 milhões de toneladas. Apesar das vendas acumuladas para a China estarem cerca de 1 milhão de toneladas mais fracas que o no passado, as negociações com outros destinos estão em torno de 4 milhões de toneladas mais aquecidas. Dessa forma, o ritmo de negociações da soja norte-americana 24/25 está caminhando mais em linha com o necessário para se alcançar a estimativa de exportações dos USDA, em 50,35 milhões de toneladas.

No Brasil, a continuidade das chuvas em praticamente todo o país tem permitido a continuidade do plantio, cuja média nacional alcançou 56,9% na última sexta-feira (dia 1), ultrapassando o ano passado, quando estava em 50,7%, segundo a StoneX. Assim, os atrasos iniciais, em meio ao clima muito seco que predominou até o início de outubro parecem estar superados. Esse rápido avanço dos trabalhos no campo aumenta a concentração das lavouras numa mesma fase de desenvolvimento e, por conseguinte, os riscos associados a questões climáticas. Contudo, caso clima se mantenha dentro do usual, o potencial é de uma safra recorde.
As estimativas continuam apontando para esse cenário, com a StoneX tendo elevado seu número do ciclo 24/25 para 166,2 milhões de toneladas, 0,7% a mais que o número anterior. Destaque para a revisão positiva da área plantada, que passou de 46,5 para 46,75 milhões de hectares, com esse patamar representando um crescimento anual de 1,3%. A produtividade média nacional ficou estável, em 3,55 toneladas por hectare, apesar de revisões positivas em alguns estados, como o Paraná.
Mesmo com esse contexto positivo para a oferta, que acaba limitando ganhos mais expressivos da soja, a situação cambial de dólar fortalecido favorece a competitividade nacional. Atualmente, em período de entressafra por aqui, a soja norte-americana acaba se mantendo mais competitiva, mas destaca-se que os mercados dos coprodutos da oleaginosa, o farelo e o óleo, também estão no radar.
As exportações da soja brasileira em grão estão perdendo força, com a ANEC (Associação Nacional de Exportadores de Cereais) apostando num volume de 4,58 milhões de toneladas em outubro, após os últimos meses terem sido bastante aquecidos. Já o óleo de soja tem registrado preços e prêmios mais fortalecidos, situação também favorecida pelo enfraquecimento do real frente ao dólar. Contudo, mesmo com o dólar mais alto sendo benéfico à competitividade do produto nacional, é preciso lembrar que a mistura obrigatória de biodiesel no diesel avançou 2 p.p. neste ano, reduzindo o excedente disponível para exportações.
Na Argentina, o plantio da soja começou, segundo acompanhamento da Bolsa de Buenos Aires, tendo alcançado 3,3% da área estimada de 19 milhões hectares. As chuvas recentes foram bastante favoráveis para a área produtora do país, com o início do ciclo da oleaginosa encontrando boas condições.
Nesta semana, o USDA atualizará seu relatório mensal de oferta e demanda na sexta-feira (dia 8). Além disso, destaca-se que as previsões para as próximas duas semanas continuam apontando chuvas generalizadas e em bons volumes para Brasil e Argentina, o que deve beneficiar a umidade do solo e o desenvolvimento inicial das lavouras.






