- Fatores baixistas
- Produção mundial 24/25 consideravelmente acima consumo, segundo o USDA;
- Balanço de O&D ainda confortável nos EUA;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- StoneX aumenta estimativa de produção recorde para a safra brasileira 24/25;
- Plantio acelerado no Brasil;
- Clima favorável na Am. do Sul.
- Fatores altistas
- Novas medidas de incentivo adotadas pelo governo chinês;
- Cobertura de posições vendidas pelos fundos especulativos;
- Produção e consumo de diesel renovável aquecidos nos EUA;
- Corte da estimativa de produção dos EUA, que já não é recorde.
Na semana passada, a tendência de queda predominou para a soja em Chicago, com as cotações registrando baixa até quinta-feira (dia 14). Mesmo o fechamento em alta da sexta-feira (dia 15) não conseguiu contrabalançar o sentimento mais baixista que permeou o mercado, em meio a perspectivas de um balanço norte-americano ainda folgado, além de dúvidas sobre o programa de biocombustíveis do país. O vencimento para janeiro terminou a sexta-feira em 998,5 centrs por bushel, baixa semanal de 3,1%.
Após o USDA ter surpreendido com o corte da estimativa de safra dos EUA 24/25 para 121,4 milhões de toneladas, abaixo do que o mercado esperava, os novos números foram absorvidos pelos investidores, com a manutenção de um cenário ainda confortável para o país, enquanto o balanço mundial continua indicando produção consideravelmente acima do consumo. Com isso, os ganhos pós relatório não se sustentaram e o mercado voltou se deparar com esse cenário mais confortável para a soja, pelo menos por enquanto, já que a safra da América do Sul está apenas no começo.
Além disso, indefinições sobre o novo programa de incentivo aos biocombustíveis nos EUA, o 45Z, que substituirá o Blenders' Tax Credit (BTC) a partir de 2025, permanecem. O volume total do crédito e os valores destinados aos biocombustíveis produzidos a partir de cada matéria-prima ainda não foram definidos. Destaca-se, também, que a troca de governo no país gera dúvidas sobre o apoio aos biocombustíveis. Foi anunciado que o republicano Lee Zeldin chefiará a Agência de Proteção Ambiental (EPA) no governo Trump, sendo que Zeldin tem histórico de votar contra resoluções ambientais. Por outro lado, há uma proposta bipartidária em andamento no Senado americano, na qual matérias-primas importadas seriam excluídas de um novo subsídio, o que seria favorável ao óleo de soja doméstico.


Quanto às exportações norte-americanas, na semana encerrada em 7/11, foram negociadas 1,56 milhão de toneladas de soja da safra 24/25, volume dentro do intervalo das estimativas, que iam de 1 a 2,2 milhões de toneladas. A China foi responsável por 1,18 milhão de toneladas, mas o acumulado das vendas para o país estão 1,8 milhão de toneladas atrás do registrado no mesmo período do ano passado, enquanto as negociações com outros destinos estão 3,6 milhões de toneladas mais adiantadas.

No Brasil, a Conab atualizou seu levantamento de safra, trazendo uma elevação marginal da produção esperada para a safra 24/25, que ficou em 166,14 milhões de toneladas, número em linha com outras consultorias privadas, como a StoneX, que está estimando 166,2 milhões de toneladas. Após os atrasos iniciais, o plantio da safra de soja 24/25 está acelerado, com a média nacional tendo alcançado 79,3% na última semana, segundo acompanhamento da StoneX, nível mais de 10 p.p. superior ao registrado nessa mesma época em 2023, quando estava em 65,6%. As previsões climáticas indicam chuvas em praticamente todo o país nas próximas duas semanas, cenário positivo para o desenvolvimento das lavouras.
Na Argentina, as condições climáticas também estão favoráveis, com o plantio da soja tendo alcançado 20,1% da área de 18,6 milhões de hectares projetada para o ciclo 24/28, de acordo com a Bolsa de Cereales de Buenos Aires.
Pelo lado da demanda, destaca-se que o Brasil exportou entre janeiro e o dia 8/11 95,3 milhões de toneladas de soja, volume bastante aquecido. Faltando pouco menos de dois meses para o encerramento do ano safra 23/24, os embarques da oleaginosa tendem ficar abaixo somente do recorde do ano passado, que atingiu 101,9 milhões de toneladas.
Nesta semana, o andamento da safra na América do Sul deve continuar no radar, principalmente em relação ao comportamento do clima. Além disso, novos dados de demanda dos EUA também são acompanhados, já que mesmo com o corte da estimativa de safra 24/25, o balanço estimado para o país permanece bastante confortável.






