- Fatores baixistas
- Produção mundial 24/25 consideravelmente acima consumo, segundo o USDA;
- Balanço de O&D ainda confortável nos EUA;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Estimativa de produção acima de 170 MMT para a safra brasileira 24/25;
- Boas condições da safra argentina;
- Dúvidas sobre subsídios para biocombustíveis nos EUA.
- Fatores altistas
- Novas medidas de incentivo adotadas pelo governo chinês;
- Cobertura de posições vendidas pelos fundos;
- Produção e consumo de diesel renovável aquecidos nos EUA;
- Importações aquecidas de óleos vegetais pela Índia;
- Clima mais seco no Sul do Brasil e na Argentina.
Na semana passada, que contou com as duas últimas sessões de 2024 e as duas primeiras de 2025 na CBOT, as cotações da soja subiram no período, mas devolveram praticamente toda a alta e encerraram praticamente estáveis. O vencimento para março fechou a sexta-feira (dia 3) em 991,75 cents por bushel, leve alta de 0,2%.
Os ganhos foram condicionados por ajustes de posições dos fundos, um incêndio em uma planta de esmagamento em Illinois e especulações sobre o clima mais seco na Argentina afetando o potencial produtivo do país. Contudo, alguns fatores pesaram sobre os preços, resultando em quedas, principalmente na última sessão da semana.
A falta de clareza sobre a renovação/prorrogação de políticas de biocombustíveis nos EUA continua no radar e pode acabar desincentivando os investimentos no setor, com destaque para o diesel renovável, que avançou muito nos últimos anos. O governo Biden não tem tratado do assunto, a exemplo das regras de crédito 45Z, no final do mandato, com expectativas de que a falta de uma solução antes de 20 de janeiro, quando Donald Trump assume, pode ser prejudicial ao setor, já que o governo republicano não teria o tema como prioridade.


Por enquanto, as estimativas apontam para um esmagamento de soja aquecido nos EUA, com o USDA estimando 65,6 milhões de toneladas processadas em 24/25, 5,4% a mais que no ciclo anterior. Pelo lado das exportações, as estimativas estão em 49,67 milhões de toneladas, aumento anual de 7,7%, com as vendas de embarques sendo acompanhados, à medida que a colheita da safra brasileira se aproxima.
Na semana encerrada em 26/12, as vendas líquidas de exportação da safra norte-americana 24/25 ficaram em 484,7 mil toneladas volume bem abaixo das expectativas do mercado, que iam de 1 a 1,8 milhão de toneladas. No acumulado, as negociações estão em 40,2 milhões de toneladas, quase 4 milhões acima do registrado na mesma semana de 2023, mas destaca-se que as negociações com a China estão 750 mil toneladas mais fracas, enquanto, as vendas para outros destinos são 4,6 milhões superiores a um ano antes.

De qualquer forma, o principal fator baixista foi o andamento da safra da América do Sul, mesmo com as preocupações com um clima mais seco na Argentina.
No Brasil, a StoneX atualizou sua estimativa de safra 24/25 e elevou a produção de soja para 171,4 milhões de toneladas, 3,1% a mais que o divulgado em dezembro. Esse aumento decorreu de revisões de área e de produtividade.
A área plantada nacional subiu para 47,1 milhões de hectares, o que representa um crescimento de 2% frente ao registrado no ciclo 23/24, com destaque para a revisão em estados do Norte/Nordeste e também do Centro-Oeste. A produtividade média para o país ficou em 3,64 toneladas por hectares, como resultado do bom andamento do ciclo da soja, com perspectivas muito positivas em vários estados produtores. Veja os números completos aqui.
Dessa forma, por enquanto, tudo indica um resultado acima de 170 milhões de toneladas para a produção da oleaginosa, mas o clima continua no radar, destacando a possibilidade de chuvas excessivas no final do ciclo, que poderiam trazer algum prejuízo para as lavouras. Ademais, atualmente, o Sul do Brasil tem apresentado um padrão mais seco, com destaque para algumas regiões do Rio Grande do Sul, o que inspira atenção. A safra gaúcha de soja tem um ciclo mais tardio e a falta de umidade nas próximas semanas pode acabar prejudicando as lavouras, principalmente em fases reprodutivas.
É exatamente esse padrão mais seco que está presente também na Argentina. Contudo, segundo a Bolsa de Cereales de Buenos Aires, 81% das lavouras apresentam condição hídrica adequada/ótima, nível bastante elevado, mas que representa uma queda de 7 p.p. em comparação ao relatório anterior. De maneira geral, 93% das plantas estão em boas/ótimas condições, mas a manutenção desse cenário dependerá das chuvas futuras. Parte das lavouras já está entrando em fases reprodutivas, mas o plantio ainda não terminou, tendo alcançado 92,7% da área estimada de 18,4 milhões de toneladas, segundo a instituição.
Nessa primeira semana completa do ano, o andamento da safra da América do Sul deverá ser o principal fator acompanhado pelo mercado, com previsões de que as chuvas no Brasil fiquem concentradas mais na metade norte do país, enquanto as precipitações devem ser mais leves também na Argentina. Além disso, na sexta-feira (dia 10), será divulgado o relatório mensal do USDA, sempre muito aguardado pelo mercado, e cuja edição de janeiro traz números revisados para a safra dos EUA.








