- Fatores baixistas
- Produção mundial 24/25 acima consumo, segundo o USDA;
- Balanço de O&D ainda sem aperto nos EUA;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Estimativa de produção recorde para a safra brasileira 24/25;
- Dúvidas sobre subsídios para biocombustíveis nos EUA.
- Fatores altistas
- Novas medidas de incentivo adotadas pelo governo chinês;
- Cobertura de posições vendidas pelos fundos;
- Corte da produção norte-americana 24/25;
- Clima mais seco no Sul do Brasil e na Argentina;
- Possibilidade de safra argentina abaixo de 50 milhões de toneladas.
Na semana passada, as cotações da soja continuaram se mantendo acima de USD 10,00 por bushel, apesar de recuos em alguns pregões, e encerraram o período com ganhos, com o vencimento para março terminado em 1034 cents por bushel, alta de 0,9% no comparativo semanal.
O mercado de soja continuou encontrando suporte nas preocupações cm o clima na América do Sul, em dúvidas sobre os programas de biocombustíveis dos EUA e em especulações sobre o novo governo Trump.
Em relação às safras de Brasil e Argentina, as previsões climáticas continuam apontando para um clima mais seco no sul brasileiro e no país vizinho nesta próxima semana, com chuvas mais significativas esperadas somente para o período entre 7 e 14 dias. Como ressaltado anteriormente, a StoneX já estima perdas de produtividade no Rio Grande do Sul, principalmente considerando as variedades de ciclos super precoces e precoces, que se encontravam em fase crítica e estão sofrendo mais com o déficit hídrico. Com isso, o potencial da safra gaúcha, antes estimado em 23,4 milhões de toneladas, passou para cerca de 20,98 milhões de toneladas.
Destaca-se que o estado de Mato Grosso do Sul também está enfrentando desafios relacionados ao clima, além de algumas áreas do Paraná. De qualquer forma, é importante pontuar que mesmo com uma redução da produtividade mais ao sul do país, a safra brasileira ainda deve ser recorde, com outros estados, inclusive, podendo registrar revisões positivas de produção. Com a colheita avançando, os números devem ficar mais acurados nas próximas semanas.
A Argentina também se deparou com uma situação semelhante, de falta de chuvas, com piora nas condições das lavouras, com algumas estimativas indicando que a produção nacional de soja poderá ficar abaixo de 50 milhões de toneladas.
Contudo, mesmo com essas questões climáticas, por enquanto, praticamente todas as estimativas continuam apontando safra recorde para o Brasil. A Conab divulgou seu levantamento de safra, mantendo a produção praticamente inalterada, em pouco mais de 166 milhões de toneladas. O USDA também não trouxe alterações em seus números, com a produção brasileira estimada em 169 milhões de toneladas.


Nos EUA, além de especulações sobre possíveis medidas do governo Trump, que poderiam impactar o agronegócio, o mercado acompanha os programas de biocombustíveis, com temores de que o governo republicano não mantenha os mesmos incentivos. Por outro lado, há algum otimismo com uma possível proibição/restrição de importação de óleo de cozinha usado (UCO), o que poderia ser benéfico para o mercado doméstico de óleo de soja.
Pelo lado das exportações norte-americanas, o Brasil se mantém mais competitivo para a China, situação que deve ser reforçada com o avanço da colheita por aqui. As vendas de exportação 24/25 dos EUA na semana encerrada em 09/01 alcançaram 569,1 mil toneladas, volume dentro do intervalo das estimativas. No acumulado, as negociações alcançam 40,9 milhões de toneladas, contra 37,4 milhões no mesmo período do ano passado. Essa diferença positiva é resultado de negociações com outros países, exceto China, que estão 4,4 milhões acima de um ano atrás, enquanto as vendas para o país asiático estão quase 1 milhão de toneladas mais fracas.

Destaca-se, também, a atuação dos fundos, com os agentes especulativos cobrindo posições vendidas de forma mais acentuada, com a última divulgação, referente à semana encerrada em 14/01 indicando um aumento de mais de 63 mil contatos na posição líquida comprada que passou a ficar positiva, em 34,8 mil contratos, após os fundos especulativos terem ficado vendidos durante todo o ano de 2024.
É importante destacar, contudo, que mesmo com uma maior influência dos fatores altistas nas últimas semanas, o balanço de oferta e demanda mundial da soja ainda estaria numa situação confortável, a despeito da possibilidade de algumas perdas na América do Sul. Assim, a situação climática por aqui deve continuar no centro das atenções, uma vez que a manutenção de um clima adverso poderia alterar as expectativas de disponibilidade de soja nos próximos meses.
Em meio a esse cenário, o principal fundamento que deve estar no radar nesta semana que começa vai ser o clima, com o mercado avaliando as previsões e possíveis impactos sobre as lavouras. Além disso, os primeiros dias do segundo mandato Trump também serão acompanhados.








