- Fatores baixistas
- Produção mundial 24/25 acima consumo, segundo o USDA;
- Balanço de O&D ainda sem aperto nos EUA;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Estimativa de produção recorde para a safra brasileira 24/25;
- Chuvas na Argentina;
- Esmagamento abaixo do esperado nos EUA.
- Fatores altistas
- Novas medidas de incentivo adotadas pelo governo chinês;
- Cobertura de posições vendidas pelos fundos;
- Corte da produção norte-americana 24/25;
- Perda de potencial da safra argentina;
- Expectativas de queda de área na safra 25/26 dos EUA.
Na semana passada, as cotações da soja em Chicago oscilaram em torno da estabilidade e terminaram o período em leve alta, com o vencimento para março fechando a sexta-feira (dia 21) em 1039,5 cents por bushel.
O mercado da oleaginosa continua acompanhando o andamento da safra da América do Sul, enquanto as especulações acerca do tamanho da área do próximo ciclo dos EUA, o 2025/26, também estão aumentando. Nesta semana, o USDA realizo seu Fórum Agrícola anual, em que serão divulgados dados para a safra nova do país. Apesar de a área plantada do fórum não ser baseada em levantamento junto aos produtores, o número é considerado um primeiro indicativo do que esperar, levando em conta os fundamentos, como o comportamento dos preços. Atualmente, as apostas são de uma menor área de soja, enquanto o cereal ganharia espaço, uma vez que os preços do milho estão em tendência de alta mais significativa, e a soja, apesar de se manter acima de USD 10,00 por bushel, não tem sustentado ganhos mais expressivos
O principal fator que explica a falta de sustentação dos preços da soja em níveis mais elevados são as boas perspectivas para a safra da América do Sul, principalmente a brasileira, mesmo após algumas prejuízos para a produtividade, devido aos impactos do clima seco.
A maior parte das estimativas divulgadas por instituições privadas continua indicando uma safra recorde para o Brasil, ao redor de 170 milhões de toneladas. Nas últimas duas semanas, forma registrados bons volumes de chuvas em praticamente toda a região produtora, o que aliviou os impactos das temperaturas muito elevadas e, ao mesmo tempo, não trouxe grandes atrasos à colheita. Para as próximas duas semanas, as previsões indicam um padrão climático com menos chuvas no Sul e no Sudeste, enquanto as outras grandes regiões podem registrar precipitações mais significativas.
Na Argentina, a Bolsa de Buenos Aires manteve sua estimativa de produção de soja em 49,6 milhões de toneladas, destacando as chuvas registradas por volta de metade de fevereiro. Com isso, apesar de algumas regiões ainda enfrentarem déficit hídrico, o percentual das lavouras em condição adequada/ótima avançou 4,8 p.p., alcançando 67%. As condições gerais da safra também melhoraram, com o percentual bom/excelente passando de 15% para 17%, enquanto a parcela em condições normais ficou em 49%, e o percentual considerado ruim caiu para 34%. As próximas duas semanas devem ser mais chuvosas em grande parte da região produtora argentina, o que deve favorecer o desenvolvimento das lavouras, principalmente do que foi plantado mais tarde e está passando pela fase de enchimento de grão.


Pelo lado da demanda, as exportações brasileiras estão ganhando força, o que é o esperado sazonalmente. Nas primeiras duas semanas de fevereiro, foi embarcado um volume de 1,66 milhão de toneladas, com os dados e lineup indicando volumes ainda mais significativos. A soja brasileira para a China continua mais competitiva que a norte-americana, com as vendas de exportação e embarques dos EUA perdendo força.
As vendas de exportação da safra 24/25 na semana encerrada em 13/02 alcançaram 480,3 mil toneladas, volume próximo do teto das estimativas, que iam de 100 a 500 mil toneladas. No acumulado, foram negociadas 43,7 milhões de toneladas, com as vendas para a China estando 1,2 milhão de toneladas atrás desse mesmo período do ano passado, e as negociações com outros destinos ficando 6,3 milhões de toneladas acima de um ano atrás.

Destaque também para o número de esmagamento dos EUA, divulgado pela Associação Nacional de Processadores de Oleaginosas (NOPA, na sigla em inglês), que representa 95% do setor, indicando que foram processadas 5,45 milhões de toneladas de soja em janeiro, volume abaixo da média das expectativas do mercado, em 5,57 milhões. Com margens em queda, houve recuo do esmagamento em algumas regiões do Meio Oeste, como no estado de Illinois.
Nesta semana, além da expectativa para os dados do Fórum Agrícola do USDA, o clima na América do Sul vai continuar no radar, com destaque para a safra argentina, que está passando por fases chave.






