A semana anterior foi novamente dominada pelas perspectivas para a safra norte-americana 2023/24, destacando a divulgação do relatório mensal de oferta e demanda do USDA. O vencimento para novembro terminou a sexta-feira (dia 14) em 1370,5 cents por bushel, ganhos de 4,0%.
As preocupações com o tamanho da produção nos EUA e como ficará o balanço de oferta e demanda do país, com uma oferta menor, deram o tom da alta semanal.
Apesar de o clima nos EUA ter melhorado desde o final de junho, com a ocorrência de chuvas mais volumosas levando à recuperação da umidade do solo e à melhora da qualidade das lavouras, a safra de soja precisa de boas precipitações até agosto, quando se concentra a fase de enchimento de grão. As previsões para a segunda metade de julho voltaram a indicar um padrão mais seco para o noroeste do cinturão, ressaltando que algumas regiões não conseguiriam recompor a umidade adequada com essas precipitações na primeira metade de julho.
O último acompanhamento semanal de safra do USDA, referente a 09/07, trouxe uma melhora nas condições da safra norte-americana, com o percentual bom/excelente subindo de 50% para 51%, nível em linha com o esperado, mas abaixo da média de 5 anos e do alcançado na mesma semana do ano passado, em 62%.


De qualquer forma, as apostas são de que a produtividade atual do USDA para o país, de 3,5 toneladas por hectare, não deve ser alcançada, potencializando a queda da oferta norte-americana, cujas estimativas foram consideravelmente impactadas pela menor área plantada, divulgada em 30/06, surpreendendo o mercado, que apostava em um pequeno aumento.
Havia, inclusive, a perspectiva de que o USDA já cortasse a estimativa de produtividade norte-americana da safra 2023/24 no relatório mensal de oferta e demanda, o que não é usual e acabou não se confirmando. A produção caiu de 122,7 para 117 milhões de toneladas devido somente à incorporação da área menor, já conhecida.
Essa frustação das expectativas de corte da produtividade pelo USDA condicionou uma forte queda das cotações em Chicago após a divulgação do relatório, mas passado esse impacto inicial, as atenções se voltaram para o clima no país e para a possibilidade de ajustes futuros de rendimento.
Ainda em relação ao balanço de oferta e demanda norte-americano, o USDA promoveu um pequeno corte no consumo doméstico, enquanto a estimativa para as exportações 2023/24 passou de 53,75 para 50,35 milhões de toneladas, num momento em que o acumulado de vendas da safra nova está bem mais fraco que o registrado nessa época em anos anteriores. Houve também uma pequena redução das exportações 2022/23, que caíram para 53,9 milhões de toneladas.
Assim, apesar da produção menor, como houve recuo também da demanda, os estoques norte-americanos 2023/24 caíram de 9,5 para 8,16 milhões de toneladas, situação menos apertada do que se esperava, já que não houve ajustes na produtividade.
De qualquer maneira, destaca-se que produção mundial 2023/24 ainda ficaria mais de 20 milhões acima do consumo nesta safra que está começando, de acordo com o USDA.

Voltando ao ponto das vendas de exportação dos EUA, na semana encerrada em 06/07 as negociações continuaram mostrando um resultado relativamente fraco tanto para a safra 2022/23, quanto para a 2023/24, alcançando 80,6 e 209,2 mil toneladas, respectivamente. No acumulado, as vendas da safra 2023/24 estão em 52,6 milhões de toneladas, enquanto as negociações do ciclo 2023/24 alcançam 4,1 milhões.
Por mais que, a safra dos EUA esteja no centro das atenções, o que é normal nessa época do ano, destacam-se as exportações de soja do Brasil, que estão mais aquecidas que no ano passado, após a colheita da safra recorde 2022/23. Segundo os dados oficiais, somente na primeira semana de julho, foram embarcadas 3,6 milhões de toneladas da oleaginosa, levando o acumulado desde janeiro para 66,5 milhões de toneladas.
Essas exportações fortalecidas no Brasil alimentam as preocupações quanto aos embarques futuros dos EUA, no último trimestre do ano, após a colheita da safra 2023/24. A China tem importado grandes volumes e tem aproveitado a grande oferta de soja brasileira, que está mais competitiva que a norte-americana. Após o recorde de importações em maio, a China importou mais 10,27 milhões de toneladas da oleaginosa em junho, 24,5% acima do registrado no mesmo mês de 2022. Esse volume era esperado pelo mercado e leva o acumulado das importações chinesas de soja no primeiro semestre de 2023 a superar o registrado no mesmo período de 2022 em 13,6%.
Outro destaque da semana anterior foi o Levantamento de Safra da Conab, que surpreendeu ao cortar a produção brasileira de soja 2022/23 em pouco mais de 1 milhão de toneladas, para 154,6 milhões, com um pequeno recuo da produtividade. De qualquer forma, esse volume ainda é recorde, mas abaixo do número da StoneX, em 157,7 milhões de toneladas.
Nesta semana que começa, as atenções devem continuar muito centradas na safra dos EUA, com mais uma atualização do acompanhamento das condições das lavouras nesta tarde. No Brasil, em embarques semanais também serão conhecidos nesta segunda-feira (dia 17).






