- Produção mundial 2023/24 estimada muito acima do consumo, segundo o USDA;
- Indicadores econômicos ainda fracos;
- Recorde absoluto de produção no Brasil e falta de armazenagem;
- Previsão de chuva e temperaturas amenas nas próximas semanas;
- Exportações fracas dos EUA.
- Perdas consideráveis de safra na Argentina, devido ao clima;
- Importações aquecidas de soja pela China;
- Margens de esmagamento positivas na China;
- Perspectivas de um balanço mais apertado nos EUA;
- Área plantada muito abaixo do esperado nos EUA.
As cotações da soja começaram a semana anterior em alta, mas não sustentaram os ganhos, com o vencimento para novembro terminando a sexta-feira (dia 28) em 1382,5 cents por bushel, queda de 1,4% no período.
Os ataques russos a instalações portuárias na Ucrânia, incluindo armazéns no Rio Danúbio, no começo da última semana, afetaram as cotações do milho e do trigo, com a soja também avançando. A região do Mar Negro, principalmente a Ucrânia, se destaca na produção e exportação de óleo de girassol, com impactos no mercado de óleos vegetais e, consequentemente, na soja em grão. Destaca-se que os ataques no Rio Danúbio surpreenderam, pois essa é uma rota alternativa importante para a Ucrânia e que não tinha sido visada até então.
De qualquer maneira, no decorrer da semana a “falta de novidades” e a não ocorrência de novos ataques russos acabou abrindo espaço para outros fatores de oferta e demanda prevalecerem.


O clima nos EUA foi um ponto central no período, uma vez que a safra de soja está entrando na época chave do enchimento de grão, determinante para a produtividade das lavouras. As previsões ao longo da semana anterior, indicando boas chuvas na quinzena seguinte, aliadas e temperaturas mais amenas, foram bem recebidas pelo mercado. É importante destacar o papel das temperaturas não tão altas, que reduzem o estresse sobre as plantas, principalmente se as chuvas ficarem aquém do esperado.
Nesse último final de semana, foram registradas boas chuvas nas regiões norte, central, leste e sul do Meio Oeste, com os maiores volumes no norte de Nebraska, sul de Wisconsin, partes do norte de Illinois, norte de Indiana e sul de Michigan.
Para os primeiros dias de agosto, as previsões indicam que as chuvas devem ficar mais concentradas nas regiões planícies, com algumas áreas do centro e do sul do cinturão recebendo bons volumes de precipitação. Já a partir do próximo final de semana, as chuvas devem voltar a ocorrer em praticamente todo o Meio Oeste, aliadas a temperaturas mais amenas em grande parte da região produtora do país.
Na última divulgação do USDA, referente à semana encerrada em 23/07, o percentual bom/excelente das lavouras de soja dos EUA passou de 55% para 54%, mas houve melhora em estados importantes, como Illinois, com o aumento de 4 p.p. das plantas classificadas em bom/excelente, subindo para 44%.
Pelo lado da demanda, as inspeções de exportação dos EUA na semana encerrada em 20/07 alcançaram 283,4 mil toneladas, levando o acumulado para 40,2 milhões de toneladas, cerca de 3 milhões a menos do que no mesmo período do ano passado, destacando que as estimativas de exportação do USDA para o ciclo 2022/23 estão 4,7 milhões abaixo do registrado na safra 2021/22.
Já as vendas líquidas de exportação do país na mesma semana atingiram 198,5 mil toneladas para a safra 2022/23 e 544,6 mil para a 2023/24, volumes dentro das expectativas do mercado em ambos os casos. No acumulado, as vendas da safra 2022/23 alcançam 52,8 milhões de toneladas, enquanto a estimativa de exportações do USDA está em 53,9 milhões, até o final de agosto. É importante lembrar que cancelamentos são comuns no final de ciclo, assim como rolagens para o próximo ano safra.
Em relação às exportações da safra norte-americana 2023/24, as vendas acumuladas até o momento estão em 5,5 milhões de toneladas, volume bem mais baixo que em anos anteriores. Com a colheita da safra recorde no Brasil, há preocupações quanto aos embarques dos EUA, cujo melhor período é o último trimestre do ano, logo após a colheita.

Em julho, até o dia 21/07, o Brasil exportou 7,96 milhões de toneladas de soja, volume que já supera o registrado em julho de 2022, para o mês completo. No acumulado desde janeiro, as exportações brasileiras de soja somam 70,8 milhões de toneladas. Amanhã (dia 01), será divulgado o dado oficial para o julho com um todo.
Destaca-se, também, que a StoneX divulgará seu primeiro número para a safra 2023/24 do Brasil amanhã. A divisão dos EUA também divulgará seu levantamento para a produtividade e produção da safra norte-americana 2023/24, na quarta-feira (dia 02).








