- Produção mundial 2023/24 estimada acima do consumo, segundo o USDA;
- Avanço da colheita nos EUA;
- StoneX estima nova safra recorde 2023/24 para o Brasil;
- El Niño pode favorecer safra na América do Sul;
- Exportações fracas dos EUA.
- Importações aquecidas de soja pela China;
- Consumo doméstico norte-americano aquecido;
- Corte de produtividade e produção da safra dos EUA;
- El Niño pode trazer seca no Norte/Nordeste do Brasil.
- Chuvas ainda irregulares em parte das área produtoras brasileiras.
As cotações da soja em Chicago registraram a segunda semana consecutiva de alta, com o vencimento para novembro terminando a sexta-feira (dia 20) em 1302,25 cents por bushel, alta de 1,7% no período.
O período de colheita nos EUA, com 62% dos trabalhos completos até o dia 15/10 continua pesando sobre os preços por sazonalmente aumentar a disponibilidade de soja. Contudo a situação de um balanço apertado no país e com a demanda interna aquecida deram suporte aos preços.
Na segunda-feira (dia 16), a Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas (NOPA, na sigla em inglês), divulgou o esmagamento de soja dos EUA em setembro, que alcançou 4,5 milhões de toneladas, acima da média das expectativas do mercado, em 4,4 milhões. Além disso, o resultado representa um recorde para o mês de setembro, diante das perspectivas positivas para o avanço do esmagamento e para a produção de diesel renovável no país. Quanto ao óleo de soja, os estoques ficaram em 502,6 mil toneladas, abaixo do esperado, o que pode indicar que mesmo as perspectivas de um esmagamento mais aquecido podem ainda estar aquém dos volumes de óleo de soja que o mercado vai precisar.


Quanto às exportações, as inspeções na semana encerrada em 12/10 atingiram 2 milhões de toneladas, volume que não é uma grande surpresa nesse período do ano e que ficou em linha com a mesma semana de 2022. O acumulado do ano safra 2023/24 está em 5,4 milhões de toneladas acima do mesmo período do ano passado.
Já as vendas de exportação na mesma semana ficaram em 1,37 milhão de toneladas, volume dentro das estimativas do mercado, que iam de 950 mil a 1,6 milhão. No acumulado, foram negociadas 20,9 milhões de toneladas, 9,6 milhões a menos o registrado no ano passado. Contudo, como o USDA espera que os embarques do ciclo 2023/24 vão ficar 6,5 milhões de toneladas abaixo de 2022/23, o atraso anual ficaria em torno de 3 milhões de toneladas.
Destaque para as negociações com a China que estão mais baixas em 6,7 milhões de toneladas ao se comparar com o ano passado. A soja brasileira continua bastante competitiva no mercado disponível, mesmo nesse período do ano, que sazonalmente é de predominância das exportações norte-americanas.
Do volume importado pelos chineses em setembro, em 7,15 milhões de toneladas, 6,88 milhões foram originados no Brasil, um aumento de 23% frente à participação brasileira no mesmo mês de 2022.

Além de a safra brasileira 2022/23 ter sido recorde e do dólar fortalecido, destacam-se as questões logísticas que acabam afetando a competitividade da oleaginosa norte-americana. O baixo nível do Rio Mississipi tem encarecido os fretes num momento de grande aumento da oferta de grãos nos EUA e a seca no Canal do Panamá também impacta os custos e o tempo de viagem das cargas que saem do Golfo em direção à Ásia.
Aqui no Brasil, os impactos do clima na logística também têm ganhado cada vez mais relevância, com os níveis mais baixos em um século atingidos pelos afluentes do Rio Amazonas. Algumas empresas de barcaças interromperam as operações, enquanto muitos comboios estão levando cargas reduzidas e estão sendo utilizados empurradores para atravessar os pontos mais rasos.
Ademais, uma parte pequena das cargas foi desviada para terminais do Sul/Sudeste, com destaque para Santos. Mesmo assim, por enquanto, as perspectivas para as exportações se mantêm, lembrando que o período atual é de predominância do milho no escoamento portuário, mesmo com volumes importantes de soja ainda sendo embarcados.
Em relação à safra brasileira 2023/24, a StoneX divulgou seu acompanhamento de plantio na sexta-feira (dia 20), alcançando 27,4% do total, nível mais baixo que na mesma semana do ano passado, em 36,4%, diante de chuvas ainda irregulares em várias regiões. Destaque para o ritmo um pouco mais lento nos estados do Centro-Oeste. Nos próximos dez dias, estão previstas chuvas em todo o país, mas com volumes mais expressivos na Região Sul e nas áreas mais ao sul do Centro-Oeste e do Sudeste. Os volumes podem ser muito grandes em boa parte do Paraná entre os últimos dias de outubro e o começo de novembro.
Na Argentina, as previsões indicam bons volumes de chuva nos próximos dez dias, o que deve melhorar as condições de seca registradas em várias regiões. No caso da soja, a janela de plantio ainda está no início, com essas precipitações sendo bem-vindas para repor a umidade do solo.
Nessa semana que começa, as condições climáticas na América do Sul devem continuar no centro das atenções tanto para o andamento da safra 2023/24, quanto em relação à logística no norte do Brasil.
Nos EUA, além da colheita, os dados de exportação estarão no radar.








