- Produção mundial 2023/24 estimada acima do consumo, segundo o USDA;
- Avanço da colheita nos EUA;
- StoneX estima nova safra recorde 2023/24 para o Brasil;
- USDA aumenta produção 2023/24 dos EUA;
- Vendas de exportações acumuladas fracas dos EUA.
- Vendas de volumes importantes de soja dos EUA para a China;
- Consumo doméstico norte-americano aquecido;
- Argentina pode ficar sem soja para esmagamento nas próximas semanas;
- Chuvas ainda irregulares em parte das área produtoras brasileiras;
- Atraso no plantio da safra brasileira.
Na semana passada, as cotações da soja em Chicago voltaram a leve baixa, com o vencimento para janeiro encerrando a sexta-feira (dia 10) em 1347,5 cents por bushel, queda de 0,3% no período.
A oleaginosa ainda começou a semana em alta, em meio a preocupações com a oferta de farelo da Argentina, mas terminou o período com perdas, após a divulgação do relatório mensal de oferta e demanda do USDA, e a despeito dos reportes de vendas de soja dos EUA para a China.
Além da menor produção de farelo na Argentina, que deve voltar a se normalizar após a colheita de uma safra 2023/24 dentro do normal, a demanda de óleo de soja nos EUA continua com perspectivas muito positivas, em meio ao aumento da produção de diesel renovável, situação que reforça o foco nos balanços dos derivados da soja.
Com isso, as atenções à produção 2023/24 da América do Sul estão grandes, com preocupações com as previsões de clima quente e seco em grande parte do Brasil nas próximas duas semanas.
O plantio da soja brasileira já está atrasado, com o acompanhamento de safra da StoneX, na última sexta-feira (dia 10), tendo indicado um percentual de 59,3% completos, contra 70,7% nessa mesma semana do ano passado.
O atraso por si só não significa impactos negativos para a safra de soja, mas a falta de chuvas pode prejudicar o potencial produtivo, mesmo que as lavouras não estejam nas fases mais críticas, como o enchimento de grão.
Neste ano, as perspectivas ainda são de crescimento da área de soja, tanto no Basil quanto na Argentina, com o milho perdendo espaço para a oleaginosa, num contexto de margens mais pressionadas para o produtor. O plantio da safra argentina começou, alcançando 6,1% do total na última quarta-feira (dia 08), de acordo com a Bolsa de Buenos Aires. Houve avanços no norte de La Pampa, no oeste de Buenos Aires, sul de Córdoba e Entre Rios, onde ocorreram chuvas, com a umidade superficial permitindo se iniciar a semeadura.
No EUA, a colheita da soja atingiu 91% do total no domingo dia 05/11, volume acima da média de cinco anos para o período, em 86%, mas abaixo do registrado nesse mesmo período de 2022, em 93%.
O período de colheita nos EUA tende a pesar sobre os preços na CBOT, enquanto as vendas e exportações ganham força, em meio à maior disponibilidade dos grãos.


Nesta última semana, foram anunciados volumes significativos de vendas de soja dos EUA para a China no sistema de reportes diários do USDA. Com isso, a próxima divulgação semanal de vendas de exportação do país, referente à semana encerrada em 09/11, deve trazer um volume bastante significativo.
Já na semana encerrada em 02/11, as negociações atingiram 1,08 milhão de toneladas para a safra 2023/24, levando o acumulado para 24,2 milhões, nível ainda abaixo do registrado nesse mesmo período do ano passado, que alcançava 32,9 milhões de toneladas. É importante lembrar, entretanto, que o USDA estima exportações norte-americanas mais baixas no ciclo 2023/24.

Na quinta-feira (dia 09), o USDA atualizou seu relatório de oferta e demanda, elevando a estimativa de produção 2023/24 dos EUA para 112,4 milhões de toneladas, devido a revisões positivas de produtividade. Esse resultado ficou acima do esperado pelo mercado, que apostava em uma estabilidade, ao redor do último número do USDA, em 111,7 milhões de toneladas.
Não houve alterações nas variáveis de demanda esperadas para a safra norte-americana 2023/24, com a produção maior se refletindo em aumento dos estoques finais, que foram estimados em 6,67 milhões de toneladas.
Essa revisão para a safra norte-americana pesou sobre as cotações em Chicago, mesmo com o balanço de oferta e demanda do país continuando mais restrito, a despeito do aumento da produção.
Na sexta-feira (dia 10), as cotações da soja recuperaram parte das perdas anteriores, após rumores de novas vendas de soja norte-americana para a China. Destaca-se que essas vendas recentes para a China contribuem para recuperar o volume acumulado de negociações, mas as expectativas apontam para exportações mais fracas em comparação à safra anterior, pelo menos por enquanto.
Nesta semana que começa, as atenções devem estar muito voltadas para o clima na América do Sul, com vários estados brasileiros enfrentando uma onda de calor, que deve perdurar pelos próximos dias, num momento em que as preocupações climáticas têm ganhado força.






