- Produção mundial 2023/24 estimada acima do consumo, segundo o USDA;
- Registro de chuvas mais abundantes nas áreas de soja do Brasil;
- Potencial de safra cheia na Argentina, com boas chuvas previstas;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Vendas de exportações acumuladas fracas dos EUA para a China.
- Consumo doméstico norte-americano aquecido;
- StoneX corta produção de soja 2023/24, que já não é recorde;
- Cortes da produção estimada por Conab e USDA.
- Situação argentina ainda favorece reter a soja como um seguro;
- Exportações brasileiras acima de 100 milhões de toneladas em 2023.
A primeira semana de 2024 foi de baixa para as cotações da soja em Chicago. O vencimento para março terminou a sexta-feira (dia 05) em 1256,25 cents por bushel, queda de 3,6% no período.
A ocorrência de chuvas mais significativas e generalizadas em grande parte da região produtora de soja no Brasil foi o principal condicionante dessas perdas. Desde a última semana de dezembro, tem chovido de maneira mais intensa, o que alivia as condições de seca enfrentadas pelas lavouras. Mesmo assim, destaca-se que essa melhora na umidade deve impactar principalmente o que foi plantado mais tarde. Mesmo com os atrasos, a soja plantada logo no início do ciclo, a partir de meados de setembro, sofreu com chuvas abaixo do normal desde então e com temperaturas elevadas e ondas e calor.
Assim, destacando que a primeira metade de dezembro ainda foi de chuvas bastante irregulares, a StoneX cortou sua estimativa de produção de soja para o Brasil no ciclo 2023/24 para 152,8 milhões de toneladas, em sua revisão de janeiro, queda de 5,6% frente ao divulgado no começo de dezembro. Se confirmado, esse volume não configurará um recorde, ficando abaixo da safra passada.
De qualquer maneira, é importante destacar a grande variabilidade das lavouras de soja em várias regiões e que o real tamanho da produção vai ser conhecido somente com a colheita.
Mesmo com essa perspectiva de produção menor no Brasil, o mercado está “olhando” para outros fatores, além do clima, o que ajuda a explicar por que as cotações em Chicago continuam sem forças para subir.


Pelo lado da oferta, destaca-se a produção argentina, com várias estimativas apostando numa safra acima de 50 milhões de toneladas. O USDA ainda está com um número de produção para o país em 48 milhões.
Já em relação à demanda, há preocupações com o ritmo do consumo global, com destaque para a China, onde as margens de esmagamento estão pressionadas.
Diante desse cenário, cabe lembrar que o balanço de oferta e demanda mundial projetado pelo USDA aponta a produção quase 15 milhões de toneladas acima do consumo (dados divulgados em dezembro). Mesmo com um corte na produção brasileira, em torno de 10 milhões de toneladas, não haveria um cenário de aperto no balanço mundial, lembrando, novamente, que a produção argentina pode alcançar um resultado um pouco maior.
De qualquer forma, por mais que ainda não se espere um balanço mundial apertado, mesmo com ajustes negativos da produção brasileira, as perdas por aqui acabam impactando os fluxos da oleaginosa entre exportadores e importadores.
Com a menor disponibilidade de soja brasileira, o volume exportado também deve cair, ficando abaixo das mais de 100 milhões de toneladas embarcadas em 2023, o que deve incentivar a busca pelo grão em outros players, com destaque para os EUA. Como o país está com um consumo mais aquecido e o balanço não está folgado, essa situação poderia dar um impulso mais significativo aos preços em Chicago, uma vez que a bolsa em território norte-americano acaba refletindo mais de perto o que acontece internamente.
Em relação à Argentina, mesmo com a recuperação da sua oferta, deve haver pouco espaço para exportações mais significativas de soja em grão, já que o setor de processamento da oleaginosa está enfrentando uma baixa disponibilidade atual e deve aproveitar para recuperar seu nível de atividade após a colheita. Além disso, a situação política e econômica do país está bastante indefinida o que pode ser um desincentivo às exportações de soja, que acaba sendo armazenada como um seguro contra a inflação.
Dessa forma, o mercado deve continuar reagindo as condições climáticas por aqui até o avanço da colheita confirmar o tamanho da safra brasileira e o possível impacto no balanço de oferta e demanda mundial e nos fluxos internacionais da oleaginosa.
Pelo lado da demanda, as vendas de exportação dos EUA registraram volumes abaixo do esperado na semana encerrada em 28/11, ficando em apenas 201,6 mil toneladas, contra expectativas que iam de 500 mil a 1,3 milhão de toneladas. No acumulado, as negociações da safra 2023/24 alcançaram 36,5 milhões de toneladas, nível mais de 7 milhões abaixo do mesmo período do ano passado, mas lembrando que o USDA estima uma queda anual dos embarques de 6,45 milhões de toneladas. Ressalta-se que a China é responsável por 6,4 milhões de toneladas, dessa diferença das negociações em comparação ao ano passado.

Aqui no Brasil, foram divulgadas as exportações de dezembro, que alcançaram 3,8 milhões de toneladas, levando o acumulado de 2023 para 101,9 milhões, recorde histórico de embarques. A produção recorde brasileira 2022/23 também contribuiu para a recomposição de estoques chineses, com o país aproveitando a oferta por aqui para originar 74,5 milhões de toneladas do total exportado.
Nesta semana que começa, serão divulgados os relatórios mensais da Conab e do USDA, muito aguardados, devido às expectativas de ajustes na safra brasileira. Para o USDA, a média das expectativas do mercado está ao redor de 154 milhões de toneladas para a produção 2023/24 do
Brasil. No caso da Argentina, o USDA poderá trazer alguma elevação em suas estimativas para a produção do país.
Além dos mais, o relatório do USDA de janeiro, traz revisões na produção dos EUA, mas não são esperadas maiores surpresas.






