- Produção mundial 2023/24 estimada acima do consumo, segundo o USDA;
- Registro de chuvas mais abundantes nas áreas de soja do Brasil;
- Potencial de safra cheia na Argentina, com boas chuvas previstas;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Vendas de exportações acumuladas fracas dos EUA para a China;
- Apesar de ter realizado cortes na safra brasileira, USDA trouxe números de produção acima do esperado pelo mercado.
- Consumo doméstico norte-americano aquecido;
- StoneX corta produção de soja 2023/24, que já não é recorde;
- Cortes da produção estimada por Conab e USDA.
- Situação argentina ainda favorece reter a soja como um seguro;
- Exportações brasileiras acima de 100 milhões de toneladas em 2023.
Em Chicago, os futuros da soja iniciaram a última semana com uma forte queda, com o março/24 começando a segunda-feira (8) já cotado próximo de 1240 cents/bu, abaixo do fechamento da semana anterior, de 1256,25 cents/bu. No decorrer da semana, o contrato se manteve relativamente estável, contudo, na sexta-feira (15), após a divulgação do relatório de oferta e demanda do USDA, os futuros “derreteram”, com o março/24 chegando a ser negociado abaixo de 1210 cents/bu. O contrato em questão apresentou certa recuperação ao final do dia, mas ficou longe de devolver todas as perdas, encerrando o período cotado a 1224,25 cents/bu, queda de 2,5% na semana.
Entre as principais causas de baixa no preço, se encontraram os índices pluviométricos, que indicavam níveis de chuvas aceitáveis tanto no Brasil como na Argentina, o que melhorou as perspectivas para a oferta da oleaginosa, os dados decepcionantes de embarques e vendas de exportação dos EUA e o WASDE, que trouxe revisões positivas para as produções norte-americana e argentina e um corte menor que o esperado na safra brasileira.


O relatório de Inspeções de Exportações dos EUA divulgado na semana passada indicou que o país exportou 674,75 mil toneladas de soja na semana encerrada em 4 de janeiro, abaixo das 969,45 mil registradas na anterior e das 1,46 milhão de toneladas na semana equivalente da temporada anterior. Com isso, os embarques acumulados na safra 23/24 chegaram a 23,95 milhões de toneladas, contra 30,24 milhões no mesmo período do ciclo 22/23.
Já o relatório de vendas de exportação do USDA, mostrou a venda líquida de 280,4 mil toneladas na semana encerrada no último dia 4, contra 201,6 mil na semana anterior e bem abaixo das 717,4 mil toneladas vendidas na semana equivalente de 2023. Além disso, o volume ficou abaixo do limite inferior das expectativas do mercado, que variavam entre 325 mil e 950 mil toneladas. No acumulado, as vendas da safra 23/24 totalizaram 36,8 milhões de toneladas, contra 44,3 milhões no mesmo período de 22/23.

Na quarta-feira, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) atualizou a sua previsão para a safra 2023/24, ainda esperando o recorde de 155,27 milhões de toneladas, com base na série histórica da instituição, o que significaria um aumento de 0,4% de forma interanual. Esse resultado esperado ainda pode ser considerado otimista, porém a redução em comparação ao relatório de dezembro foi de 5 milhões de toneladas.
Definida como uma das mais desafiadoras quanto à sua projeção, a próxima safra teve níveis de chuva heterogêneos nas principais regiões produtoras. A Conab também informou que a quebra nas expectativas já é de 4,2%, dado que se esperava incialmente uma produção de 162 milhões de toneladas.
Também na metade da semana (dia 10), a Bolsa de Comércio de Rosário ajustou para cima sua estimativa para a safra 2023/24 de soja, que passou de 50 para 52 milhões de toneladas. Entre as causas do ajuste, foi indicado que bons níveis de chuva em várias das principais regiões produtoras permitem um otimismo em relação à produtividade na próxima colheita. Um baixo nível de umidade é observado em algumas regiões-chave do país como La Pampa, os solos produtivos da grande Buenos Aires, quase todo Córdoba e o Chaco argentino. Porém, no geral, as chuvas chegaram para permitir que a soja “de primeira” (plantada mais cedo) esteja em condição boa ou excelente, estando somente a soja tardia um pouco mais afetada por ter perdido a janela ideal de plantio, porém ainda tem possibilidades de recuperação. Segundo a instituição, 51% das lavouras apresentavam condição boa/excelente na última semana, avanço de 9 p. p. no comparativo semanal e número bem acima dos 4% registrados na mesma semana de 2023.
Por fim, o acontecimento que mais movimentou o mercado na semana: o Relatório de Oferta e Demanda do USDA. O Departamento, como esperado, reduziu sua estimativa para a safra 23/24 do Brasil, em 4 milhões de toneladas, para 157 mlhões. Contudo, o número ficou acima da média das expectativas de mercado, de 156,3 milhões. Já a safra da Argentina foi elevada, em 2 milhões de tonelads, para 50 milhões, número que também ficou acima da média das expectativas, de 48,9 milhões. Outro ponto que pegou o mercado de surpresa foi a elevação da produção norte-americana, para 113,35 milhões de toneladas, o que contribuiu para aliviar um pouco os estoques do país e pressionar os preços.
Falando sobre estoques, o USDA divulgou também seu relatório trimestral de posição dos estoques, indicando os estoques de soja norte-americanos no dia 1º de dezembro de 2023. O Departamento indicou um volume de 81,65 milhões de toneladas, acima da média das expectativas de mercado (80,97 milhões).






