- Fatores baixistas
- Produção mundial 24/25 acima consumo, segundo o USDA;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Estimativa de produção recorde para a safra brasileira 24/25;
- Melhora das condições de safra na Argentina;
- China taxa soja norte-americana em 10%;
- China taxa canola e derivados canadenses.
- Fatores altistas
- Novas medidas de incentivo adotadas pelo governo chinês;
- Safra do Rio Grande do Sul muito impactada pelo clima;
- Estimativa de queda de área na safra 25/26 dos EUA;
- Perda de potencial da safra argentina;
- StoneX corta safra brasileira para abaixo de 170 milhões de toneladas.
As cotações da soja em Chicago continuaram acima do patamar de USD 10,00 por bushel na semana passada, mas com tendência de queda. O vencimento para maior terminou a sexta-feira (dia 21) em 1009,75 cents por bushel, recuo de 0,6% no período. O mercado continua acompanhando a safra da América do Sul, além do lado da demanda, com o fortalecimento dos basis no Brasil.
A colheita da safra brasileira alcançou 75,3% do total na última sexta-feira (dia 21), de acordo com levantamento da StoneX, com vários estados perto de concluir os trabalhos, enquanto o Rio Grande do Sul ainda está no começo, uma vez que o ciclo no estado é mais tardio. De qualquer forma, com a colheita avançada, a estimativa de safra deve ficar menos sujeita a variações importantes, com o resultado recorde sendo confirmado. O último número da StoneX está em 168,3 milhões de toneladas.
Na Argentina, a Bolsa de Buenos Aires cortou a estimativa da safra de soja 24/25 em 1 milhão de toneladas, para 48,6 milhões, devido às condições secas e temperaturas elevadas que predominaram no país principalmente em fevereiro, com as regiões ao norte não tendo sido contempladas com volumes de precipitação tão significativos quanto outras regiões, quando as chuvas retornaram. As regiões onde choveu mais registram boas condições, mas que não devem compensar totalmente as perdas mais ao norte, o que motivou a queda da produção esperada. No total nacional, as condições das lavouras continuaram apresentando melhora, com o percentual regular/ruim caindo 6 pontos em uma semana, para 27%.
Apesar dos problemas climáticos enfrentados pela safra da América do Sul, o resultado ainda vai ser muito robusto, o que contribui para o cenário de preços internacionais sem força para altas significativas. Com isso, as atenções estão se voltando para o tamanho da safra dos EUA, que começa a ser plantada em abril. As expectativas são de queda da área plantada, com o número do Fórum Agrícola do USDA tendo ficado em 34 milhões de hectares. Mesmo assim, essa área plantada combinada a um rendimento dentro da tendência ainda resultaria em uma safra em linha com a colhida no ano passado, não levando a um aperto no balanço de oferta e demanda do país. Na próxima semana, as atenções devem se voltar para a divulgação do dado de intenções de plantio dos EUA, que leva em conta levantamento junto ao produtor e que traz uma ideia mais acurada de qual será o tamanho da área.


Pelo lado da demanda, o dado de esmagamento dos EUA em fevereiro, divulgação pela Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas (NOPA, na sigla em inglês), contribuiu para pressionar os preços. Segundo a instituição que engloba cerca de 95% das processadoras de soja norte-americanas, foram esmagadas 4,84 milhões de toneladas, nível abaixo do ano passado e da média das expectativas do mercado, que estava em pouco mais de 5 milhões. Apesar de sazonalmente este período ser de esmagamento um pouco mais baixo, quedas acima do esperado em Illinois e Iowa foram observadas com margens mais fracas, chegando a ficar no campo negativo.
Em relação às exportações, as vendas dos EUA na semana encerrada em 13/03 alcançaram 352,6 mil toneladas, levando o acumulado da safra 24/25 para 45,4 milhões de toneladas, com as negociações com a China estando 1,3 milhão de toneladas mais fracas que no ano passado, enquanto a venda para outros destinos está 6,7 milhões à frente, situação que coloca o total negociado acima do necessário para alcançar a estimativa de exportações dos EUA para o ciclo 24/25, em 49,7 milhões de toneladas. Nos próximos meses, os volumes devem continuar no radar, em meio à taxação chinesa sobre a soja norte-americana.
Atualmente, a China tem concentrada as compras de soja no Brasil, situação usual, uma vez que a colheita por aqui aumenta a disponibilidade da oleaginosa. Esse é um dos motivos que ajudam a explicar os prêmios fortalecidos nos portos brasileiros, mesmo com a oferta abundante. Enquanto os preços internacionais, em Chicago, seguem mais pressionados, no mercado brasileiro, os prêmios têm ganhado força nas últimas semanas, o que pesa na competitividade da soja brasileira para a Ásia. Em alguns momentos a oleaginosa norte-americana tem se mostrado quase tão vantajosa que a brasileira, o que não é usual para o período. Mesmo assim, as expectativas são de exportações brasileiras muito aquecidas, com dados de lineup de navios indicando que o total embarcado em março pode ficar ao redor de 15 milhões de toneladas.
Nesta semana, o lado da demanda deve continuar sendo monitorado, com destaque para a evolução dos prêmios no Brasil, enquanto não se esperam maiores surpresas pelo lado da oferta. Como ressaltado, o dado de intenção de plantio dos EUA só será divulgado na próxima semana e a StoneX também atualizará sua estimativa de safra 24/25 para o Brasil em 01/04.






