- Fatores baixistas
- Produção mundial 24/25 acima consumo, segundo o USDA;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Estimativa de produção recorde para a safra brasileira 24/25;
- Bons resultados da colheita inicial na Argentina;
- China aumenta tarifas retaliatórias contra os EUA.
- Fatores altistas
- Novas medidas de incentivo adotadas pelo governo chinês;
- Estimativa de queda de área na safra 25/26 dos EUA;
- Perda de potencial da safra argentina;
- Possível aumento do mandato de biodiesel e diesel renovável nos EUA;
- Possível relaxamento/adiamento da taxação de navios chineses nos portos dos EUA;
- Alívio das tensões comerciais, após declarações de autoridades dos EUA.
As cotações da soja registraram alta em Chicago na semana passada, com o contato de maio encerrando a sexta-feira (dia 25) em 1049,75 cents por bushel, ganhos de 1,3% no período.
O principal condicionante da alta foram os rumores sobre a questão tarifária entre EUA e China. O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, afirmou que as elevadas tarifas entre EUA e China não são sustentáveis. Além disso, Donald Trump sinalizou que não teria a intenção de demitir o presidente do Fed, Jerome Powell, após as críticas dirigidas ao chefe da autoridade monetária.
Diante desse cenário, houve uma redução da aversão ao risco, favorecendo as commodities, mas ainda não há nada concreto quanto a um acordo tarifário com a China. Trump e outras autoridades norte-americanas afirmaram que as conversas e negociações tarifárias com a China estariam em andamento, o que foi negado pelo país asiático, afirmando que “os EUA deveriam parar de criar confusão”.
De qualquer forma, há relatos de que haveria uma lista de mais de 100 categorias de produtos que estavam sendo considerada para isenções pela China, apesar de o país não ter se pronunciado oficialmente. Por enquanto, há relatos de que algumas importações de produtos farmacêuticos fabricados nos EUA já foram isentas pela China.
Os dados de vendas de exportação dos EUA na semana encerrada em 17/04 indicaram negociações de 277 mil toneladas, condicionadas pelas compras de outros destinos, enquanto a China praticamente não reservou soja norte-americana. No acumulado, as vendas de soja 24/25 dos EUA para a China estão 1,5 milhão de toneladas abaixo do mesmo período do ano passado, enquanto outros destinos já compraram mais de 7 milhões de toneladas acima de um ano atrás.
Por outro lado, as expectativas em relação ao possível aumento dos mandatos de biodiesel e diesel renovável nos EUA continuaram animando o mercado de soja, com os fundos especulativos aumentando a posição comprada em soja, situação que poderia levar a uma onda de vendas, caso esse aumento não se confirme nos volumes esperados.


Na América do Sul, destaque para a colheita da safra argentina, que alcançou 14,5% do total, segundo a Bolsa de Buenos Aires, um avanço semanal de 9,6 p.p. Mesmo assim, permanece um atraso de 11 p.p. frente ao ano passado, ainda como reflexo da umidade excessiva de algumas semanas atrás, que dificultou os trabalhos no campo. Algumas regiões, mais na área central e sul, estão registrando produtividades que chegam a 4 toneladas por hectare. Quanto às condições de safra, houve um aumento do percentual bom/excelente de 37% para 43%. Por enquanto, a Bolsa de Buenos Aires mantém sua estimativa de produção de soja em 48,6 milhões de toneladas.
No Brasil, os prêmios nos portos continuam mais fortalecidos que no ano passado nessa mesma época, mas mais competitivos que os EUA. Atualmente, logo após a colheita da safra por aqui, é o melhor período de exportações de soja, com as vendas e os embarques ficando muito aquecidos, situação que deve ser reforçada ainda mais por uma maior procura chinesa, diante da guerra tarifária com os EUA. Até o dia 17 de abril, o Brasil tinha embarcado 9,4 milhões de toneladas de soja no mês, com uma nova atualização prevista para esta segunda-feira (dia 28), no período da tarde.
Destaca-se que as vendas de soja pelo produtor no Brasil têm ganhado força após a colheita, o que é o comportamento esperado, com o aumento da disponibilidade oleaginosa e as questões de infraestrutura, como falta de armazéns. Até o dia 22/04, 56,1% da safra de soja 24/25 já tinha sido comercialização, segundo levantamento da StoneX, nível acima do registado nesse mesmo período das duas safras anteriores. Já em outros anos, as negociações estavam mais avançadas nessa mesma época, num contexto de preços mais elevados.
Nesta semana, o mercado deve continuar bastante focado na relação entre EUA e China, com qualquer novidade podendo movimentar as cotações. Além disso, o andamento da safra norte-americana está ganhando cada vez mais importância, com o plantio tendo alcançado 8% no domingo dia (20), acima da média de cinco anos, em 5%, e do registrado no mesmo período do ano passado, em 7%. Nesta semana, estão previstas chuvas mais pesadas para regiões do Meio Oeste e do Delta, o que pode resultar em alguma lentidão do plantio no país.








