- Fatores baixistas
- Produção mundial 24/25 acima consumo, segundo o USDA;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Estimativa de produção recorde para a safra brasileira 24/25;
- Bons resultados da colheita inicial na Argentina;
- China aumenta tarifas retaliatórias contra os EUA.
- Fatores altistas
- Novas medidas de incentivo adotadas pelo governo chinês;
- Estimativa de queda de área na safra 25/26 dos EUA;
- Perda de potencial da safra argentina;
- Possível aumento do mandato de biodiesel e diesel renovável nos EUA;
- Possível relaxamento/adiamento da taxação de navios chineses nos portos dos EUA;
- Alívio das tensões comerciais, após declarações de autoridades dos EUA.
Na semana passada, as cotações da soja na CBOT tiveram oscilações limitadas e encerraram o período em leve baixa. O fechamento do dia 02/05 para julho ficou em 1058 cents por bushel, queda de 0,1% em sete dias.
O mercado continua acompanhando as tensões comerciais entre EUA e China, as possíveis novidades sobre a política de biocombustíveis do país, além do plantio da safra 25/26. Na América do Sul, as exportações do Brasil estão no radar, além do andamento da safra Argentina.
Na última semana, autoridades dos EUA comentaram que as conversas com a China estariam em andamento, o que foi negado pelo país asiático em várias ocasiões. Mais no final da semana, a China afirmou que estaria avaliando possíveis conversas sobre a questão comercial e tarifária com os EUA. Mesmo assim, por enquanto, não há nada concreto que alivie a situação das exportações norte-americanas de soja, que continuam a ser taxadas pelo maior importador mundial. De qualquer forma, neste período do ano, como a China já concentra sua originação no Brasil, comprando pouco dos EUA, as preocupações são menores. Contudo, caso no último trimestre do ano, quando as exportações norte-americanas registram os maiores volumes, a China continue impondo taxas sobre a oleaginosa, a situação seria diferente. Por mais que o Brasil esteja finalizando uma safra recorde e já seja o principal fornecedor para a China, os EUA ainda exportam mais de 25 milhões de toneladas de soja para o país asiático anualmente, com uma redução das compras tendo um impacto importante.


De qualquer forma, numa perspectiva mais ampla, é preciso lembrar que as importações chinesas já não crescem como observado antes da pandemia, além de o governo chinês estar fazendo um esforço para reduzir a participação do farelo na ração, tendo afirmado que a deseja que a introdução do ingrediente proteico passe de uma taxa de 13% em 2025 para 10% em 2030. Assim, independentemente do contexto atual de guerra tarifária, o comportamento do consumo e das compras chinesas vai estar no centro das atenções também nos próximos anos, dada a relevância do país para a demanda mundial de soja.
Os EUA já vêm investindo na indústria de diesel renovável nos últimos anos, como uma forma também de incentivar o consumo doméstico da soja, diante da competição com o Brasil nas exportações. Com isso, os investimentos em capacidade de esmagamento estão avançando para atender a essa demanda. Contudo, é preciso lembrar que a produção de biocombustíveis é dependente dos programas de incentivo. Assim, atualmente, o mercado está na expectativa de algum anúncio de aumento dos mandatos nos EUA, após Trump ter pedido para os produtores de fósseis e de renováveis chegarem um acordo. A perspectiva é de que o mandato para biodiesel e diesel renovável possa aumentar consideravelmente.
Na América do Sul, a colheita no Brasil está praticamente finalizada, com o mercado acompanhando a demanda. Na última semana, os prêmios nos portos brasileiros registraram desvalorização, o que favorece ainda mais a competitividade brasileira frente aos EUA. De qualquer forma, as tarifas em vigor atualmente entre EUA e China são proibitivas, mesmo se o nível de prêmios no Brasil se mantivesse mais elevado.
Em abril, até o dia 25/04, foram embarcadas quase 13 milhões de toneladas de soja brasileira, com os dados do mês como um todo estando previstos para amanhã, sinalizando a continuidade de exportações muito aquecidas, como é o usual para o período. Com a colheita de uma safra recorde no Brasil, os embarques devem permanecer significativos mesmo no segundo semestre do ano, como já vem ocorrendo, com a crescente produção por aqui.
Na Argentina, a colheita da safra de soja 24/25 alcançou 23,6% do total, segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, o que ainda representa um atraso de 12 p.p. em comparação à mesma semana do ano passado. Algumas regiões, com Córdoba e Entre Rios, têm mostrado resultados acimado do esperado, o que sugeriria uma boa safra. Contudo, como ainda é cedo, faltando três quartos da colheita, a Bolsa está mantendo a estimativa de produção em 48,6 milhões de toneladas. Mesmo com essas boas perspectivas iniciais, destaca-se que houve um recuo das lavouras classificada em condições boas ou excelentes, que passaram de 43% para 39%, mas ainda se mantendo consideravelmente acima do ano anterior, quanto estavam em 27%.
Nesta semana, as atenções continuam muito centradas nas possíveis conversas entre China e EUA, além do andamento do plantio da safra dos EUA, que alcançou 18% no domingo dia 27, mantendo-se mais adiantado do que a média e levemente acima do ano passado.






