- Fatores baixistas
- Produção mundial 25/26 ainda superando o consumo, segundo o USDA;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Estimativa de produção recorde para a safra brasileira 24/25;
- Bons resultados da colheita na Argentina, com revisão da safra para cima;
- Plantio acelerado nos EUA;
- Focos de gripe aviária no Brasil.
- Fatores altistas
- Estimativa de queda de área na safra 25/26 dos EUA;
- Possível aumento do mandato de biodiesel e diesel renovável nos EUA;
- Possível relaxamento/adiamento da taxação de navios chineses nos portos dos EUA;
- Recuo nas tarifas cobradas entre EUA e China;
- Atrasos na colheita argentina.
As cotações da soja em Chicago registraram alta na semana passada, com um ajuste de posições e os preços mais baixos atraindo compradores ao mercado, que continua acompanhando o desenrolar das negociações sobre biocombustíveis nos EUA, além do andamento da safra do país. Na América do Sul, as atenções estão voltadas à colheita da safra argentina 24/25, com as condições climáticas no radar. O vencimento para julho encerrou a sexta-feira (dia 06) em 1057,25 cents por bushel, alta semanal de 1,5%.
A falta de novidades concretas sobre as políticas de biocombustíveis nos EUA, como a definição dos mandatos pela Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) pesou sobre os preços do óleo de soja e consequentemente sobre o grão, nos primeiros pregões da semana. Com essa falta de definição, a produção de diesel renovável no país recuou 12% no primeiro trimestre do ano, em comparação ao trimestre imediatamente anterior. As estimativas também apontam para queda da produção de biodiesel em 2025, com o excesso de óleo de soja sendo direcionado às exportações.
Quanto à safra 25/26 dos EUA, o plantio alcançou 84% da área total prevista em 01/06, mantendo-se acima da média de cinco anos, em 80%, e superando o ano passado, quando alcançava 77%. Apesar desse ritmo médio acelerado, destaca-se que alguns estados no leste do cinturão estão mais atrasados, devido ao excesso de chuvas em alguns período. São esses estados mais lentos, como Ohio, Kentucky e Tennesse que mostraram um percentual bom/excelente um pouco abaixo do usual na primeira divulgação desse indicador. Outros estados que têm enfrentado condições mais secas, e estão com o plantio mais adiantado, também registram condições um pouco piores, como é o caso de Nebraska e da Dakota do Norte. Mesmo assim, o percentual bom/excelente nacional ficou em 67%, próximo do que o mercado esperava, em 68%, indicando, no geral, boas condições das lavouras.


No Brasil, com a colheita finalizada, as atenções estão mais voltadas ao lado da demanda no momento, com as exportações se mantendo aquecidas e o grão brasileiro competitivo, mesmo com o fortalecimento recente dos prêmios nos portos. O dado oficial de maio indicou embarques em 14 milhões de toneladas, volume acima do registrado no mesmo mês do ano passado, quando ficou em 13,4 milhões. No acumulado de 2025, foram embarcadas 51,5 milhões de toneladas de soja, também acima do registrado nos primeiros cinco meses de 2024. Com a safra de soja recorde, estimada em 168,25 milhões de toneladas pela StoneX, as expectativas são de que as exportações também atinjam o maior nível da história neste ano. Essa situação pode ser ainda mais reforçada pelas tensões entre EUA e China, caso alguma taxação importante sobre a soja norte-americana esteja em vigor, principalmente mais no final do ano, quanto os EUA registram os maiores volumes exportados, após a colheita.
Na Argentina, a colheita da safra 24/25 de soja atingiu 88,7% do total na última quarta-feira (dia 04), segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires. Mesmo não se registrado precipitações no período apurado, os trabalhos no campo ainda estão 3,5 p.p. atrasados em comparação ao ano passado e 3,7 p.p. abaixo da média de cinco anos, devido ao excesso de chuvas registrado em algumas regiões do país em maio. Mesmo com esses atrasos, a produtividade observada tem ficado acima do esperado incialmente, com a Bolsa de Buenos Aires mantendo sua estimativa em 50 milhões de toneladas.
Nesta semana, o principal destaque deve ser a divulgação do relatório de oferta e demanda do USDA, além de possíveis avanços nas conversas entre China e EUA, após os dois países terem sinalizado disposição em negociar, reduzido os temores de acirramento nas tensões. Representantes do dos dois países estão reunidos em Londres nesta segunda-feira (dia 09).
O relatório do USDA de junho não deve trazer maiores surpresas como já é o usual, ainda mais com o bom andamento da safra norte-americana até o momento. O dado mais esperado nesse mês deve ser a área plantada do país que será atualizada no dia 30 de junho, revisando as intenções de plantio, que é o número adotado como referência atualmente pelo USDA para a safra 25/26 dos EUA. Consequentemente, essa nova área plantada será incorporada no relatório mensal do USDA, em julho.
Em relação á América do Sul, a média das estimativas do mercado para a produção argentina 24/25 está em 49 milhões de toneladas, um pouco mais baixo que o esperado pela Bolsa de Buenos Aires.






